Alberto Moravia - A Romana
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- Название:A Romana
- Автор:
- Издательство:Abril Cultural
- Жанр:
- Год:1972
- Город:São Paulo
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Acordei deste sonho com o ruído da porta que se abria. Minha mãe acendeu a luz e perguntou-me:
— Que fazes aí às escuras?
Deslumbrada pela luz, levantei-me e olhei-a. Tinha mudado de facto; reparei logo. Não tinha chapéu, porque nunca o usara, mas vestira um vestido preto de feitio complicado. Sobraçava uma grande mala de couro preto com fechos de metal amarelo e trazia ao pescoço uma pele de gato bravo. Molhara os seus cabelos cinzentos e penteara-os com cuidado, prendendo-os num rolo na nuca com numerosos ganchos. Até tinha passado um pouco de pó de arroz rosado sobre as faces, dantes áridas e magras e agora cheias e coradas. Sem querer, sorri por vê-la tão aperaltada e tão solene. E foi no meu tom afectuoso de sempre que lhe disse:
— Vamos!
Sabia que ela gostava de passear à hora de maior movimento pelas ruas principais, que tinham as lojas mais bonitas da cidade. Assim, tomamos um eléctrico e descemos a Rua Nacional. Minha mãe costumava levar-me a passear nessas ruas quando eu era garota. Começava na Praça do Hexaedro pelo passeio da direita. Lentamente, examinando as montras uma por uma com atenção, chegava à Praça de Veneza. Ali, sempre observando tudo com minúcia e puxando-me pela mão, passava para o outro passeio e voltava para a Praça do Hexaedro. Então, sem ter comprado um alfinete nem se ter atrevido a pôr pé num dos numerosos cafés da rua, trazia-me para casa, sonolenta e cansada. Lembrava-me de que esses passeios não me agradavam, porque, ao contrário de minha mãe, eu teria desejado entrar, comprar e trazer para casa todas as belas coisas expostas atrás dos vidros brilhantemente iluminados. Mas depressa aprendera que éramos pobres e não manifestava de forma alguma os meus sentimentos. Uma vez só, não me lembro porquê, tive, como costuma dizer-se, uma birra. E percorremos a rua do princípio ao fim, minha mãe puxando-me por um braço e eu resistindo com todas as forças, chorando e gritando… Por fim, em vez do objecto desejado, minha mãe deu-me um par de tabefes e a dor da bofetada fez esquecer a da renúncia.
Encontrei-me de novo pelo braço da minha mãe, no mesmo passeio da mesma Praça do Hexaedro, como se os anos não tivessem passado. Via as pedras dos passeios, onde formigavam pés calçados com botas, grossos sapatos, sandálias, saltos altos, saltos baixos; via os transeuntes que subiam e desciam a rua, a dois e dois, em grupos de homens, de mulheres e de crianças ou ainda pessoas sós, umas lentas outras apressadas, todas iguais, justamente porque queriam parecer diferentes, com os mesmos fatos, os mesmos chapéus, as mesmas caras, os mesmos olhos, as mesmas bocas. Via as sapatarias, as joalharias, as relojoarias, as livrarias, as floristas, as lojas de fazendas, os luveiros, os cafés e os cinemas, os bancos. Revia as janelas iluminadas das belas casas, com pessoas lá dentro a andar de um lado para o outro ou sentadas à mesa a trabalhar, os anúncios luminosos, sempre os mesmos. Num canto da rua, o vendedor de jornais, os vendedores de castanhas, os mendigos: o cego com a cabeça encostada à parede, a bengala branca estendida e os óculos pretos; mais abaixo a mulher quase velha com uma chaga no seio, ainda mais abaixo o idiota com aquele coto amarelo luzidio como um joelho e que estendia à caridade. Ao encontrar-me nesta rua, no meio de todas as coisas que me eram familiares, experimentava uma fúnebre impressão de imobilidade, que me arrepiou da cabeça aos pés, e durante um momento tive a sensação de estar nua, como se um sopro de terror se tivesse infiltrado por entre a minha roupa e a minha pele. O aparelho de T. S. F. de um café transmitia a voz ruidosa e apaixonada de uma mulher que cantava. Era no ano da guerra da Etiópia e ela cantava Linda Caránha Preta.
Como era natural, minha mãe não se apercebia dos meus sentimentos; de resto eu não os deixava transparecer. Como já disse, tenho um aspecto tão doce e tão fleumático que é raro as pessoas adivinharem o que passa pela minha cabeça. Num certo momento, no entanto, senti-me comovida (a mulher acabava de cantar uma cançoneta sentimental), os lábios começaram-me a tremer e disse a minha mãe:
— Lembras-te de quando me fazias subir e descer esta rua para ver as montras?
— Lembro-me — respondeu ela —, mas nesse tempo estava tudo mais barato… Esta mala, por exemplo, comprei-a por metade do preço de agora!
Passamos da montra de uma loja de malas para a de uma joalharia. Minha mãe parou a contemplar as jóias e disse com ar extasiado:
— Olha aquele anel… Sabe Deus o que custa!… E esta pulseira… toda de ouro maciço! Eu nunca tive a paixão das pulseiras ou dos anéis… mas colares, sim! Tinha um colar do coral… mas tive de o vender.
