Фернандо Пессоа - Livro do Desassossego
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Só de pensar uma palavra eu compreenderia o conceito de Trindade. Penso a palavra "inúmero" e escolho-a para exemplo porque é abstrata e escusa. Mas se a oiço no meu ser, rolam grandes ondas em som que não pára no mar sem fim; constelam-se os céus, e não é de estrelas, mas da música de todas as ondas onde os sons se constelam, e a ideia de um infinito decorrente abre-se-me, como uma bandeira desfraldada, a estrelas ou sons do mar, e a um eu que reflete todas as estrelas.
Que D. Sebastião venha pelo nevoeiro não desdiz da história. Toda a história vai e vem entre névoas, e as maiores batalhas de que se narram, as maiores pompas, os mais largos conseguimentos não são mais que espetáculos na bruma, cortejos na distância do crepúsculo e do apagamento.
A alma em mim é expressiva e material. Ou estagno num não-ser de linho sensível, ou acordo, e se acordo projeto-me em palavras como se essas fossem o abrir de olhos do meu ser. Se penso, o pensamento surge-me no próprio espírito com frases, secas e ritmadas, e eu não distingo nunca bem se penso antes de o dizer, se apenas depois de me ver a tê-lo dito e, se por mim sonhado, há palavras logo em mim. Em mim toda emoção é uma imagem e todo sonho uma pintura musicada. O que escrevo pode ser mau, mas é mais em que o que penso. Assim por vezes o acredito.
Desde que vivo, narro-me, e o mais pequeno dos meus tédios comigo, se me debruço sobre eles, desabrocha, por um magnetismo de E em flores de cores de musicais abismos.
Notas e Cartas de FERNANDO Pessoa
relativAs ao Livro do Desassossego
I
Excertos de algumas cartas
A João de Lebre e Lima, em 3 de Maio de 1914:
A propósito de tédios, lembra-me perguntar-lhe uma coisa... Viu, num número do ano passado, de A Águia, um trecho meu chamado Na floresta do alheamento? Se não viu, diga-me. Mandar-lho-ei. Tenho imenso interesse que você conheça esse trecho. É o único trecho meu publicado em que eu faço do tédio, e do sonho estéril e cansado de si próprio mesmo ao ir começar a sonhar-se, um motivo e o assunto. Não sei se lhe agradará o estilo em que o trecho está escrito: é um estilo especialmente meu, e a que aqui vários rapazes amigos, brincando, chamam "o estilo alheio", por ser naquele trecho que apareceu. E referem-se a "falar alheio", "escrever em alheio", etc.
Aquele trecho pertence a um livro meu, de que há outros trechos escritos mas inéditos, mas de que falta ainda muito para acabar; esse livro chama-se Livro do Desassossego, por causa da inquietação e incerteza que é a sua nota predominante. No trecho publicado isso nota-se. O que é em aparência um mero sonho, ou entressonho, narrado, é — sente-se logo que se lê, e deve, se realizei bem, sentir-se através de toda a leitura — uma confissão sonhada da inutilidade e dolorosa fúria estéril de sonhar.
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A Armando Cortes-Rodrigues, em 2 de Setembro de 1914:
Nada tenho escrito que valha a pena mandar-lhe. Ricardo Reis e Álvaro futurista — silenciosos. Caeiro perpetrador de algumas linhas que encontrarão talvez asilo num livro futuro. ... O que principalmente tenho feito é sociologia e desassossego. V. Percebe que a última palavra diz respeito ao "livro" do mesmo; de facto tenho elaborado várias páginas daquela produção doentia. A obra vai pois complexamente e tortuosamente avançando.
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A Armando Cortes-Rodrigues, em 4 de Outubro de 1914:
Nem lhe mando outras pequenas coisas que tenho escrito nestes dias. Não são muito dignas de serem mandadas, umas; outras estão do Livro do Desassossego. Verdade seja que descobri um novo género de paulismo....
O meu estado de espírito atual é de uma depressão profunda e calma. Estou há dias ao nível do Livro do Desassossego. E alguma coisa dessa obra tenho escrito. Ainda hoje escrevi quase um capítulo todo.
