Diz respeito ao erro intra-teste, ou ao grau em que esperamos que os resultados sejam constantes e reprodutíveis.
Quando nós medimos cuidadosamente com uma régua, por duas vezes, o comprimento de nosso caderno, provavelmente encontraremos o mesmo resultado. Porem, quando se trata de medidas de funções fisiológicas, a margem de erro aumenta muito, especialmente se a variável for de difícil isolamento, como a coordenação motora, agilidade, e outras. Com o propósito científico, não devemos permitir erros superiores a 5%. No entanto, erros que chegam até 15 ou 20% podem ter utilidade no aspecto clínico.
Para determinarmos a confiabilidade de um teste, devemos correlacionar os escores de um grupo de indivíduos submetidos a pelo menos duas vezes ao mesmo teste, sendo que estes devem ocorrer em momentos próximos.
1.3.3. Objetividade
É o grau de consistência dos resultados quando medidos por dois ou mais avaliadores.
A objetividade diz respeito ao erro entre testadores. Já a confiabilidade diz respeito ao erro intra-testador.
A forma de determinar-se a objetividade de um teste é correlacionando-se os escores de um grupo de indivíduos obtidos por dois ou mais testadores.
Observamos que a segurança que podemos ter sobre as informações de um teste será informada pelos coeficientes de correlação, ou outros índices estatísticos tais como a correlação intra-classe ou o coeficiente de variação, para a prova da validade, confiabilidade e objetividade. Além disto, devemos considerar outros fatores para a escolha de um teste que não apresentam bons índices matemáticos que descrevam sua consistência. Estes critérios suplementares estão listados a seguir.
1.3.4. Padronização
É a descrição detalhada dos instrumentos e procedimentos empregados no teste.
1.3.5. Viabilidade
Diz respeito à possibilidade de tal teste ser aplicado, considerando os custos, equipamentos, instalações, entre outros.
1.3.6. Discriminação
É a capacidade do teste de separar indivíduos com características semelhantes.
1.3.7. Ortogonalidade
Recomenda-se não empregar mais de um teste para medir uma determinada variável.
1.3.8. Historicidade
Devem ser empregados os testes mais recentes ou aqueles que passaram pela prova do tempo.
1.3.9. Pessoal qualificado
Devem ser recrutados avaliadores que tenham experiência com os testes adotados.
CAPÍTULO 2 - INTRODUÇÃO À ANTROPOMETRIA
Antropometria define-se como o estudo das medidas do homem. Sendo esse estudo empregado na antropologia física, com aplicações nas áreas de saúde pública, nutrição, e desempenho desportivo.
Os componentes estruturais da aptidão analisados pela antropometria, são:
•Proporções corporais;
•Peso corporal;
•Composição corporal;
•Gordura corporal;
•Somatotipo;
•Postura.
2.1. As principais referências anatômicas
2.1.1. Plano de Frankfurt
Linha imaginária que passa pelo ponto mais baixo do bordo inferior da órbita direita e pelo ponto mais alto do bordo superior do meato auditivo externo direito. Este plano deverá estar rigorosamente na horizontal quando tomadas as medidas antropométricas na posição em pé ou sentada.
2.1.2. Pontos de reparo anatômicos
2.1.2.1. Vértex
Ponto mais alto na cabeça, em um plano medial, quando essa está rigorosamente posicionada no plano de Frankfurt.
2.1.2.2. Supra-esternal
Ponto médio do bordo ântero-superior do manúbrio esternal.
2.1.2.3. Meso-esternal
Ponto médio do esterno, na altura da articulação do 4º arco costal, sabendo-se que o ângulo de Louis (manúbrio-corpo esternal) corresponde à 2ª costela.
2.1.2.4. Xifoidal
Ponto mais inferior do processo xifóide, no plano médio-sagital.
2.1.2.5. Acromial
Ponto mais externo do processo acromial direito e esquerdo.
2.1.2.6. Meso-umeral
Ponto médio entre o acrômio e o olecrâneo de cada braço.