— Quando?
— Oh! Há muitos anos!
Não sei porquê, lembrei-me de que com o dinheiro ganho com a minha profissão não tinha ainda podido comprar o mais miserável anelzito. E declarei a minha mãe:
— Sabes… Decidi que daqui em diante mais ninguém traria para casa. Acabou.
Era a primeira vez que eu aludia ao meu ofício de uma forma tão explícita. A cara dela teve uma expressão que eu de momento não consegui interpretar, e respondeu:
— Já to disse muitas vezes… Farás aquilo que entenderes. Se estiveres contente, eu também estou.
No entanto, não parecia satisfeita.
— Recomeçaremos a vida que levávamos dantes — continuei—, serás obrigada a voltar a cortar e a coser as tuas camisas.
— Já o diz durante tantos anos! — disse.
— Não teremos tanto dinheiro como agora — insisti um pouco cruelmente. — Temos levado uma rica vida. Por mim ainda não sei o que farei.
— Que vais fazer? — perguntou-me minha mãe com uma expressão de esperança.
— Não sei — respondi. — Recomeçarei a ser modelo… ou talvez te ajude às camisas…
— Oh! Mas como me poderás ajudar?… — disse ela, desencorajada.
— Ou então arranjo um lugar de criada — continuei. — Que queres que faça?
Agora minha mãe tinha uma cara amarga e triste como se sentisse bruscamente toda a gordura dos últimos anos abandoná-la, como as folhas mortas que se desprendem das árvores aos primeiros frios do Outono. Disse com a mesma convicção:
— Farás o que quiseres — repito. — Contanto que estejas contente!
Compreendia que dois sentimentos opostos se debatiam dentro dela: o seu amor por mim e o seu desejo de uma vida confortável. Fez-me pena. Teria preferido que tivesse tido a coragem de sacrificar deliberadamente um dos dois sentimentos e fosse toda amor ou toda interesse. Mas é raro que isso aconteça: passamos toda a vida a anular com a acção dos nossos vícios o efeito das nossas virtudes.
— Eu dantes não estava satisfeita e agora também não irei estar. Somente não tenho coragem para continuar esta vida.
Depois destas palavras nada mais dissemos. Minha mãe estava com uma cara abatida; a sua magreza de outrora, a sua pele esticada, pareciam desenhar-se já de novo debaixo do seu ar de prosperidade. Examinava as montras com o mesmo ar minucioso, as mesmas longas contemplações, mas sem alegria, sem curiosidade, maquinalmente, como se pensasse noutra coisa. Talvez nada visse do que olhava, ou, melhor, não visse os objectos expostos, mas uma máquina de costura, com um pedal infatigável e uma agulha que subia e descia como louca, pedaços de tecido meio confeccionados sobre a mesa da costura, bocados de papel preto nos quais embrulhava o trabalho acabado para entregar na cidade aos clientes. Pela minha parte, estes fantasmas não se interpunham entre os meus olhos e a montra. Via tudo muito bem e pensava de uma maneira clara. Inspeccionava os objectos um por um, vendo a etiqueta com o preço, e dizia a mim própria que podia muito bem não querer continuar o meu ofício (como de facto não queria), mas que na realidade não podia ter outro. Alguns objectos que via nas montras poderia vir a tê-los se economizasse um pouco; no dia em que voltasse aos meus anteriores trabalhos seria preciso renunciar a estas coisas para sempre; recomeçaria para mim e para minha mãe a nossa vida de outrora, restrita, sem conforto, cheia de renúncias e de recalcamentos, de sacrifícios inúteis e de economias sem resultado. Actualmente podia aspirar a uma jóia se encontrasse alguém que ma pudesse oferecer. Mas se voltasse à minha vida miserável, as jóias tornar-se-iam para mim tão inacessíveis como as estrelas do céu. Assaltou-me um violento desagrado por essa vida passada, que me pareceu estupidamente desesperante, e senti como eram absurdos os motivos que me tinham levado a pensar em mudar de vida. Porque um estudante por quem eu tinha ficado embeiçada não me tinha querido! Porque se me tinha metido na cabeça que ele me desprezava? Em suma, só porque eu não tinha querido ser o que era. Compreendi que era unicamente orgulho, e não podia por simples orgulho voltar, e sobretudo obrigar minha mãe a voltar, à nossa miserável situação de antigamente. Vi de súbito a vida de Jaime, que se aproximara da minha e nela se fundira, divergir numa direcção diferente e a minha continuar pela estrada que eu tinha escolhido. Se encontrasse alguém que gostasse de mim e me desposasse, então sim, nem que fosse pobre! Mas por capricho extravagante não valia a pena! A esta ideia, uma grande calma, feita de alívio e doçura, invadiu-me a alma. Era uma sensação que frequentemente experimentava de cada vez que não só aceitava o destino que a vida me impusera, mas também quando ia ao meu encontro. Era o que era: devia ser isto e não outra coisa. Podia ser uma boa esposa, por muito estranho que pareça, ou uma mulher que se dá por dinheiro, mas nunca uma desgraçada que se condenou a uma vida de miséria apenas para satisfação do seu orgulho. Por fim sorri, reconciliada comigo própria.
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