José Saramago - As Intermitências da Morte
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certa seremos acusados de fazer enterros clandestinos, fora do cemitério
e sem conhecimento das autoridades, e ainda por cima noutro país,
oxalá não comecem nenhuma guerra por causa disto, disse a tia.
Era quase meia-noite quando saíram a caminho da fronteira. Como
se suspeitasse de que algo de estranho estaria a tramar-se, a aldeia havia
tardado mais do que o costume a recolher aos lençóis. Por fim, o
silêncio tomou conta das ruas e as luzes das casas foram-se apagando
uma a uma. Amula foi atrelada à carroça, depois, com muito esforço,
apesar do pouco que pesava, o genro e as duas filhas fizeram descer o
avô, tranquilizaram-no quando ele, em voz sumida, perguntou se
levavam a pá e a enxada, Levamos, sim, esteja descansado, e logo a mãe
da criança subiu, tomou-a ao colo, disse Adeus meu filho que não te
torno a ver, e isto não era verdade, porque ela também iria na carroça
com a irmã e o cunhado, posto que três não seriam de mais para a
tarefa. A tia solteira não quis despedir-se dos viajantes que não
regressariam e fechou-se no quarto com os sobrinhos. Como os aros
metálicos das rodas da carroça causariam estrépito no empedrado
irregular da calçada, com grave risco de fazerem aparecer à janela os
moradores curiosos de saber aonde iriam os vizinhos àquela hora,
deram um rodeio por caminhos de terra até que chegaram finalmente à
estrada, fora da povoação. Não estavam muito longe da fronteira, mas o
pior era que a estrada não os levaria lá, em certa altura teriam de a
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deixar e continuar por atalhos onde a carroça mal caberia, sem falar que
o último troço tinha de ser feito a pé, por assim dizer a corta-mato,
carregando com o avô sabe deus como. Felizmente o genro conhece
bem aquelas paragens porque, além de as ter calcorreado como caçador,
também, uma vez por outra, nelas havia exercido de contrabandista
amador. Tardaram quase duas horas a chegar ao ponto onde teriam de
deixar a carroça, e foi aí que o genro teve a ideia de levarem o avô em
cima da mula, fiado na firmeza dos jarretes do animal. Desatrelaram a
besta, aliviaram-na dos arreios supérfluos, e, com muito trabalho,
trataram de içar o velho. As duas mulheres choravam Ai o meu querido
pai, Ai o meu querido pai, e com as lágrimas ia-se-lhes a pouca força
que ainda lhes restava. o pobre homem estava meio inconsciente, como
se fosse já atravessando o primeiro umbral da morte. Não conseguimos,
exclamou com desespero o genro, mas de súbito lembrou-se de que a
solução seria montar primeiro ele próprio e puxá-lo depois para a cruz
da mula, à sua frente, Levo-o abraçado, não há outra maneira, vocês
ajudem daí. A mãe do menino foi à carroça ajeitar a pequena manta que
o cobria, não fosse o pobrezinho colher frio, e voltou para ajudar a irmã,
A uma, às duas, às três, disseram, mas foi como se nada, agora o corpo
pesava que parecia chumbo, não puderam fazer mais que soerguê-lo do
chão. Então deu-se uma cousa nunca vista, uma espécie de milagre, um
prodígio, uma maravilha. Como se por um instante a lei da gravidade
se tivesse suspendido ou passado a exercer-se ao contrário, de baixo
para cima, o avô escapou-se suavemente das mãos das filhas e, por si
mesmo, levitando, subiu para os braços estendidos do genro. o céu, que
desde o princípio da noite havia estado coberto de pesadas nuvens que
ameaçavam chuva, abriu-se e deixou aparecer a lua. Já podemos seguir,
disse o genro, falando para a mulher, tu conduzes a mula. A mãe do
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menino abriu um pouco a manta para ver como estava o filho. As
pálpebras, cerradas, eram como duas pequenas manchas pálidas, o
