José Saramago - As Intermitências da Morte
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pesos mortos que os seus moribundos eram lá em casa. os meios de
comunicação que antes tinham vituperado energicamente as filhas e o
genro do velho enterrado com o neto, incluindo depois nessa
reprovação a tia solteira, acusada de cumplicidade e conivência,
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estigmatizavam agora a crueldade e a falta de patriotismo de pessoas
aparentemente decentes que nesta circunstância de gravíssima crise
nacional tinham deixado cair a máscara hipócrita por trás da qual
escondiam o seu verdadeiro carácter. Apertado pelos governos dos três
países limítrofes e pela oposição política interna, o chefe do governo
condenou a desumana acção, apelou ao respeito pela vida e anunciou
que as forças armadas tomariam imediatamente posições ao longo da
fronteira para impedir a passagem de qualquer cidadão em estado de
diminuição física terminal, quer fosse o intento de sua própria
iniciativa, quer determinado por arbitrária decisão de parentes. No
fundo, no fundo, mas disto, claro está, não ousou falar o primeiro-
ministro, o governo não via com tão maus olhos um êxodo que, em
última análise, serviria o interesse do país na medida em que ajudaria a
baixar uma pressão demográfica em aumento contínuo desde há três
meses, embora ainda longe de atingir níveis realmente inquietantes.
Também não disse o chefe do governo que nesse mesmo dia se havia
reunido discretamente com o ministro do interior a fim de planear a
colocação de vigilantes, ou espias, em todas as localidades do país,
cidades, vilas e aldeias, com a missão de comunicarem às autoridades
qualquer movimento suspeito de pessoas afins a padecentes em
situação de morte suspensa. A decisão de intervir ou não intervir seria
ponderada caso por caso, uma vez que não era objectivo do governo
travar totalmente este surto migratório de novo tipo, mas sim dar uma
satisfação parcial às preocupações dos governos dos países com
fronteiras comuns, o suficiente para calarem por um tempo as
reclamações. Não estamos aqui para fazer o que eles querem, disse com
autoridade o primeiro-ministro, Ainda vão ficar fora do plano os
pequenos casarios, as herdades, as casas isoladas, notou o ministro do
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interior, A esses vamos deixá-los à vontade, que façam o que
entenderem, bem sabe, meu caro ministro, por experiência, que é
impossível colocar um polícia ao pé de cada pessoa.
Durante duas semanas o plano funcionou mais ou menos na
perfeição, mas, a partir daí, uns quantos vigilantes começaram a
queixar-se de que estavam a receber ameaças pelo telefone, cominando-
os, se queriam viver uma vida tranquila, a fazerem vista grossa ao
tráfico clandestino de padecentes terminais, e mesmo a fechar os olhos
por completo se não queriam aumentar com o seu próprio corpo a
quantidade das pessoas de cuja observação haviam sido encarregados.
Não eram palavras vãs, como logo se viu quando as famílias de quatro
vigilantes foram avisadas por telefonemas anónimos de que deveriam ir
recolhê-los em sítios determinados. Tal como se encontravam, isto é,
não mortos, mas também não vivos. Perante a gravidade da situação, o
ministro do interior decidiu mostrar o seu poder ao desconhecido
inimigo, ordenando, por um lado, que os espias intensificassem a acção
investigadora, e, por outro lado, cancelando o sistema de conta-gotas,
este sim, este não, que vinha sendo aplicado de acordo com a táctica do
primeiro-ministro. A resposta foi imediata, outros quatro vigilantes
sofreram a triste sorte dos anteriores, mas, neste caso, não houve mais
que uma chamada telefónica, dirigida ao próprio ministério do interior,
o que poderia ser interpretado como uma provocação, mas igualmente
como uma acção determinada pela pura lógica, como quem diz Nós
existimos. A mensagem, porém, não ficou por aqui, trazia anexa uma
proposta construtiva, Estabeleçamos um acordo de cavalheiros, disse a
voz do outro lado, o ministério manda retirar os vigilantes e nós
encarregamo-nos de transportar discretamente os padecentes, Quem
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são vocês, perguntou o director de serviço que atendera a chamada,
Apenas um grupo de pessoas amantes da ordem e da disciplina, gente
altamente competente na sua especialidade, que detesta confusões e
cumpre sempre o que promete, gente honesta, enfim, E esse grupo tem
nome, quis saber o funcionário, Há quem nos chame máphia, com ph,
Porquê com ph, Para nos distinguirmos da outra, da clássica, o estado
não faz acordos com máfias, Em papéis com assinaturas reconhecidas
por notário, certamente que não, Nem esses nem outros, Que cargo é o
seu, sou director de serviço, Quer dizer, alguém que não conhece nada
da vida real, Tenho as minhas responsabilidades, A única que nos
interessa neste momento é que faça chegar a proposta a quem de
direito, ao ministro, se a ele tem acesso, Não tenho acesso ao senhor
ministro, mas esta conversação será imediatamente transmitida à
hierarquia, o governo terá quarenta e oito horas para estudar a
proposta, nem um minuto mais, mas previna já a sua hierarquia de que
haverá novos vigilantes em coma se a resposta não for a que esperamos,
Assim farei, Depois de amanhã, a esta mesma hora, voltarei a telefonar
para conhecer a decisão. Tomei nota, Foi um prazer falar consigo, Não
poderei eu dizer o mesmo, Estou certo de que começará a mudar de
opinião quando souber que os vigilantes regressaram sãos e salvos a
suas casas, se ainda não se esqueceu das orações da sua infância, vá
rezando para que isso aconteça, Compreendo, sabia que compreenderia,
Assim é, Quarenta e oito horas, nem um minuto a mais, Com certeza
não serei eu a atendê-lo, Pois eu tenho a certeza de que sim, Porquê,
Porque o ministro não quererá falar directamente comigo, além disso, se
as cousas correrem mal será você a carregar com as culpas, lembre-se de
que o que propomos é um acordo de cavalheiros, sim senhor, Boas
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tardes, Boas tardes. O director de serviço retirou a fita magnética do
gravador e foi falar com a hierarquia.
Meia hora depois a cassete estava nas mãos do ministro do interior.
Este ouviu, tornou a ouvir, ouviu terceira vez, depois perguntou, Esse
seu director de serviço é pessoa de confiança, Até hoje não tive a menor
razão de queixa, respondeu a hierarquia, Também nem a maior, espero,
Nem a maior nem a menor, disse a hierarquia, que não tinha percebido
a ironia. o ministro retirou a cassete do gravador e pôs-se a desenrolar a
fita. Quando terminou, juntou-a num grande cinzeiro de cristal e
chegou-lhe a chama do isqueiro. A fita começou a enrugar-se, a
encarquilhar-se, e em menos de um minuto estava transformada num
enredado enegrecido, quebradiço e informe. Eles também devem ter
gravado o diálogo com o director de serviço, disse a hierarquia, Não
importa, qualquer poderia simular uma conversação ao telefone, para
isso bastavam duas vozes e um gravador, o que contava, aqui, era
destruir a nossa fita, queimado o original ficaram de antemão
queimadas todas as cópias que a partir dele se poderiam vir a fazer,
Não necessita que lhe diga que a operadora telefónica conserva os
registos, Providenciaremos para que esses desapareçam também, sim
senhor, agora, se me permite, retiro-me, deixo-o a pensar no assunto, Já
está pensado, não se vá embora, Realmente não me surpreende, o
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