José Saramago - As Intermitências da Morte
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senhor ministro goza do privilégio de ter um pensamento agilíssimo, o
que acaba de dizer seria uma lisonja se não fosse realidade, é verdade,
penso com rapidez, Vai aceitar a proposta, Vou fazer uma contra-
proposta, Temo que eles não a aceitem, os termos em que o emissário
falou, além de peremptórios, eram mais do que ameaçadores, haverá
novos vigilantes em coma se a resposta não vier a ser a que esperamos,
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estas foram as palavras, Meu caro, a resposta que vamos dar-lhes é
precisamente a que esperam, Não compreendo, Meu caro, o seu
problema, digo-o sem ânimo de ofender, é não ser capaz de pensar
como um ministro, Culpa minha, lamento, Não lamente, se alguma vez
o chamarem a servir o país em funções ministeriais perceberá que o
cérebro lhe dará uma volta no preciso momento em que se sentar numa
cadeira como esta, nem imagina a diferença, Também não ganharia
nada em criar fantasias, sou um funcionário, Conhece o ditado antigo,
nunca digas desta água não beberei, Agora mesmo tem aí o senhor
ministro uma água bastante amarga para beber, disse a hierarquia
apontando os restos da fita queimada, Quando se segue uma estratégia
bem definida e se conhecem com suficiência os dados da questão, não é
difícil traçar uma linha de acção segura, sou todo ouvidos, senhor
ministro, Depois de amanhã, o seu director de serviço, uma vez que
será ele quem irá responder ao emissário, é ele o negociador por parte
do ministério, e ninguém mais, dirá que concordámos em examinar a
proposta que nos fizeram, mas imediatamente adiantará que a opinião
pública e a oposição ao governo jamais permitiriam que esses milhares
de vigilantes fossem retirados da sua missão sem uma explicação
aceitável, E está claro que a explicação aceitável não poderia ser que a
máphia passou a tomar conta do negócio, Assim é, embora o mesmo
pudesse ter sido dito em termos mais escolhidos, Desculpe, senhor
ministro, saiu-me sem pensar, Bem, chegados a este ponto, o director de
serviço apresentará a contraproposta, a que também poderemos chamar
sugestão alternativa, isto é, os vigilantes não serão retirados, permane-
cerão nos lugares onde agora se encontram, mas desactivados,
Desactivados, sim, creio que a palavra é bastante clara, sem dúvida,
senhor ministro, apenas manifestei a minha surpresa, Não vejo de quê,
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é a única maneira que temos de não parecer que cedemos à chantagem
desse bando de patifes, Ainda que em realidade tenhamos cedido, o
importante é que não pareça, que mantenhamos a fachada, o que
acontecer por trás dela já não será da nossa responsabilidade, Por
exemplo, Imaginemos que interceptamos agora um transporte e pren-
demos os tipos, não é preciso dizer que esses riscos já estavam incluídos
na factura que os parentes tiveram de pagar, Não haverá factura nem
recibo, a máphia não paga impostos, É uma maneira de falar, o que
interessa neste caso é o facto de que todos acabaremos ganhando, nós,
que nos tiramos um peso de cima, os vigilantes, que não voltarão a ser
lesados na sua integridade física, as famílias, que descansarão sabendo
que os seus mortos-vivos se converteram finalmente em vivos-mortos, e
a máphia, que cobrará pelo trabalho, um arranjo perfeito, senhor
ministro, Que aliás conta com a fortíssima garantia de que ninguém
estará interessado em abrir a boca, Creio que tem razão, Talvez, meu
caro, o seu ministro lhe esteja parecendo demasiado cínico, De modo
algum, senhor ministro, só admiro a rapidez com que conseguiu pôr
tudo isso de pé, tão firme, tão lógico, tão coerente, A experiência, meu
caro, a experiência, Vou falar com o director de serviço, transmitir-lhe
as suas instruções, estou convencido de que dará boa conta do recado,
tal como eu tinha dito antes, nunca me deu a menor razão de queixa,
Nem a maior, creio, Nem nenhumas destas nem nenhumas daquelas,
respondeu a hierarquia, que tinha compreendido enfim a finura do
jocoso toque.
Tudo, ou quase tudo, para sermos mais precisos, se passou como o
ministro havia previsto. Exactamente à hora marcada, nem um minuto
antes, nem um minuto depois, o emissário da associação de delin-
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quentes que a si mesma se denomina máphia telefonou para ouvir o
que o ministério tinha para dizer. o director de serviço desobrigou-se
com nota alta da incumbência que lhe havia sido adjudicada, foi firme e
claro, persuasivo na questão fundamental, isto é, os vigilantes permane-
ceriam nos seus lugares, porém desactivados, e teve a satisfação de
receber em troca, e logo transmitir à hierarquia, a melhor das respostas
possíveis na actual circunstância, a de que a sugestão alternativa do
governo iria ser atentamente examinada e de que passadas vinte e
quatro horas seria feita outra chamada. Assim sucedeu. Do exame tinha
resultado que a proposta do governo poderia ser aceite, mas com uma
condição, a de que só deveriam ser desactivados os vigilantes que se
mantivessem leais ao governo, ou, por outras palavras, aqueles a quem
a máphia, simplesmente, não tivesse convencido a colaborar com o
novo patrão, isto é, ela própria. Façamos um esforço para entender o
ponto de vista dos criminosos. Colocados perante uma complexa
operação de longa duração e à escala nacional, e tendo de empregar
uma boa parte do seu mais experimentado pessoal nas visitas às
famílias que em princípio estariam inclinadas a desfazer-se dos seus
entes queridos para louvavelmente os poupar a sofrimentos não só
inúteis, como eternos, estava mui claro que lhes conviria, na medida do
possível, e utilizando para tal as suas armas preferidas, corrupção,
suborno, intimidação, aproveitar os serviços da gigantesca rede de
informadores já montada pelo governo. Foi contra esta pedra de súbito
atirada ao meio do caminho que a estratégia do ministro do interior
esbarrou com grave dano para a dignidade do estado e do governo.
Entalado entre a espada e a parede, entre sila e caribdes, entre a cruz e a
caldeirinha, correu a consultar o primeiro-ministro sobre o inesperado
nó górdio surgido. o pior de tudo era que as cousas haviam ido
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demasiado longe para que se pudesse agora voltar atrás. o chefe do
governo, apesar de mais experiente que o ministro do interior, não
encontrou melhor saída para a dificuldade que propor uma nova
negociação, agora com o estabelecimento de uma espécie de numerus
clausus, qualquer cousa como o máximo de vinte e cinco por cento do
número total de vigilantes em actividade que passariam a trabalhar
para a outra parte. Mais uma vez viria a caber ao director de serviço
transmitir a um interlocutor já impaciente a plataforma conciliatória
com a qual, forçados pela sua própria ansiedade a acalentar esperanças,
o chefe do governo e o ministro do interior acreditavam que o acordo
viria a ser finalmente homologado. sem assinaturas, uma vez que se
tratava de um acordo de cavalheiros, desses em que é suficiente o
simples empenho da palavra, prescindindo, como nos explica o
dicionário, de formalidades legais. Era não fazer a menor ideia do
retorcido e maligno que é o espírito dos maphiosos. Em primeiro lugar,
não marcaram um prazo para a resposta, deixando sobre áscuas o pobre
do ministro do interior, já resignado a entregar a sua carta de demissão.
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