rosto um desenho confuso. Então ela soltou um grito que varreu todo o
espaço ao redor e fez estremecer nas suas covas os bichos do mato, Não,
não serei eu quem leve o meu filho ao outro lado, não o trouxe à vida
para entregá-lo à morte por minhas próprias mãos, levem o pai, eu fico
aqui. A irmã veio para ela e perguntou-lhe, Preferes assistir, um ano
atrás de outro, à sua agonia, Tens três filhos com saúde, falas de farta, o
teu filho é como se fosse meu, se é assim, leva-o tu, eu não posso, E eu
não devo, seria matá-lo, Qual é a diferença, Não é o mesmo levar à
morte e matar, pelo menos neste caso, tu és a mãe desse menino, não eu,
serias capaz de levar um dos teus filhos, ou todos eles, Penso que sim,
mas não o poderei jurar, Então a razão tenho-a eu, se é assim que
queres, espera-nos, nós vamos levar o pai. A irmã afastou-se, agarrou a
mula pela brida e perguntou, Vamos, o marido respondeu, Vamos, mas
devagar, não quero que se me caia. Alua, cheia, brilhava. Em algum
lugar, adiante, encontrava-se a fronteira, essa linha que só nos mapas é
visível. Como iremos saber que chegamos, perguntou a mulher, o pai o
saberá. Ela compreendeu e não fez mais perguntas. Continuaram a
andar, ainda cem metros, ainda dez passos, e de súbito o homem disse,
Chegamos, Acabou, sim. Atrás deles uma voz repetiu, Acabou. A mãe
do menino amparava pela última vez o filho morto no regaço do seu
braço esquerdo, a mão direita segurava ao ombro a pá e a enxada de
que os outros se tinham esquecido. Andemos um pouco mais, até
àquele freixo, disse o cunhado. Ao longe, numa encosta, distinguiam-se
as luzes de uma povoação. Pelo pisar da mula percebia-se que a terra se
tornara macia, deveria ser fácil de cavar. Este sítio parece-me bom, disse
por fim o homem, a árvore servir-nos-á de sinal para quando viermos
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trazer-lhes umas flores. A mãe do menino deixou cair a enxada e a pá e,
suavemente, deitou o filho no chão. Depois, as duas irmãs, com mil
cautelas para que não resvalasse, receberam o corpo do pai e, sem
esperarem a ajuda do homem que já descia da mula, foram colocá-lo ao
lado do neto. A mãe do menino soluçava, repetia monotonamente, Meu
filho, meu pai, e a irmã veio e abraçou-se a ela, chorando também e
dizendo, Foi melhor assim, foi melhor assim, a vida destes infelizes já
não era vida. Ajoelharam-se ambas no chão a prantear os mortos que
tinham vindo a enganar a morte. o homem já manejava a enxada,
cavava, retirava com a pá a terra solta, e logo voltava a cavar. Para
baixo a terra era mais dura, mais compacta, algo pedregosa, só ao cabo
de meia hora de trabalho contínuo a cova ganhou profundidade
suficiente. Não havia caixão nem mortalha, os corpos descansariam
sobre a terra estreme, somente com as roupas que traziam postas.
unindo as forças, o homem e as duas mulheres, ele dentro da cova, elas
fora, uma de cada lado, fizeram descer devagar o corpo do velho, elas
sustentando-o pelos braços abertos em cruz, ele amparando-o até que
tocou o fundo. As mulheres não paravam de chorar, o homem tinha os
olhos secos, mas todo ele tremia, como se estivesse atacado de sezões.
Ainda faltava o pior. Entre lágrimas e gemidos, o menino foi descido,
arrumado ao lado do avô, mas ali não estava bem, um vultozinho
pequeno, insignificante, uma vida sem importância, deixado à parte
como se não pertencesse à família. Então o homem curvou-se, tomou a
criança do chão, deitou-a de bruços sobre o peito do avô, depois os
braços deste foram cruzados sobre o corpinho minúsculo, agora sim, já
estão acomodados, prepa-rados para o seu descanso, podemos começar
a lançar-lhes a terra para cima, com jeito, pouco a pouco, para que ainda
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