Alberto Moravia - A Romana

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A Romana: краткое содержание, описание и аннотация

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Um livro de Alberto Moravia, escrito durante a Segunda Grande Guerra, que se centra na vida simples e aparentemente desinteressante de Adriana, uma jovem habitante de Roma. Traída pelo seu primeiro amor, a romana entrega-se à prostituição como quem se entrega a uma vocação. Numa trajetória de inúmeros amantes, três homens se destacam: um jovem revolucionário, um criminoso foragido e um alto funcionário do governo facista, a romana interliga o destino desses homens, quem têm um final dramático e inesperado. No romance de Moravia o sexo tem um valor sobretudo simbólico.

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Pareceu ficar admirado mas não protestou. Agarrei-lhe no pé direito, coloquei-o no meu colo, fiz um nó duplo no atacador do sapato direito e a mesma coisa no do esquerdo. Nem me agradeceu, nem nada me disse; provavelmente éramos dois no quarto a não compreender porque tinha eu feito aquilo. Enfiou o casaco, tirou a carteira do bolso e fez menção de me dar dinheiro.

— Não, não! — disse com involuntário nervosismo na voz. — Não, não… não me dês coisa alguma… não é preciso…

— Porque? O meu dinheiro não é igual ao dos outros? — perguntou-me com uma voz onde se notava já ira.

Pareceu-me bizarro que não compreendesse a minha repugnância por esse dinheiro, tirado talvez do bolso ainda quente do morto. Mas talvez o compreendesse e quisesse comprometer-me por uma espécie de cumplicidade, ao mesmo tempo que punha à prova os meus verdadeiros sentimentos por ele.

— Não é isso… — objectei —, eu… eu… mas eu não pensava em dinheiro quando te chamei… Deixa estar…

Pareceu acalmar-se.

— Está bem! — disse. — Mais vais aceitar uma recordação. Tirou do bolso um objecto que colocou sobre o mármore da mesa-de-cabeceira.

Olhei o objecto sem lhe pegar e reconheci a caixa de pó de arroz de ouro, roubada por mim alguns meses antes na casa da patroa de Gino.

— Que é isto? — balbuciei.

— Foi o Gino quem ma deu… era o objecto que eu devia vender… aquele indivíduo queria-o de graça… mas eu creio que tem um certo valor: é de ouro.

Dominei-me e disse:

— Obrigada.

— De nada — respondeu.

Tinha vestido o impermeável e apertava o cinto.

— Então até qualquer dia! — disse-me da porta.

Passado um momento, ouvi ao fundo da antecâmara a porta fechar-se.

Só, aproximei-me da mesa-de-cabeceira e peguei na caixinha. Sentia-me embaraçada e tomou-me um sombrio espanto. A caixa brilhava na minha mão, e o rubi redondo e vermelho encaixado no fecho pareceu alargar-se na minha mão e cobrir o ouro. Tinha na mão uma mancha de sangue redonda e brilhante que pesava tanto como o objecto. Sacudi a cabeça; a mancha desapareceu; tornei a ver a caixa de ouro com um fecho de rubi. Então pousei-a sobre a mesa-de-cabeceira, estendi-me na cama, com o corpo enrolado no penteador, apaguei a luz e reflecti.

Pensava que se me tivessem contado a história da caixa eu teria rido como se ri de um caso extraordinário e quase inacreditável. Era uma daquelas histórias que obrigam a exclamar: “Ora vejam lá a coincidência!” e em seguida as boas mulheres do tipo da minha mãe tiram daí indicações para o número da lotaria: a morte é um número, o ouro outro; o gatuno, outro. Mas desta vez fora comigo que a história acontecera; e reparava com grande admiração na diferença que havia em estar fora ou dentro das coisas. Com efeito, acontecera-me aquilo que acontece a alguém que, tendo enterrado um grão, o encontra muito tempo depois transformado em planta vigorosa, cheia de folhas e coberta de botões prestes a abrir. Mas que semente, que planta e que botões! Ia de uma coisa para a outra sem chegar ao começo. Tinha-me entregue a Gino porque esperava que casasse comigo, mas tinha-me enganado e eu por raiva furtara a caixa. Depois revelara-lhe o roubo, ele assustara-se e, para evitar que fosse acusado, tinha-lhe devolvido o objecto para que ele o entregasse à patroa. Mas em vez de o restituir, guardara-o e, julgando que o acusavam de roubo, tinha feito com que prendessem a criada de quarto, a qual estava inocente, e na prisão batiam-lhe! Entretanto Gino dera a caixa a Sonzogne para que a vendesse e Sonzogne fora a casa do ourives para o efeito, e este tinha irritado Sonzogne e Sonzogne, enfurecido, tinha-o morto, e logo que o ourives morreu Sonzogne tornou-se um assassino! Compreendia que não podia inculpar-me, mas ao mesmo tempo pensava que a causa principal de todas estas desgraças tinha sido o meu desejo de me casar e de constituir família, mas ao mesmo tempo não conseguia eximir-me a um sentimento de remorso e de consternação. Enfim, à força de reflectir cheguei à conclusão de que no fim de contas a culpa de tudo recaía inteira sobre as minhas pernas, o meu seio, as minhas ancas, em resumo, na minha beleza, de que minha mãe tanto se orgulhava, e que no fundo nada tinha de me acusar porque todas as coisas vinham da natureza. Mas se nisso pensava, era por irritação e desespero, como se pensa numa coisa absurda para desculpar outras cem vezes mais absurdas. Sabia em consciência que ninguém era culpado, que tudo era como tinha de ser, embora tudo fosse insuportável, e que se realmente se pretendia que houvesse alguma culpa ou alguma inocência, então todo o mundo era ao mesmo tempo inocente e culpado.

