José Saramago - As Intermitências da Morte
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a pior calamidade colectiva que nos caiu em cima desde a fundação da
nacionalidade, isto é, que o governo decida tornar obrigatórios o
enterramento ou a incineração de todos os animais domésticos que
venham a defuntar de morte natural ou por acidente, e que tal
enterramento ou tal incineração, regulamentados e aprovados, sejam
obrigatoriamente levados a cabo pela indústria funerária, tendo em
contra as meritórias provas prestadas no passado como autêntico
serviço público que têm sido, no sentido mais profundo da expressão,
gerações após gerações. o documento continuava, solicitamos ainda a
melhor atenção do governo para o facto de que a indispensável
reconversão da indústria não será viável sem vultosos investimentos,
pois não é a mesma cousa sepultar um ser humano e levar à última
morada um gato ou um canário, e porque não dizer um elefante de
circo ou um crocodilo de banheira, sendo portanto necessário
reformular de alto a baixo o nosso know how tradicional, servindo de
providencial apoio a esta indispensável actualização a experiência já
adquirida desde a oficialização dos cemitérios para animais, ou seja,
aquilo que até agora não havia passado de uma intervenção marginal
da nossa indústria, ainda que, não o negamos, bastamente lucrativa,
tomar-se-ia em actividade exclusiva, evitando-se assim, na medida do
possível, o despedimento de centenas senão milhares de abnegados e
valorosos trabalhadores que em todos os dias da sua vida enfrentaram
corajosamente a imagem terrível da morte e a quem a mesma morte
volta agora imerecidamente as costas, Exposto o que, senhor primeiro-
ministro, rogamos, com vista à merecida protecção de uma profissão
milenariamente classificada de utilidade pública, se digne considerar,
não somente a urgência de uma decisão favorável, mas também, em
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paralelo, a abertura de uma linha de créditos bonificados, ou então, e
isso seria ouro sobre azul, ou dourado sobre negro, que são as nossas
cores, para não dizer da mais elementar justiça, a concessão de
empréstimos a fundo perdido que ajudem a viabilizar a rápida
revitalização de um sector cuja sobrevivência se encontra ameaçada
pela primeira vez na história, e desde muito antes dela, em todas as
épocas da pré-história, pois nunca a um cadáver humano deve ter
faltado quem, mais cedo ou mais tarde, acudisse a enterrá-lo, ainda que
não fosse mais que a generosa terra abrindo-se. Respeitosamente,
pedem deferimento.
Também os directores e administradores dos hospitais, tanto do
estado como privados, não tardaram muito a ir bater à porta do
ministério da tutela, o da saúde, para expressar junto dos serviços
competentes as suas inquietações e os seus anseios, os quais, por
estranho que pareça, quase sempre relevavam mais de questões
logísticas que propriamente sanitárias. Afirmavam eles que o corrente
processo rotativo de enfermos entrados, enfermos curados e enfermos
mortos havia sofrido, por assim dizer, um curto-circuito ou, se
quisermos falar em termos menos técnicos, um engarrafamento como os
dos automóveis, o qual tinha a sua causa na permanência indefinida de
um número cada vez maior de internados que, pela gravidade das
doenças ou dos acidentes de que haviam sido vítimas, já teriam, em
situação normal, passado à outra vida. A situação é difícil, argumen-
tavam, já começámos a pôr doentes nos corredores, isto é, mais do que
era costume fazê-lo, e tudo indica que em menos de uma semana nos
iremos encontrar a braços não só com a escassez das camas, mas
também, estando repletos os corredores e as enfermarias, sem saber, por
falta de espaço e dificuldade de manobra, onde colocar as que ainda
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estejam disponíveis. É certo que há uma maneira de resolver o
problema, concluíam os responsáveis hospitalares, porém, ofendendo
ela, ainda que de raspão, o juramento hipocrático, a decisão, no caso de
vir a ser tomada, não poderá ser nem médica nem administrativa, mas
política. Como a bom entendedor sempre meia palavra bastou, o
ministro da saúde, depois de consultar o primeiro-ministro, exarou o
seguinte despacho, Considerando a imparável sobreocupação de inter-
nados que já começa a prejudicar seriamente o ate agora excelente
funcionamento do nosso sistema hospitalar e que é a directa consequên-
cia do crescente número de pessoas ingressadas em estado de vida
suspensa e que assim irão manter-se indefinidamente, sem quaisquer
possibilidades de cura ou de simples melhora, pelo menos até que a
investigação médica alcance as novas metas que se tem proposto, o
governo aconselha e recomenda às direcções e administrações
hospitalares que, após uma análise rigorosa, caso por caso, da situação
clínica dos doentes que se encontrem naquela situação, e confirmando-
se a irreversibilidade dos respectivos processos mórbidos, sejam eles
entregues aos cuidados das famílias, assumindo os estabelecimentos
hospitalares a responsabilidade de assegurar aos enfermos, sem reserva,
todos os tratamentos e exames que os seus médicos de cabeceira ainda
julguem necessários ou simplesmente aconselháveis. Fundamenta-se
esta decisão do governo numa hipótese facilmente admissível por toda
a gente, a de que a um paciente em tal estado, permanentemente à beira
de um falecimento que permanentemente lhe vai sendo negado, deverá
ser-lhe pouco menos que indiferente, mesmo em algum momento de
lucidez, o lugar em que se encontre, quer se trate do seio carinhoso da
sua família ou da congestionada enfermaria de um hospital, uma vez
que nem aqui nem ali conseguirá morrer, como também nem ali nem
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aqui poderá recuperar a saúde. o governo quer aproveitar esta
oportunidade para informar a população de que prosseguem em ritmo
acelerado os trabalhos de investigação que, assim o espera e confia, hão-
de levar a um conhecimento satisfatório das causas, até este momento
ainda misteriosas, do súbito desaparecimento da morte. Igualmente
informa que uma nutrida comissão interdisciplinar, incluindo represen-
tantes das diversas religiões em vigor e filósofos das diversas escolas
em actividade, que nestes assuntos sempre têm uma palavra a dizer,
está encarregada da delicada tarefa de reflectir sobre o que virá a ser um
futuro sem morte, ao mesmo tempo que tentará elaborar uma previsão
plausível dos novos problemas que a sociedade terá de enfrentar, o
principal dos quais alguns resumiriam nesta cruel pergunta, Que vamos
fazer com os velhos, se já não está aí a morte para lhes cortar o excesso
de veleidades macróbias.
Os lares para a terceira e quarta idades, essas benfazejas instituições
criadas em atenção à tranquilidade das famílias que não têm tempo
nem paciência para limpar os ranhos, atender aos esfíncteres fatigados e
levantar-se de noite para chegar a arrastadeira, também não tardaram,
tal como já o haviam feito os hospitais e as agências funerárias, a vir
bater com a cabeça no muro das lamentações. Fazendo justiça a quem se
deve, temos de reconhecer que a incerteza em que se encontravam
divididos, isto é, continuar ou não continuar a receber hóspedes, era
uma das mais angustiantes que poderiam desafiar os esforços
equitativos e o talento planificador de qualquer gestor de recursos
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