Como os recém-chegados estavam ainda imbuídos da mentirosa campanha judaica como coitadinhos e vítimas inocentes da hecatombe nazi, seria necessário algum tempo no terreno para entenderem o verdadeiro horror perpetrado pela insolência de um exército desrespeitador das mais elementares normas de humanidade, cujos comandantes cediam aos métodos hediondos de atuação das tais organizações terroristas que praticavam a limpeza étnica, fazendo destes oficiais cúmplices da imoralidade e transgressores do código de ética militar. Isto provava os comentários sigilosos de alguns intelectuais honestos que afirmavam: «O nosso Estado Judaico tem por base de formação o terrorismo e como tal, esse cancro nos marcará no futuro como vítimas!»
A senhorita Douglas era filha de um coronel do exército colonial britânico na Palestina e tomara a peito a sua missão humanitária, dizia ela, para apagar algumas das injustiças cometidas pelo pai enquanto comandante militar de uma povoação. Tinha 22 anos quando se formou em Direito e, quando a Aganah perpetrou um ataque que tornou paraplégico um jovem tenente que era seu amigo, ela jurou vingança ao terrorismo sionista. Lady Sara, como era conhecida entre os palestinos, era uma mulher linda, seu olhar azul tinha a cerúlea tonalidade do céu daquela terra desejada pelo deus dos islâmicos, dos hebreus e dos cristãos e só não dos católicos porque estes inventaram um trio para si: o Pai, o Filho e o Espírito Santo,. Além desta divina comédia, foram os primeiros a implantar o terrorismo na Santa Terra Prometida que os judeus deificaram como a terra que mana leite e mel. As Cruzadas reclamadas às nobrezas europeias pelo papado romano para conquistar o Santo Sepulcro não passaram de invasões de alta pirataria brasonada para, em nome de Jesus Cristo, roubar, assassinar e estuprar mulheres e crianças indefesas. Estes crimes tinham ainda a benesse papal das indulgências que ofereciam o céu como uma graça divina àqueles cavaleiros mais esforçados, que morriam no combate e mesmo com o saque já tomado.
Sara era uma jovem educada no austero sistema britânico, que sabia ser carinhosa e amável com todos, mas também dura para os prevaricadores. Seu sorriso era como uma janela aberta ao horizonte e, por saber-se uma mulher bonita e bem constituída, precavia-se, quando requestada pelos pretendentes ao seu coração. Não era uma conquista fácil para os românticos.
O primeiro passageiro a mostrar-se na saída foi o Dr. Max Muller, que era o clínico mais idoso dos cinco médicos chegados e, embora já sessentão, mostrava uma aparência física invejável — era atlético e tinha um sorriso fácil de bonacheirão. Seu olhar pousou descarado e terno no rosto da jovem inglesa e, sem formalidades de maior ou timidez, murmurou com admiração:
— Bendito é o sol que ilumina tal obra de arte! Confesso que não esperava esta surpresa. Menina, você é linda!
— Bem-vindo, doutor, e obrigada pela sua solidariedade com estes deserdados da fortuna!
— Não tem que agradecer, jovem. Cumpro o prometido no juramento de Hipócrates. Bem haja você que, sendo uma jovem, se sacrifica em prol de uma boa causa!
Entregou o Dr. Muller a uma das assistentes, recomeçou as boas vindas aos restantes passageiros daquele voo de solidariedade e iniciou a saudação ritual com o médico francês especialista em anestesia, o Dr. Bardot. Este era um sujeito ainda jovem, com uma barba negra e pontiaguda, quiçá para encolher a juvenilidade de um rosto bonitão. Era de trato delicado e os olhos perspicazes mostraram não se intimidarem com a beleza da cicerone. Seguiu-se um médico de clínica geral, o Dr. Edmund Wolfgang, um austríaco maduro e de aparência austera que, num inglês um tanto macarrónico, cumprimentou polidamente:
— Precisamos de organização e cooperação, menina; providencie com os meus colegas.
De seguida saiu um casal que, sorrindo para todos com à vontade, anunciou:
— Lamentamos não ser cooperantes nesta campanha de benfazer. Só vamos ajudar na montagem do hospital e seguiremos o nosso destino: sou Gilad e esta é minha mulher, Shira. Este pequerrucho é nosso filho, tem 3 anos.
Lady Douglas sorriu e fez uma carícia no rosto do pequerrucho de olhar vivo que, segurando na mão delicada da Lady, a abriu e fixou o olhar negro e brilhante nas linhas misteriosas que a sinalavam, como se instintivamente quisesse ler nelas o destino daquela senhora tão simpática. A inglesa voltou a inclinar-se sobre a criança e afagou-lhe as faces angelinas ao mesmo tempo que procurava na bolsa uma guloseima, daquelas que costumava oferecer às crianças palestinas do campo para lhes amenizar o choro.
Do portaló do avião descia o Dr. Ibraim Jali, um egípcio de meia-idade e porte cavalheiresco que num inglês impecável respondeu à sua saudação feita em arabish:
— Em nome do meu povo, que Alá, o Misericordioso, lhe mostre a sua benignidade!
Sara voltou a falar-lhe em arabish mas ele não mostrou qualquer sinal de entendimento.
Desceu logo a seguir o Dr. Abner Abramowicz, designado como chefe de equipa do departamento médico, e o intérprete oficial, Levy Cross, ambos funcionários da Cruz Vermelha Suíça. Ao dar-lhes as boas vindas, a sua mente perspicaz anotou que, pelos nomes e traços fisionómicos, eles pareciam judeus do leste europeu. Sara Douglas dirigiu-se-lhes em inglês e cumprimentou demoradamente o Dr. Abner, que ela sabia ser de nacionalidade polaca, e seguidamente falou em arabish para experimentar o intérprete. Ambos eram jovens ainda e ela perguntou-se sobre o porquê de o Dr. Abner ter sido indigitado como chefe clínico. Informar-se-ia discretamente junto dos outros médicos, no entanto estava segura de que a Cruz Vermelha só aceitava nos seus quadros pessoal altamente competente e com provas dadas. Será que a idade eclipsaria a experiência? Gostou da simpatia de um e de outro, assim como a modéstia de ambos, quando Abner indagou:
— A senhora é a enfermeira chefe?
Sara dedicou-lhe o seu melhor sorriso e corrigiu:
— Não, doutor, eu pertenço ao Exército de Salvação e sou a chefe do pessoal auxiliar. A enfermagem está ao cuidado da Ordem das Passionistas.
— Entendo, Lady Douglas, as freiras fizeram um bom trabalho durante a guerra e adquiriram maturidade e experiência.
Num aparte de humor exclamou:
— Então a nossa enfermeira chefe deve ser uma matrona esposada com Jesus!
Sara riu do comentário e esclareceu:
— Engana-se, doutor. A irmã Angélique é ainda muito jovem e por acaso é bem bonita e simpática.
— Entendo, Lady Sara. Juventude nem sempre é apanágio de inexperiência. Nos tempos conflituosos que vivemos e agora também aqui, o saber da medicina cresce infelizmente na proporção inversa à da paz. A guerra torna-nos maduros e peritos à força!
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