José Saramago - As Intermitências da Morte

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limítrofes resolveram, numa acção concertada, fazer avançar as suas

tropas e guarnecer as fronteiras, com ordem taxativa de dispararem ao

terceiro aviso. Vem a propósito referir que a morte de uns quantos

maphiosos abatidos praticamente à queima-roupa depois deterem

atravessado a linha de separação, sendo o que costumamos chamar os

ossos do ofício, foi imediato pretexto para que a organização subisse os

preços da sua tabela de prestação de serviços na rubrica de segurança

pessoal e riscos operativos.

Mencionado este elucidativo pormenor sobre o funcionamento da

administração maphiosa, passemos ao que importa. uma vez mais,

rodeando numa manobra táctica impecável as hesitações do governo e

as dúvidas dos altos comandos das forças armadas, os sargentos

retomaram a iniciativa e foram, à vista de toda a gente, os promotores. e

em consequência também os heróis, do movimento popular de protesto

que saiu de casa para exigir, em massa nas praças, nas avenidas e nas

ruas, o regresso imediato das tropas à frente de batalha. Indiferentes,

impassíveis perante os gravíssimos problemas com que a pátria de

aquém se debatia, a braços com a sua quádrupla crise, demográfica,

social, política e económica, os países de além tinham finalmente

deixado cair a máscara e mostravam-se à luz do dia como seu

verdadeiro rosto, o de duros conquistadores e implacáveis imperia-

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listas. o que eles têm é inveja de nós, dizia-se nas lojas e nos lares,

ouvia-se na rádio e na televisão, lia-se nos jornais, o que eles têm é

inveja de que na nossa pátria não se morra, por isso nos querem invadir

e ocupar o temtório para não morrerem também. Em dois dias, a

marchas forçadas e de bandeiras ao vento, cantando canções patrióticas

como a marselhesa , o ça ira , a maria da fonte , o hino da carta , o não verás

país nenhum, a banniera rossa , a portuguesa, o god save the king, a

internacional, o deutschland über alles , o chant du marais, as stars and

stripes , os soldados voltaram aos postos de onde tinham vindo, e aí,

armados até aos dentes, aguardaram a pé firme o ataque e a glória. Não

houve. Nem a glória, nem o ataque. Pouco de conquistas e ainda menos

de impérios, o que os ditos países limítrofes pretendiam era tão-

somente que não lhes fossem lá enterrar sem autorização esta nova

espécie de imigrantes forçados, e, ainda se lá fossem só para enterrar, vá

que não vá, mas iam igualmente para matar, assassinar, eliminar,

apagar, porquanto era naquele exacto e fatídico momento em que, de

pés para a frente para que a cabeça pudesse dar-se conta do que estava

a passar-se com o resto do corpo, atravessavam a fronteira, que os

infelizes se finavam, soltavam o último suspiro. Postos estão frente a

frente os dois valerosos campos, mas também desta vez o sangue não

irá chegar ao rio. E olhem que não foi por vontade dos soldados do lado

de cá, porque esses tinham a certeza de que não morreriam mesmo que

uma rajada de metralhadora os cortasse ao meio. Ainda que por mais

do que legítima curiosidade científica devamos perguntar-nos como

poderiam sobreviver as duas partes separadas naqueles casos em que o

estômago ficasse para um lado e os intestinos para outro. seja como for,

só a um perfeito louco varrido lhe ocorreria a ideia de dar o primeiro

tiro. E esse, a deus graças, não chegou a ser disparado. Nem sequer a

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circunstância de alguns soldados do outro lado terem decidido desertar

para o eldorado em que não se morre teve outra consequência que

serem devolvidos imediatamente à origem, onde já um conselho de

guerra estava à sua espera. o facto que acabámos de referir é de todo

irrelevante para o decurso da trabalhosa história que vimos narrando e

dele não voltaremos a falar, mas, ainda assim, não quisemos deixá-lo

entregue à escuridão do tinteiro. o mais provável é que o conselho de

guerra resolva a priori não tomar em conta nas suas deliberações o

ingénuo anseio de vida eterna que desde sempre habita no coração

humano, Aonde é que isto iria parar se todos passássemos a viver

eternamente, sim, aonde é que isto iria parar, perguntará a acusação

usando de um golpe da mais baixa retórica, e a defesa, escusado será o

aditamento, não teve espírito para encontrar uma resposta à altura da

ocasião, ela também não tinha nenhuma ideia de aonde iria parar.

Espera-se que, ao menos, não venham a fuzilar os pobres diabos. Então

seria caso para dizer que haviam ido por lã e de lá vieram prontos para

a tosquia.

Mudemos de assunto. Falando das desconfianças dos sargentos e dos

seus aliados alferes e capitães sobre uma responsabilidade directa da

máphia no transporte dos padecentes para a fronteira, havíamos

adiantado que essas desconfianças se viram reforçadas por uns quantos

subsequentes sucessos. É o momento de revelar quais eles foram e como

se desenrolaram. A exemplo do que havia feito a família de pequenos

agricultores iniciadora do processo, o que a máphia tem feito é simples-

mente atravessar a fronteira e enterrar os mortos, cobrando por isto um

dinheirame. Com outra diferença, a de que o faz sem atender à beleza

dos sítios e sem se preocupar em apontar no canhenho da operação as

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referências topográficas e orográficas que no futuro pudessem auxiliar

os familiares chorosos e arrependidos da sua malfetria a encontrar a

sepultura e pedir perdão ao morto. ora, não será preciso ser-se dotado

de uma cabeça especialmente estratégica para compreender que os

exércitos alinhados no outro lado das três fronteiras tinham passado a

constituir um sério obstáculo a uma prática sepulcrária que decorrera

até aí na mais perfeita das seguranças.

Não seria a máphia o que é, se não tivesse encontrado a solução do

problema. É realmente uma lástima, permita-se-nos o comentário à

margem, que tão brilhantes inteligências como as que dirigem estas

organizações criminosas se tenham afastado dos rectos caminhos do

acatamento à lei e desobedecido ao sábio preceito bíblico que mandava

que ganhássemos o pão com o suor do nosso rosto, mas os factos são os

factos, e ainda que repetindo a palavra magoada do adamastor, oh, que

não sei de nojo como o conte, deixaremos aqui a compungida notícia do

ardil de que a máphia se serviu para obviar a uma dificuldade para a

qual, segundo todas as aparências, não se via nenhuma saída. Antes de

prosseguirmos convirá esclarecer que o termo nojo, posto pelo épico na

boca do infeliz gigante, significava então, e só, tristeza profunda, pena,

desgosto, mas, de há tempos a esta pane, o vulgar da gente considerou,

e muito bem, que se estava a perder ali uma estupenda palavra para

expressar sentimentos como sejam a repulsa, a repugnância, o asco, os

quais, como qualquer pessoa reconhecerá, nada têm que ver com os

enunciados acima. Com as palavras todo o cuidado é pouco, mudam de

opinião como as pessoas. Claro que o do ardil não foi encher, atar e pôr

ao fumeiro, o assunto teve de dar as suas voltas, meteu emissários com

bigodes postiços e chapéus de aba derrubada, telegramas cifrados,

diálogos através de linhas secretas, por telefone vermelho, encontros em

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encruzilhadas à meia-noite, bilhetes debaixo da pedra, tudo o de que

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