A “folha de turnos”, que eu contemplava mês a mês, me dava ansiedade, muitas vezes entusiasmo e grandes expectativas, às vezes desilusão por aqueles repousos e férias que eu pedia e nem sempre eram concedidos.
Todos os encontros, compromissos, casamentos de que poderia ter participado, as finais de futebol, os ingressos de primeira fila no teatro, a despedida de solteira da minha melhor amiga, o aniversário de algum namorado, a ceia de natal, o aniversário dos meus pais, a semana no chalé na montanha, o curso de tango às quintas de tarde: era muito difícil participar disso tudo, e era preciso adaptar-se às decisões tomadas pelo computador da companhia.
A partir daquele momento, era possível aceitar ou recusar convites, combinar encontros importantes, estabelecer horários estranhos para assistir a aulas, fazer de tudo para chegar a tempo em qualquer lugar, ou então chegar, mesmo que atrasada, nas reuniões de condomínio; dizer adeus aos torneios de truco, mas, em compensação, ter a “satisfação” de ouvir Gigi Marzullo, cambaleando de sono por causa do fuso.
Havia cerca de dez dias de descanso por mês, enquanto a divisão valia para os outros 20.
Eu, Eva, Valentina e Ludovica sempre esperávamos ter dias e horários de partida diferentes uns dos outros, tanto para ter mais espaço em casa quanto para poder organizar melhor o tempo em nosso principal problema: banhos muito longos.
Era comum que um voo começasse logo cedo, e o despertar costumava ser uma hora antes.
Depois de um café da manhã muito rápido e uma bela ducha revigorante, punha-se o uniforme preparado no dia anterior, certificando-se de que os sapatos estivesses lustrados e que as meias-calças não estivessem desbotadas da máquina.
Grande parte de nós tinha um segredo “inconfessável”: a camisa ficava por dentro dos collants horríveis – muitas vezes feitos sob medida para evitar o surgimento de veias varicosas e inchaços por causa da pressurização da cabine. Só assim era possível evitar que a camisa escapasse da saia quando levantávamos os braços para organizar as bagagens dos passageiros.
Embaixo da saia éramos uma desgraça!
Organizada a roupa, passávamos a maquiagem, verificávamos se o cabelo estava em ordem e, por fim, os documentos.
Na bolsa de mão, não podiam faltar uma roupa sobressalente, lanterna, o caderno com os comunicados de voo, o manual operacional, meia-calça extra, sapato de salto mais baixo para as rotas mais longas, luvas de pele. No Crew Briefing Center do aeroporto, o lugar onde se reúnem todas as tripulações, começava o briefing em cada uma das salinhas reservadas.
Nós nos reuníamos para conhecer a tripulação, nos apresentávamos, discutíamos questões críticas do voo, sobre as condições meteorológicas, éramos informados dos aspectos comerciais, sobre o tipo de serviço e sobre os passageiros que estariam no voo.
O enquadramento era quase militar: havia uma hierarquia, e ela devia ser respeitada.
À frente de toda a tripulação estava o comandante, depois o copiloto e, a seguir, o assistente de voo, de acordo com o grau.
Todos os assistentes de voo, no que diz respeito ao serviço prestado e o relacionamento com os passageiros, tinham como ponto de referência o responsável da própria área de trabalho que colaborava com o chefe de cabine, o qual, por sua vez, comandava o andamento do voo e mantinha contato com o cockpit, ou seja, o piloto.
Ao final do voo, cada assistente era submetido a uma avaliação escrita e assinada, onde eram avaliados o profissionalismo, a competência técnica, o conhecimento das línguas estrangeiras, a assistência dadas aos passageiros e se a sua aparência estava em conformidade com as normas.
E foi assim que os anos passaram, voo após voo, encontro sobre encontro, fusos horários e noites sem dormir, línguas diferentes, países tórridos e gelados, comidas condimentadas e sabores delicados, céus serenos e turbulências inesperadas.
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