José Saramago - As Intermitências da Morte

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Em segundo lugar, quando ao cabo de vários dias lhes ocorreu que

deviam telefonar foi somente para dizer que ainda não haviam chegado

a nenhuma conclusão sobre se a plataforma seria toleravelmente

conciliatória para eles, e, de passagem, assim como quem não quer a

cousa, aproveitaram a ocasião para informar que não tinham qualquer

responsabilidade no facto lamentável de no dia anterior terem sido

encontrados em péssimo estado de saúde mais quatro vigilantes. Em

terceiro lugar, graças a que toda a espera tem seu fim, feliz ou infeliz ele

seja, a resposta que acabou por ser comunicada ao governo pela

direcção nacional maphiosa, via director de serviço e hierarquia,

dividia-se em dois pontos, a saber, ponto a, o numerus clausus não seria

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de vinte e cinco por cento, mas de trinta e cinco, ponto b, sempre que o

considerasse conveniente para os seus interesses, e sem necessidade de

prévia consulta às autoridades e menos ainda consentimento, a

organização exigia que lhe fosse reconhecido o direito de transferir

vigilantes ao seu próprio serviço para lugares onde se encontrassem

vigilantes desactivados, sendo escusado dizer que aqueles iriam ocupar

os lugares destes. Era pegar ou largar. Vê alguma maneira de fugir a

esta disjuntiva, perguntou o chefe do governo ao ministro do interior,

Não creio sequer que ela exista, senhor, se recusarmos, calculo que

iremos ter quatro vigilantes inutilizados para o serviço e para a vida em

cada dia que passe, se aceitarmos, ficaremos nas mãos dessa gente deus

sabe por quanto tempo, Para sempre, ou ao menos enquanto houver

famílias que se queiram ver livres a qualquer preço dos empecilhos que

têm lá em casa, Isso acaba de dar-me uma ideia, Não sei se deva

alegrar-me, Tenho feito o melhor que posso, senhor primeiro-ministro,

se me tornei num empecilho de outro tipo só tem que dizer uma

palavra, Adiante, não seja tão susceptível, que ideia é essa, Creio,

senhor primeiro-ministro, que nos encontramos perante um claríssimo

exemplo de oferta e procura, E isso a que propósito vem, estamos a falar

de pessoas que neste momento só têm uma maneira de morrer, Tal

como na dúvida clássica de saber o que apareceu primeiro, se o ovo, se

a galinha, também nem sempre é possível distinguir se foi a procura

que precedeu a oferta ou se, pelo contrário, foi a oferta que pôs em

movimento a procura, Estou a ver que não seria de má política tirá-lo da

pasta do interior e passá-lo para a economia, Não são assim tão

diferentes, senhor primeiro-ministro, da mesma maneira que no interior

existe uma economia, existe também na economia um interior, são

vasos comunicantes, por assim dizer, Não divague, diga-me qual é a

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ideia, se àquela primeira família não lhe tivesse ocorrido que a solução

do problema podia estar à sua espera no outro lado da fronteira, talvez

a situação em que hoje nos encontramos fosse diferente, se muitas

famílias não lhe tivessem seguido o exemplo depois, a máphia não teria

aparecido a querer explorar um negócio que simplesmente não existiria,

Teoricamente assim é, ainda que, como sabemos, eles sejam capacíssi-

mos de espremer de uma pedra a água que lá não está e depois vendê-

la mais cara, de um modo ou outro continuo sem ver que ideia é essa

sua, É simples, senhor primeiro-ministro, oxalá o seja, Em poucas

palavras, estancar o caudal da oferta, E isso como se conseguiria,

Convencendo as famílias, em nome dos mais sagrados princípios de

humanidade, de amor ao próximo e de solidariedade, a ficar com os

seus enfermos terminais em casa, E como crê que poderá produzir esse

milagre, Estou a pensar numa grande campanha de publicidade em

todos os meios de difusão, imprensa, televisão e rádio, incluindo

desfiles de rua, sessões de esclarecimento, distribuição de panfletos e

autocolantes, teatro de rua e de sala, cinema, sobretudo dramas

sentimentais e desenhos animados, uma campanha capaz de emocionar

até às lágrimas, uma campanha que leve ao arrependimento os parentes

desencaminhados dos seus deveres e obrigações, que torne as pessoas

solidárias, abne-gadas, compassivas, estou convencido de que em

pouquíssimo tempo as famílias pecadoras se tornariam conscientes da

imperdoável crueza do seu actual comportamento e regressariam aos

valores transcendentes que ainda não há muito tempo eram os seus

mais sólidos alicerces, As minhas dúvidas aumentam a cada minuto,

agora pergunto-me se não deveria antes entregar-lhe a pasta da cultura,

ou a dos cultos, para a qual também lhe encontro certa vocação, ou

então, senhor primeiro-ministro, reunir as três pastas no mesmo

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ministério, E já agora também a de economia, sim, por aquilo dos vasos

comunicantes, Para o que não serviria, meu caro, seria para a

propaganda, essa ideia de uma campanha de publicidade que fizesse

regressar as famílias ao redil das almas sensíveis é um perfeito

disparate, Porquê, senhor primeiro-ministro, Porque, em realidade,

campanhas desse tipo só aproveitam a quem cobrou por elas, Temos

feito muitas, sim, com os resultados que se conhecem, além disso, para

tornar à questão que nos deve ocupar, ainda que a sua campanha viesse

a dar resultado, não seria nem para hoje nem para amanhã, e eu tenho

de tomar uma decisão agora mesmo, Aguardo as suas ordens, senhor

primeiro-ministro. o chefe do governo sorriu com desalento, Tudo isto é

ridículo, absurdo, disse, sabemos muito bem que não temos por onde

escolher e que as propostas que fizemos só serviram para agravar a

situação, sendo assim, sendo assim, e se não queremos carregar a

consciência com quatro vigilantes por dia empurrados à cacetada para o

portão de entrada da morte, não nos resta outro caminho que não seja

aceitar as condições que nos propuseram, Podíamos desencadear uma

operação policial relâmpago, uma captura fulminante, meter na cadeia

umas quantas dezenas de maphiosos, talvez conseguíssemos fazê-los

recuar, A única maneira de liquidar o dragão é cortar-lhe a cabeça,

aparar-lhe as unhas não serve de nada, Para algo serviria, Quatro

vigilantes por dia, recorde, senhor ministro do interior, quatro

vigilantes por dia, melhor é reconhecer que nos encontramos atados de

pés e mãos, A oposição vai atacar-nos com a maior violência, acusar-

nos-ão de ter vendido o país à máphia, Não dirão país, dirão pátria, Pior

ainda, Esperemos que a igreja nos queira dar uma ajuda, imagino que

deverão ser receptivos ao argumento de que, além de lhe fornecermos

uns quantos mortos úteis, foi para salvar vidas que tomámos esta

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decisão, Já não se pode dizer salvar vidas, senhor primeiro-ministro,

isso era antes, Tem razão, vai ser preciso inventar outra expressão.

Houve um silêncio. Depois o chefe do governo disse, Acabemos com

isto, dê as necessárias instruções ao seu director de serviço e comece a

trabalhar no plano de desactivação, também precisamos de saber quais

são as ideias da máphia sobre a distribuição territorial dos vinte e cinco

por cento de vigilantes que constituirão o numerus clausus, Trinta e

cinco por cento, senhor primeiro-ministro, Não lhe agradeço que me

tenha recordado que a nossa derrota ainda foi maior do que aquela que

desde o princípio já parecia inevitável, É um dia triste, As famílias dos

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