Фернандо Пессоа - Livro do Desassossego
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As coisas são a matéria para os meus sonhos; por isso aplico uma atenção distraidamente sobreatenta a certos detalhes do Exterior.
Para dar relevo aos meus sonhos preciso conhecer como é que as paisagens reais e as personagens da vida nos aparecem relevadas. Porque a visão do sonhador não é como a visão do que vê as coisas. No sonho, não há o assentar da vista sobre o importante e o inimportante de um objeto que há na realidade. Só o importante é que o sonhador vê. A realidade verdadeira de um objeto é apenas parte dele; o resto é o pesado tributo que ele paga à matéria em troca de existir no espaço. Semelhantemente, não há no espaço realidade para certos fenómenos que no sonho são palpavelmente reais. Um poente real é imponderável e transitório. Um poente de sonho é fixo e eterno. Quem sabe escrever é o que sabe ver os seus sonhos nitidamente (e é assim) ou ver em sonho a vida, ver a vida imaterialmente, tirando-lhe fotografias com a máquina do devaneio, sobre a qual os raios do pesado, do útil e do circunscrito não têm ação, dando negro na chapa espiritual.
Em mim esta atitude, que o muito sonhar me enquistou, faz-me ver sempre da realidade a parte que é sonho. A minha visão das coisas suprime sempre nelas o que o meu sonho não pode utilizar. E assim vivo sempre em sonhos, mesmo quando vivo na vida. Olhar para um poente em mim ou para um poente no Exterior é para mim a mesma coisa, porque vejo da mesma maneira, pois que a minha visão é talhada mesmamente.
Por isso a ideia que faço de mim é uma ideia que a muitos parecerá errada. De certo modo é errada. Mas eu sonho-me a mim próprio e de mim escolho o que é sonhável, compondo-me e recompondo-me de todas as maneiras até estar bem perante o que exijo do que sou e não sou. Às vezes o melhor modo de ver um objeto é anulá-lo; mas ele subsiste, não sei explicar como, feito de matéria de negação e anulamento; assim faço a grandes espaços reais do meu ser, que, suprimidos no meu quadro de mim, me transfiguram para a minha realidade.
Como então me não engano sobre os meus íntimos processos de ilusão de mim? Porque o processo que arranca para uma realidade mais que real um aspeto do mundo ou uma figura de sonho, arranca também para mais que real uma emoção ou um pensamento; despe-o portanto de todo o apetrecho de nobre ou puro quando, o que quase sempre acontece, o não é. Repare-se que a minha objetividade é absoluta, a mais absoluta de todas. Eu crio o objeto absoluto, com qualidades de absoluto no seu concreto. Eu não fugi à vida propriamente, no sentido de procurar para a minha alma uma cama mais suave, apenas mudei de vida e encontrei nos meus sonhos a mesma objetividade que encontrava na vida. Os meus sonhos — noutra página estudo isto — erguem-se independentes da minha vontade e muitas vezes me chocam e me ferem. Muitas vezes o que descubro em mim me desola, me envergonha (talvez por um resto de humano em mim — o que é a vergonha?) E me assusta.
Em mim o devaneio ininterrupto substituiu a atenção. Passei a sobrepor às coisas vistas, mesmo quando já sonhadamente vistas, outros sonhos que comigo trago. Desatento já suficientemente para fazer bem aquilo a que chamei ver as coisas em sonho, ainda assim, porque essa desatenção era motivada por um perpétuo devaneio e uma, também não exageradamente atenta, preocupação com o decurso dos meus sonhos, sobreponho o que sonho ao sonho que vejo e interseciono a realidade já despida da matéria com um imaterial absoluto.
Daí a habilidade que adquiri em seguir várias ideias ao mesmo tempo, observar as coisas e ao mesmo tempo sonhar assuntos muito diversos, estar ao mesmo tempo sonhando um poente real sobre o Tejo real e uma manhã sonhada sobre um Pacífico interior; e as duas coisas sonhadas intercalam-se uma na outra, sem se misturar, sem propriamente confundir mais do que o estado emotivo diverso que cada um provoca, e sou como alguém que visse passar na rua muita gente e simultaneamente sentisse de dentro as almas de todos — o que teria que fazer numa unidade de sensação — ao mesmo tempo que via os vários corpos — esse tinha que os ver diversos — cruzar-se na rua cheia de movimentos de pernas.
