Richard Monk irrompeu na conversa. “Stone, o que ainda não sabe é que o Ébola é replicável. Isso não foi mencionado na reunião. O Wesley Drinan confidenciou-nos que é possível que pessoas com os equipamentos e conhecimentos adequados possam produzir mais. A última coisa de que precisamos é de um grupo desconhecido de pessoas às voltas com um vírus Ébola pronto a servir de arma, a tentar armazenar reservas.”
Luke olhou novamente para Susan.
“Aceite esta missão,” Pediu Susan. “Descubra o que aconteceu à mulher que desapareceu. Descubra o Ébola desaparecido. Quando regressar, se ainda se quiser retirar, nunca mais lhe peço nada. Iniciámos um percurso juntos há alguns dias. Aceite esta última missão e nunca mais o incomodarei.”
O olhar de Susan sustentou o de Luke até ao fim. Ela era uma política típica em muitos aspetos. Quando tentava chegar a alguém, tocava-o. Era muito difícil dizer-lhe não.
Luke suspirou. “Posso partir de manhã.”
Susan anuiu em concordância. “Já temos um avião à sua espera.”
Os olhos de Luke dilataram-se, surpreendidos. Respirou fundo.
“Ok,” Conseguiu finalmente articular. “Mas antes tenho que reunir algumas pessoas da Special Response Team. Estou a pensar no Ed Newsam, no Mark Swann e na Trudy Wellington. O Newsam está de baixa neste momento, mas tenho a certeza de que se junta à equipa se lhe pedir.”
Susan e Monk entreolharam-se.
“Já entrámos em contato com o Newsam e o Swann,” Replicou Monk. “Ambos concordaram e já estão a caminho do aeroporto. No entanto, lamentamos, mas a Trudy Wellington não poderá integrar a equipa.”
Luke torceu o nariz. “Ela não aceitou?”
Monk fitou um bloco de notas amarelo que segurava nas mãos. Nem se deu ao trabalho de olhar para Luke. “Não sabemos porque não entrámos em contato com ela. Infelizmente, recorrer à Wellington está fora de questão.”
Luke virou-se para Susan.
“Susan?”
Agora Monk ergueu o olhar. Entremeava o olhar entre Luke e Susan. Falou novamente antes de Susan ter a oportunidade de se pronunciar.
“A Wellington não é de confiança. Era amante do Don Morris. Não há hipótese dela integrar esta operação. Ela já nem vai estar ao serviço do FBI daqui a um mês e pode ter que enfrentar uma acusação de traição até lá.”
“Ela disse-me que não sabia de nada,” Atirou Luke.
“E acreditou nela?”
Luke nem se deu ao trabalho de responder àquela pergunta. Não sabia a resposta. “Quero ela,” Limitou-se a dizer.
“Ou?”
“Esta noite, deixei o meu filho a olhar para um robalo riscado no assador, um robalo que pescámos juntos. Posso retirar-me a partir deste preciso momento. Até que gostei ser professor. Estou ansioso para voltar às aulas. E estou ansioso por ver o meu filho a crescer.”
Luke olhou para Monk e Susan. E eles devolveram-lhe o olhar.
“Então?” Perguntou. “Que me dizem?”
11 de Junho
02:15
Ybor City, Tampa, Flórida
Era um trabalho perigoso.
Tão perigoso que ele nem sequer gostava de sair do piso onde se encontrava o laboratório.
“Sim, sim,” Disse ao telefone. “Temos quatro pessoas neste momento. Teremos seis quando um novo turno se iniciar. Esta noite? É possível. Não quero prometer demasiado. Ligue-me por volta das 10:00 e aí já teremos uma ideia mais concreta.”
Ouviu por um momento. “Bem, diria que uma carrinha é suficientemente grande. Esse tamanho pode facilmente encostar ao cais de carga. Estas coisas não estão ao alcance do olho humano. Até triliões não ocupam muito espaço. Se tivermos que o fazer, é possível que tudo caiba na bagageira de um carro. Mas sugeria dois carros. Um para a estrada e um para o aeroporto.”