2.1.2.7. Radial
Corresponde ao ponto mais alto da cúpula radial, com o braço na vertical (marcar os lados direito e o esquerdo).
2.1.2.8. Stylon
Ponto mais distal da apófise estilóide radial (direito e esquerdo).
2.1.2.9. Dactylon
Ponto mais distal do 3º dedo da mão (direito e esquerdo).
2.1.2.10. Ileo-cristal
Ponto de projeção mais lateral da crista do ilíaco.
2.1.2.11. Trocantério
Bordo superior do grande trocânter.
2.1.2.12. Meso-femural
Ponto médio entre o trancatério e o tibial.
2.1.2.13. Tibial
Bordo superior da tuberosidade interna da tíbia.
2.1.2.14. Sphyron
Ponto inferior do maléolo tibial.
2.3. Divisões das medidas antropométricas
•Lineares
•Longitudinais
•Alturas
•Estatura
•Transversais
•Diâmetros
•Envergadura
•Circunferências
•De segmentos
•De tórax (normal, inspirado e expirado)
•De abdômen
•Massa
•Peso total
•Divisão do peso em dois compartimentos
•Massa corporal magra (LBM)
•Peso gordo (percentual de gordura - %G)
•Divisão do peso em três compartimentos
•Peso muscular
•Peso gordo
•Peso ósseo
•Divisão do peso em quatro compartimentos
•Peso gordo
•Peso muscular
•Peso ósseo
•Peso residual
•Somatotipia
•Endomorfia,
•Mesomorfia
•Ectomorfia
2.3.1. Medidas lineares
2.3.1.1. Medidas lineares verticais
As alturas são as principais medidas lineares verticais, sendo tomadas por meio de toesas ou antropômetros.
2.3.1.1.1. Estatura
Medida realizada tanto no indivíduo em pé como deitado, que corresponde à distância entre o vértex e a região plantar dos pés. Essa medida é realizada após a inspiração máxima, com a precisão de 1 cm.
2.3.1.1.2. Altura total
Medida da distância entre a região plantar dos pés e o dactylon, estando o membro superior direito flexionado a 180º acima da cabeça.
2.3.1.1.3. Altura sentada
Medida realizada com o indivíduo sentado em um banco (aprox. 50 cm), estando em ângulo reto as articulações do tornozelo, joelho e quadril. Mede-se a distância do vértex à borda superior do banco, após uma inspiração máxima.
2.3.1.2. Medidas lineares perpendiculares
Cuidados para as medidas
1)Quando se mede os diâmetros, o antropômetro não deve ficar frouxo ou fazer uma pressão exagerada;
2)Salvo quando houver um especificação contrária, o aparelho deve ser colocado perpendicularmente ao diâmetro a ser medido;
3)Deve-se medir com a aproximação de 1 mm.
Principais medidas lineares
2.3.1.2.1. Envergadura
Mede-se a distância entre o dactylon direito e o esquerdo, estando o ombro em abdução de 90º.
2.3.1.2.2. Diâmetro bi-acromial
Medida realizada com o indivíduo sentado, tomando-se a medida da distância entre os pontos acromiais, direito e esquerdo, por meio de um antropômetro (erro metodológico máximo de 5%).
2.3.1.2.3. Diâmetro bi-cristal
Mede-se a distância entre os pontos ileo-cirstal direito e esquerdo.
2.3.1.2.4. Diâmetro bi-epicondiliano de úmero
Estando o cotovelo e o ombro em flexão de 90 º, mede-se a distância entre os epicóndilios umerais direito e esquerdo.
2.3.1.2.5. Diâmetro bi-estilóide
Medida da distância entre o processo estilóide do radio e do cúbito (D e E).
2.3.1.2.6. Diâmetro bi-epicondiliano de fêmur
É a medida da distância entre os dois côndilos femurais, estando o indivíduo sentado, com flexão do joelho e quadril e pés sem tocar o solo1.
2.3.1.2.7. Diâmetro bi-maleolar
Mede-se a distância entre os maléolos interno e externo, com o tornozelo em ângulo de 90 º.
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