Rui José Carvalho - Desertos

Здесь есть возможность читать онлайн «Rui José Carvalho - Desertos» — ознакомительный отрывок электронной книги совершенно бесплатно, а после прочтения отрывка купить полную версию. В некоторых случаях можно слушать аудио, скачать через торрент в формате fb2 и присутствует краткое содержание. Жанр: unrecognised, на португальском языке. Описание произведения, (предисловие) а так же отзывы посетителей доступны на портале библиотеки ЛибКат.

Desertos: краткое содержание, описание и аннотация

Предлагаем к чтению аннотацию, описание, краткое содержание или предисловие (зависит от того, что написал сам автор книги «Desertos»). Если вы не нашли необходимую информацию о книге — напишите в комментариях, мы постараемся отыскать её.

A pena poética de Rui José Carvalho propõe-se discorrer habilmente sobre a imagem do fotógrafo António Caeiro, numa obra que explora os recantos subjetivos da primeira pessoa. 'Desertos', com a Folha de Sala de Paulo José Miranda, apresenta-nos uma díade que causa uma vertigem no texto. A imagem falaria por si só, mas o texto traduz para palavras uma atmosfera indizível – assim acontece o encontro do poeta com o fotógrafo. Rui José Carvalho caminha por três vielas estreitas que convergem naturalmente para uma estrada comum: a poesia que é prosa, que é ensaio, que é absoluta poesia. O recorte fotográfico de António Caeiro inspira a crueza deserta da lente humana, isolando pormenores estáticos a nu, que provocam pelo canto do olho a crueza da alma do leitor, a quem resta absorver de um trago uma dupla inevitável.

Desertos — читать онлайн ознакомительный отрывок

Ниже представлен текст книги, разбитый по страницам. Система сохранения места последней прочитанной страницы, позволяет с удобством читать онлайн бесплатно книгу «Desertos», без необходимости каждый раз заново искать на чём Вы остановились. Поставьте закладку, и сможете в любой момент перейти на страницу, на которой закончили чтение.

Тёмная тема
Сбросить

Интервал:

Закладка:

Сделать

Viver a vida como ela é, com a dor apertada junto ao pescoço.

Soluçar. Persistir no soluço.

Encarar as metástases como rios. Ser como os rios sangrentos onde me habito, os conjuntos de células vibrando-me por dentro das vísceras.

Aguardar a imergência dos organismos, o crescimento inflamando a divisão celular. Os ciclos de vida, o envelhecimento e a morte.

Perscrutar a matéria orgânica. Ser a intensa deriva da matéria. Ser a genética dos corpos, o processamento orgânico dos materiais até à anormal proliferação da divisão celular, um tumor anichado junto ao peito. A germinação cancerígena habitando a viagem linfática, sanguineamente percorrendo os vários órgãos.

A matéria, a inflamação da matéria, o inorgânico protelado no orgânico.

Ninguém jamais venceu a guerra contra o corpo, nem mesmo Jesus, cuja carne sucumbiu ao Martírio da Cruz.

Água Somos água escorrendo Náufragos corpos buscando o estridente deserto - фото 2

Água. Somos água escorrendo. Náufragos corpos buscando o estridente deserto, uma qualquer mágoa firmando todo este silêncio. De paradeiro incerto, sofridamente nos erigimos de encontro à estranheza do mundo.

Tempos atrás habitámos distantes lugares, longínquas terras vividas em contramão. Antes houve promessas e nas promessas ferozmente nos discorremos. Fomos ferozes de encontro às cidades, ferozmente escorrendo por fora do leito dos rios.

Somos agora regressados a casa. Firmados no sonho, no regresso reerguemos as cabeças decepadas. Somos de novo a afirmativa presença. Afirmativamente presentes apressamo-nos na escavação, no célere augúrio das coisas vindouras.

Antes. Antes houve poetas cantando o declínio.

Agora somos incertos. Incertas certezas desesperando a vicissitude.

Aqui aguardamos o declínio, a escassa sede dos augúrios. Somos agora desertos.

Longinquamente reflexos na mais íngreme estranheza, tornámo-nos náufragos. Náufragos desertos abundando entre as cores.

Gritamos: “aqui somos!”.

Ninguém nos ouve. Ninguém nos ouve porque ninguém há para nos ouvir. Náufragos. Náufragos até ao deserto.

Aqui, desde onde nos perecemos.

Ser o sucesso do corpo; ser amado pelas jovens mulheres antes da noite chegando. Curvilíneo, em curva gravitar o vórtice dos dias; impacientemente percorrer o estrondo do mundo até ao enegrecimento da carne. Ser tangente. Ao contrário da paciência, ser a primeira e última vez de todas as coisas.

Não esquecer nunca: envergar as sístoles e as diástoles como um troféu.

Em queda. Ser em queda. Quedar-me quase exangue de mim e dos outros. Ser farto. Estar farto de tudo e de nada. Procurar as formas e, com as formas, enformar a matéria.

Matar o tédio caindo em todos os precipícios. Cair. Cair e, de seguida, reerguer a queda. Ser a escalada das montanhas. Escalar montanhas com a dúvida às costas. Deixar depois a dúvida incrustada no cume, por cima da estupidez.