APÊNDICES
Textos que citam o nome de Vicente Guedes
APÊNDICE 1.
O meu conhecimento com Vicente Guedes formou-se de um modo inteiramente casual. Encontrávamo-nos muitas vezes no mesmo restaurante retirado e barato. Conhecíamo-nos de vista; descaímos, naturalmente, no cumprimento silencioso. Uma vez, que nos encontrámos à mesma mesa, tendo o acaso proporcionado que trocássemos duas frases, a conversa seguiu-se. Passámos a encontrarmo-nos ali todos os dias, ao almoço e ao jantar. Por vezes saíamos juntos, depois do jantar, e passeávamos um pouco, conversando.
Vicente Guedes suportava aquela vida nula com uma indiferença de mestre.
Um estoicismo de fraco alicerçava toda a sua atitude mental.
A constituição do seu espírito condenava-o a todas as ânsias; a do seu destino a abandoná-las a todas. Nunca encontrei alma, de quem pasmasse tanto. Sem ser por um ascetismo qualquer, este homem abdicara de todos os fins, a que a sua natureza o havia destinado. Naturalmente constituído para a ambição, gozava lentamente o não ter ambições nenhumas.
APÊNDICE 2.
... Este livro suave. É quanto resta e restará de uma das almas mais subtis na inércia, mais debochadas no puro sonho que tem visto este mundo. Nunca — eu o creio — houve criatura por fora humana que mais complexamente vivesse a sua consciência de si própria. Dandy no espírito, passeou a arte de sonhar através do acaso de existir.
Este livro é a biografia de alguém que nunca teve vida’... De Vicente Guedes não se sabe nem quem era, nem o que fazia, nem este livro não é dele: é ele. Mas lembremo-nos sempre de que, por detrás de tudo quanto aqui está dito, coleia na sombra, misterioso
Para Vicente Guedes ter consciência de si foi uma arte e uma moral; sonhar foi uma religião.
Ele criou definitivamente a aristocracia interior, aquela atitude de alma que mais se parece com à própria atitude de corpo de um aristocrata completo.
APÊNDICE 3
As misérias de um homem que sente o tédio da vida do terraço da sua vila rica são uma coisa; são outra coisa as misérias de quem, como eu, tem que contemplar a paisagem do meu quarto num 4º. Andar da Baixa, e sem poder esquecer que é ajudante de guarda-livros.
"Tout notaire a rêvé des sultanes"...
Tenho um prazer íntimo, da ironia do ridículo imerecido, quando, sem que alguém estranhe, declaro, nos actos oficiais, em que é preciso dizer a profissão: empregado no comércio. Não sei como inserto o meu nome vem assim no Anuário Comercial.
Epígrafe ao Diário:
Guedes (Vicente), empregado no comércio, Rua dos Retroseiros, 17-4º.
Anuário Comercial de Portugal
II. Matéria fragmentária da "Marcha Fúnebre para o Rei Luís Segundo Baviera"
APÊNDICE 4.
E para ti, ó Morte, vá a nossa alma e a nossa crença, a nossa esperança e a nossa saudação!
Senhora das Últimas Coisas, Nome Carnal do Mistério e do Abismo – alenta e consola quem te busca, sem te ousar procurar!
Senhora da Consolação, Lago ao luar, entre rochedos, Longe da lama e da poluição da Vida!
Virgem-Mãe do Mundo absurdo, forma do Caos incompreendido, alastra e estende o teu reino sobre todas as coisas — sobre as flores que pressentem que murcham, sobre as feras que estremecem de velhas, sobre as almas que nasceram para te amar entre o erro e a ilusão da vida!
A vida, espiral do Nada, infinitamente ansiosa por o que não pode haver.
APÊNDICE 5.
Trazei vós o pálio de ouro e morte, cavaleiro da decifração inútil. A sangue e rosas lembrai o sonho inútil que se estiolou nos jarros, antes da mão branca que os soltasse. Pisai leve, como arauto das sedas, a sala queda, no antebrilho do tédio, na hora mortiça dos candelabros claros, no charão das pedrarias fechadas à chave e aborrecimento.
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