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A Armando Cortes-Rodrigues, em 19 de Novembro de 1914:
O meu estado de espírito obriga-me agora a trabalhar bastante, sem querer, no Livro do Desassossego. Mas tudo fragmentos, fragmentos, fragmentos.
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A João Gaspar Simões, em 28 de Julho de 1932:
Primitivamente, era minha intenção começar as minhas publicações por três livros, na ordem seguinte: Portugal, que é um livro pequeno de poemas (tem 41 ao todo), de que o Mar Português Contemporânea é a segunda parte; Livro do Desassossego (Bernardo Soares, mas subsidiariamente, pois que o B.S. não é um heterónimo, mas uma personalidade literária); Poemas Completos de Alberto Caeiro (com o prefácio de Ricardo Reis, e, em posfácio, as Notas para a Recordação do Álvaro de Campos). Mais tarde, no outro ano, seguiria, só ou com qualquer livro, Cancioneiro (ou outro título igualmente inexpressivo), onde reuniria (em Livros 1 a III ou 1 a V) vários dos muitos poemas soltos que tenho, e que são por natureza inclassificáveis salvo de essa maneira inexpressiva.
Sucede, porém, que o Livro do Desassossego tem muita coisa que equilibrar e rever, não podendo eu calcular, decentemente, que me leve menos de um ano a fazê-lo. E, quanto ao Caeiro, estou indeciso. ...
****
A Adolfo Casais Monteiro, em 13 de Janeiro de 1935:
Como escrevo em nome destes três? Caeiro, por pura e inesperada inspiração, sem saber ou sequer calcular que iria escrever. Ricardo Reis, depois de uma deliberação abstrata, que subitamente se concretiza numa ode. Campos, quando sinto um súbito impulso para escrever e não sei o quê. (O meu semi-heterónimo Bernardo Soares, que aliás em muitas coisas se parece com Álvaro de Campos, aparece sempre que estou cansado ou sonolento, de sorte que tenha um pouco suspensas as qualidades de raciocínio e de inibição; aquela prosa é um constante devaneio. É um semi-heterónimo porque, não sendo a personalidade a minha, é, não diferente da minha, mas uma simples mutilação dela. Sou eu menos o raciocínio e a afetividade. A prosa, salvo o que o raciocínio dá de ténue à minha, é igual a esta, e o português perfeitamente igual; ao passo que Caeiro escrevia mal o português, Campos razoavelmente mas com lapsos como dizer "eu próprio" em vez de "eu mesmo", etc., Reis melhor do que eu, mas com um purismo que considero exagerado. ...)
II
Duas notas
Nota para as edições próprias (e aproveitável para o "Prefácio")
Reunir, mais tarde, num livro separado, os poemas vários que havia errada tenção de incluir no Livro do Desassossego; este livro deve ter um título mais ou menos equivalente a dizer que contém lixo ou intervalo, ou qualquer palavra de igual afastamento.
Este livro poderá, aliás, formar parte de um definitivo de refugos, e ser o armazém publicado do impublicável que pode sobreviver como exemplo triste. Está um pouco no caso dos versos incompletos do lírico morto cedo, ou das cartas do grande escritor, mas aqui o que se fixa é não só inferior senão que é diferente, e nesta diferença consiste a razão de publicar-se pois não poderia consistir em a de se não dever publicar.
L. Do D. (nota)
A organização do livro deve basear-se numa escolha, rígida quanto possível, dos trechos variadamente existentes, adaptando, porém, os mais antigos, que falhem à psicologia de Bernardo Soares, tal como agora surge, a essa vera psicologia. À parte isso, há que fazer uma revisão geral do próprio estilo, sem que ele perca, na expressão íntima, o devaneio e o desconexo lógico que o caracterizam.
Há que estudar o caso de se se devem inserir trechos grandes, classificáveis sob títulos grandiosos, como a Marcha Fúnebre do Rei Luís Segundo da Baviera, ou a Sinfonia de uma Noite Inquieta. Há a hipótese de deixar como está o trecho da Marcha Fúnebre, e há a hipótese de a transferir para outro livro, em que ficassem os Grandes Trechos juntos.
C. Do Prefácio às Ficções do Interlúdio
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