De rosto descoberto. Descobrir o rosto para que as lágrimas vertam na nudez. Ser ao contrário da contrariedade do mundo. Deixar que as lâminas me cortem, que o aço incida em minha carne. Tornar-me duro. Ser o aço por dentro.

Não representar papéis além do estritamente necessário. Sobrevir a dor. Não deixar nunca que a discrepância transpareça.

Ser o aço por dentro. Não deixar nunca transparecer que assim não é. Jamais; não esquecer jamais que assim deve ser.

Nasçome nas palavras que me habitam para que nelas me julgue menos só - фото 3 Nasçome nas palavras que me habitam para que nelas me julgue menos só - фото 4

Nasço-me nas palavras que me habitam para que nelas me julgue menos só. Contudo, jamais serei a salvo. Atolada nesta pele até aos ossos, a mentira é uma ferida que por dentro me mina.

Por dentro. Sou as feridas que me sangram.

Nunca fui são, verdadeiramente nunca o fui. Mesmo quando um dia acreditei que os meus passos me conduziriam a algum lugar.

Fui prestes na encarnação de personagens que não sou. Habitei as casas junto aos homens e nelas construí um império de derrotas.

Um dia acordarei com todas as coisas vibrando. Será esse o sinal de que não mais poderei vibrar.

Somos derrotados pela natureza das coisas.

Um dia acordarei com a vontade derrotada.

É inevitável.

É inevitável que assim seja, que os camiões cheguem para fazer a mudança.

Levarão tudo o que fui, todos os livros tragados na fúria, as jovens mulheres onde não mais me perderei.

Um dia será noite. Um dia será noite e a noite ficará.

A noite será íngreme e sem estrelas.

Restarei só.

Restarei só e serei doente, uma doentia mortalha por todos deixada ao abandono. Não restarão preces que mais não sejam estes ramos apontando ao céu.

Um último ato de coragem: sulcarei a terra até que os vendavais me sinalizem. Então, perante os vendavais, erguer-me-ei no dom do abandono.

Jamais vi flores nascer ou vicejar qualquer outra coisa que não o inabitado - фото 5

Jamais vi flores nascer ou vicejar, qualquer outra coisa que não o inabitado desalento. Ainda assim, alguns frutos adoçam o sabor desta derrota: os mortos escrevendo livros para que a vida nos sossegue; como loucos, mentindo tanto quanto possível. Mais ninguém se sentou neste colo a não ser eles, os loucos mortos que me visitam.

Assim me é o mundo desvelado. A rarefação do sentido no esforço da respiração. A inspiração e a expiração expiando o antro das coisas. Todas as derrotas dadas na breve vitória da criação.

Um dia, em tempos idos, a potência do mundo aqui foi dada em ato. O mistério das horas pareceu coisa pouca. Representáramos a presença do fogo a uma distância segura e assim sobrevivemos às queimaduras em nossas peles.

Aperfeiçoo agora a queda e o tempo da queda. Sou suspenso, entre o passado e o futuro. Gravito em torno de algumas memórias, coisas nunca acontecidas. Quando criança esperava que os fósforos me ardessem entre os dedos. Acho que já então previa a preciosidade do fogo, ardendo por entre as coisas. Tudo agora é tão perto que quase sempre me queimo. Antes não era nada assim. Havia uma distância que me separava dos objetos. Essa distância precavia meu corpo das queimaduras. Ardo-me agora tanto que sou quase em cinzas, uma ferida aberta por dentro da pele.

Ardendo-me.

Demora-nos uma vida inteira o apuramento para enfrentar o mar, percorrer a substância das coisas, aquilatar a estrutura dos materiais; tornar-nos pertinentes e na pertinência enfrentar as vagas.

Adquiri-me na madeira revestida. Vedei-me com estopa para impedir a penetração das águas.

Instruí-me depois na arte da navegação. Li todos os livros sobre oceanos. Debrucei-me na escuta das águas, escutei a estrutura das marés; o marulhar do vento incentivando a viagem.

Конец ознакомительного фрагмента.

Текст предоставлен ООО «ЛитРес».

Прочитайте эту книгу целиком, купив полную легальную версию на ЛитРес.

Безопасно оплатить книгу можно банковской картой Visa, MasterCard, Maestro, со счета мобильного телефона, с платежного терминала, в салоне МТС или Связной, через PayPal, WebMoney, Яндекс.Деньги, QIWI Кошелек, бонусными картами или другим удобным Вам способом.

Тёмная тема
Сбросить

Интервал:

Закладка:

Сделать

Похожие книги на «Desertos»

Представляем Вашему вниманию похожие книги на «Desertos» списком для выбора. Мы отобрали схожую по названию и смыслу литературу в надежде предоставить читателям больше вариантов отыскать новые, интересные, ещё непрочитанные произведения.


Отзывы о книге «Desertos»

Обсуждение, отзывы о книге «Desertos» и просто собственные мнения читателей. Оставьте ваши комментарии, напишите, что Вы думаете о произведении, его смысле или главных героях. Укажите что конкретно понравилось, а что нет, и почему Вы так считаете.

x