Entretanto, lentamente a escuridão entrava em mim como a água de uma inundação subindo do rés-do-chão aos andares superiores de uma casa. A primeira coisa a ser submersa foi seguramente a minha faculdade de julgamento. Até ao fim a minha imaginação fascinada saciou-se do crime de Sonzogne, mas isenta de toda a reprovação e de todo o horror, como de um acto incompreensível, e por conseguinte, no seu gênero, estranhamente atraente. Julguei ver Sonzogne caminhar pela Rua Palestro, as mãos nos bolsos do impermeável, depois entrar na casa e esperar de pé na pequena sala do ourives. Julguei ver o ourives entrar e apertar a mão a Sonzogne. Estava atrás da secretária. Sonzogne estendeu-lhe a caixa, que ele examinou com abanadelas de cabeça destinadas a indicar o seu desprezo. Depois levantava a sua cara de coelho e oferecia uma cifra irrisória. Sonzogne olhava-o fixamente, com olhos já cheios de ira, e arrancava-lhe violentamente o objecto das mãos. Depois acusava-o de ladrão e usurário. O outro ameaçava-o de o denunciar e intimava-o a ir-se embora. Depois voltava-se ou baixava-se como quem não quer discutir mais. Sonzogne agarrava o pisa-papéis de bronze e batia-lhe com ele na cabeça uma primeira vez. O outro tentava fugir e então Sonzogne saltava de novo sobre ele é atingia-o com novas pancadas até sentir que o tinha morto. Depois Sonzogne atirava-o ao chão, abria as gavetas, apoderava-se do dinheiro e fugia. Mas antes de sair, tinha eu lido no jornal, num novo acesso de fúria, dera um pontapé na cara do morto estendido no chão.

Demorava-me apaixonadamente sobre todos os pormenores do crime. Seguia Sonzogne como se acariciasse os seus gestos; era a sua mão que estendia a caixa, que empunhava o pisa-papéis, que feria o ourives; era o seu pé furioso que acabava por bater na cara do morto. Nenhum horror entrava nesta representação, o menor, como já disse, mas também qualquer aprovação. Experimentava o mesmo deleite singular que me provocavam, quando era pequena, os contos de minha mãe: está-se no quente, encolhida contra sua mãe e a imaginação segue com embriaguez maravilhada as aventuras das personagens do conto. Somente, o meu conto era sombrio e sangrento, o herói era Sonzogne e o meu encantamento misturava-se a uma impotente e melancólica tristeza. Como se quisesse tirar o sentido do conto, recomeçava, revia ainda as fases do crime, sentindo de novo um obscuro prazer e encontrava-me de novo em face do mistério. Como um homem que salta de um lado para o outro de um precipício mede mal o salto e cai no vácuo, no decurso de uma destas lucubrações adormeci.

Dormi talvez duas horas e acordei; ou, melhor, o meu corpo começou a acordar enquanto o meu espírito, mergulhado numa espécie de torpor, continuava adormecido. Foi com as mãos que comecei a acordar; estendia-as nas trevas como as de um cego, sem conseguir reconhecer o sítio onde estava. Adormecera estendida sobre a cama e agora estava de pé, num lugar estreito, entre muralhas verticais, herméticas e lisas. Veio-me imediatamente à ideia uma cela de prisão; e ao mesmo tempo a recordação da criada de quarto que Gino havia feito prender injustamente. Eu era a criada de quarto e a minha alma padecia toda a dor física da injustiça sofrida. Esta dor dava-me a sensação física de não ser já eu, mas a criada de quarto; sentia que esta dor me transformava, me fechava no corpo desta mulher, me impunha a sua cara, me obrigava aos seus gestos. Levei as mãos à cara, chorava, pensava que me tinham fechado injustamente numa cela e que me era impossível sair de lá. Mas ao mesmo tempo sentia que era ainda a Adriana a quem não tinham feito qualquer injustiça e que não tinha sido aprisionada. E compreendi que me bastaria um gesto para me libertar e deixar de ser a criada de quarto. No entanto, não conseguia adivinhar qual seria esse gesto, sofrendo e desejando desesperadamente sair da minha prisão de angústia e de piedade. Depois, de repente, rodeada desta mesma luz, feita de espasmos e de trevas, que nos deslumbra quando recebemos uma pancada violenta, o nome de Astárito resplandeceu no meu espírito. “Irei ter com Astárito e pedirei que a liberte!”, pensava eu. Estendi de novo as mãos e descobri ao mesmo tempo que as paredes da minha cela se tinham separado, deixando uma estreita abertura vertical por onde eu podia escapar-me. Dei alguns passos às escuras, os meus dedos encontraram o interruptor. Acendi a luz com uma febre histérica. O quarto iluminou-se. Estava ao pé da porta, nua, anelante, o corpo e a cara molhados de suor frio e abundante. A cela na qual me parecera estar encerrada não era senão o espaço compreendido entre o armário, o canto do quarto e a cómoda: espaço restrito que efectivamente as paredes e os dois móveis quase fechavam. Durante o sono levantara-me, e tinha-me encurralado ali.

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