José Saramago - As Intermitências da Morte
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quatro seguintes vigilantes, se soubessem o que se está a passar aqui,
não lhe chamariam assim, E pensarmos nós que esses quatro vigilantes
poderão estar amanhã a trabalhar para a máphia, Assim é a vida, meu
caro titular do ministério dos vasos comunicantes, Do interior, senhor
primeiro-ministro, do interior, Esse é o depósito central.
Poder-se-ia pensar que, após tantas e tão vergonhosas cedências
como haviam sido as do governo durante o sobe-e-desce das transac-
ções com a máphia, indo ao extremo de consentir que humildes e
honestos funcionários públicos passassem a trabalhar a tempo inteiro
para a organização criminosa, poder-se-ia pensar, dizíamos, que já não
seriam possíveis maiores baixezas morais. Infelizmente, quando se
avança às cegas pelos pantanosos terrenos da realpolitik, quando o
pragmatismo toma conta da batuta e dirige o concerto sem atender ao
que está escrito na pauta, o mais certo é que a lógica imperativa do
aviltamento venha a demonstrar, afinal, que ainda havia uns quantos
degraus para descer. Através do ministério competente, o da defesa,
chamado da guerra em tempos mais sinceros, foram despachadas
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instruções para que as forças do exército que haviam sido colocadas ao
longo da fronteira se limitassem a vigiar as estradas principais, em
especial aquelas que dessem saída para os países vizinhos, deixando
entregues à sua bucólica paz as de segunda e terceira categoria, e
também, por maioria de razões, a miúda rede dos caminhos vicinais,
das veredas, das azinhagas, dos carreiros e dos atalhos. Como não
podia deixar de ser, isto significou o regresso a quartéis da maior parte
dessas forças, o que, se é verdade ter dado um alegrão à tropa rasa,
incluindo cabos e furriéis, fartos, todos eles, de sentinelas e rondas
diurnas e nocturnas, veio causar, muito pelo contrário, um declarado
descontentamento na classe de sargentos, pelos vistos mais conscientes
que o restante pessoal da importância dos valores de honra militar e de
serviço à pátria. No entanto, se o movimento capilar desse desgosto
pôde ascender até aos alferes, se depois perdeu um tanto do seu ímpeto
à altura dos tenentes, o certo é que tornou a ganhar força, e muita,
quando alcançou o nível dos capitães. Claro que nenhum deles se
atreveria a pronunciar em voz alta a perigosa palavra máphia, mas,
quando debatiam uns com os outros, não podiam evitar a lembrança de
como nos dias anteriores à desmobilização tinham sido interceptadas
numerosas furgonetas que transportavam enfermos terminais, as quais
levavam ao lado do condutor um vigilante oficialmente credenciado
que, antes mesmo que lho pedissem, exibia, com todos os necessários
timbres, assinaturas e carimbos apostos, um papel em que, por motivo
de interesse nacional, expressamente se autorizava a deslocação do
padecente fulano de tal a destino não especificado, mais se determi-
nando que as forças militares deveriam considerar-se obrigadas a
prestar toda a colaboração que lhes fosse solicitada, com vista a garantir
aos ocupantes de cada furgoneta a perfeita efectividade da operação de
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traslado. Nada disto poderia suscitar dúvidas no espírito dos dignos
sargentos se, pelo menos em sete casos, não se tivesse dado a estranha
casualidade de o vigilante haver piscado um olho ao soldado no preciso
momento em que lhe passava o documento para verificação. Conside-
rando a dispersão geográfica dos lugares em que estes episódios da
vida de campanha tinham ocorrido, foi imediatamente posta de parte a
hipótese de se tratar de um gesto, digamo-lo assim, equívoco, algo que
tivesse que ver com os manejos da mais primária sedução entre pessoas
do mesmo sexo ou de sexos diferentes, para o caso tanto fazia. o
nervosismo de que os vigilantes deram então claras mostras, uns mais
do que outros, é certo. mas todos de tal maneira que mais pareciam
estar a deitar uma garrafa ao mar com um papel lá dentro a pedir
socorro, foi o que levou a perspicaz corporação dos sargentos a pensar
que nas furgonetas iria escondido aquele sobre todos famoso gato que
sempre arranja modo de deixar a ponta do rabo de fora quando quer
que o descubram. Viera depois a inexplicável ordem de regresso aos
quartéis, logo uns zunzuns aqui e além, nascidos não se sabe como nem
onde, mas que alguns alvissareiros, em confidência, insinuavam poder
ser o próprio ministério do interior. os jornais da oposição fizeram-se
eco do mau ambiente que estaria a respirar-se nos quartéis, os jornais
afectos ao governo negaram veementemente que tais miasmas estives-
sem a envenenar o espírito de corpo das forças armadas, mas o certo é
que os rumores de que um golpe militar estaria em preparação, embora
ninguém soubesse explicar porquê e para quê, cresceram por toda a
parte e fizeram com que, de momento, tivesse passado a um segundo
plano de interesse público o problema dos enfermos que não morriam.
Não que ele estivesse esquecido, como o provava uma frase então posta
a circular e muito repetida pelos frequentadores dos cafés, Ao menos,
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dizia-se, mesmo que venha a haver um golpe militar, de uma cousa
poderemos estar certos, por mais tiros que derem uns nos outros não
conseguirão matar ninguém. Esperava-se a todo o momento um dramá-
tico apelo do rei à concórdia nacional, uma comunicação do governo
anunciando um pacote de medidas urgentes, uma declaração dos altos
comandos do exército e da aviação, porque, não havendo mar, marinha
também não havia, protestando fidelidade absoluta aos poderes legiti-
mamente constituídos, um manifesto dos escritores, uma tomada de
posição dos artistas, um concerto solidário, uma exposição de cartazes
revolucionários, uma greve geral promovida em conjunto pelas duas
centrais sindicais, uma pastoral dos bispos chamando à oração e ao
jejum, uma procissão de penitentes, uma distribuição maciça de
panfletos amarelos, azuis, verdes, vermelhos, brancos, chegou mesmo a
falar-se em convocar uma gigantesca manifestação na qual
participassem os milhares de pessoas de todas as idades e condições
que se encontravam em estado de morte suspensa, desfilando pelas
principais avenidas da capital em macas, carrinhos de mão, ambu-
lâncias ou às costas dos filhos mais robustos, com uma faixa enorme à
frente do cortejo, que diria, sacrificando nada menos que quatro
vírgulas à eficácia do dístico, Nós que tristes aqui vamos, a vós todos
felizes esperamos. Afinal, nada disto veio a ser necessário. É verdade
que as suspeitas de um envolvimento directo da máphia no transporte
de doentes não se dissiparam, é verdade que viriam mesmo a reforçar-
se à luz de alguns dos sucessos subsequentes, mas uma só hora iria
bastar para que a súbita ameaça do inimigo externo sossegasse as
disposições fratricidas e reunisse os três estados, clero, nobreza e povo,
ainda vigentes no país apesar do progresso das ideias, à volta do seu rei
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e, se bem que com certas justificadas reticências, do seu governo. o caso,
como quase sempre, conta-se em breves palavras.
Irritados pela contínua invasão dos seus territórios por comandos de
enterradores, maphiosos ou espontâneos, vindos daquela terra aberran-
te em que ninguém morria, e depois de não poucos protestos
diplomáticos que de nada serviram, os governos dos três países
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