Desligou o telefone. O nome de código do homem era Adam. O primeiro homem porque ele era o primeiro homem a fazer aquele trabalho. Tinha completa noção dos riscos, mesmo que outros não tivessem. Só ele tinha conhecimento da total dimensão do projeto.
Via o chão do pequeno armazém através da grande janela do escritório. Trabalhavam sem parar divididos em três turnos. As pessoas que agora ali se encontravam, três homens e uma mulher, usavam fatos brancos de laboratório, óculos, máscaras de ventilação, luvas de borracha e calçado próprio.
Os trabalhadores tinham sido selecionados pelos seus conhecimentos básicos de microbiologia. O seu trabalho era aumentar e multiplicar um vírus através do meio de alimentação fornecido por Adam, depois liofilizar as amostras para posterior transporte e transmissão pelas vias respiratórias. Era um trabalho aborrecido mas simples. Qualquer assistente de laboratório ou estudante do segundo ano de bioquímica estaria apto para o desempenhar.
O horário de vinte e quatro horas significava que as reservas de vírus liofilizados estavam a aumentar muito rapidamente. Adam fornecia aos seus chefes um relatório a cada seis ou oito horas, e sempre se manifestavam agradados com o ritmo a que o trabalho progredia. No dia anterior, o seu agrado começara a dar lugar a satisfação. O trabalho estaria terminado em breve, talvez ainda hoje.
Adam sorriu ante essa perspetiva. Os seus chefes estavam muito satisfeitos e pagavam-lhe muito, muito bem.
Sorveu café de um copo descartável e continuou a observar os seus trabalhadores. Já perdera a noção da quantidade de café que consumira nos últimos dias. Muito, com toda a certeza. Os dias começavam a distorcer-se numa amálgama comum. Quando ficava exausto, deitava-se na pequena cama do seu escritório e dormia por um bocado. Usava o mesmo equipamento de proteção dos trabalhadores que se encontravam no laboratório. Já não o tirava há dois dias e meio.
Adam dera o seu melhor para construir um laboratório improvisado num armazém alugado. Tinha dado o seu melhor para proteger os trabalhadores e ele próprio. Tinham roupa de proteção. Havia uma sala na qual se despiam no fim de cada turno e havia chuveiros para se lavarem de quaisquer resíduos.
Mas também havia que ter em consideração os recursos e os constrangimentos temporais. Tudo tinha que ser feito rapidamente e claro que ainda se colocava a questão da confidencialidade. Ele sabia que os equipamentos de proteção não estavam de acordo com os padrões preconizados pelos Centros Americanos de Controlo de Doenças – mesmo que tivesse um milhão de dólares e seis meses para construir o laboratório, não estariam conformes.
A verdade é que tinha construído o laboratório em menos de duas semanas. Estava situado numa zona acidentada de velhos armazéns, bem no centro de um bairro há muito procurado pelos imigrantes cubanos e outros que se instalavam nos Estados Unidos.
Ninguém daria qualquer atenção àquele lugar. Não havia qualquer sinalização no edifício e estava amalgamado entre tantos outros edifícios idênticos. A renda estava paga para os próximos seis meses, apesar de só necessitarem de o utilizar por um curto período. Tinha o seu próprio pequeno parque de estacionamento e os trabalhadores chegavam e iam embora como os trabalhadores de qualquer armazém e fábrica – em intervalos de oito horas.
Os trabalhadores eram bem pagos em dinheiro e poucos falavam inglês. Os trabalhadores sabiam o que fazer com o vírus, mas não sabiam exatamente o que manuseavam ou porquê. Uma rusga policial era altamente improvável.
Ainda assim, deixava-o nervoso estar tão próximo do vírus. Quando esta parte do trabalho terminasse ficaria aliviado, depois receberia o pagamento e evacuaria o local como se nunca ali tivesse estado. Depois disso, apanharia um voo para a costa oeste. Para Adam, este trabalho tinha duas partes. Uma ali e outra… noutro lado qualquer.
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