Daniel recuou um pouco, para poder ver o rosto dela. “Você é linda, sabia?”, ele disse. “Não sei se lhe digo isso o bastante”.
Emily notou as entrelinhas do que ele estava dizendo. Referia-se àquele momento na loja, quando não lhe disse que a amava também. Estava tentando consertar as coisas agora, elogiando-a. Não era exatamente a mesma coisa, mas ela ficou feliz em ouvir, de todo modo.
“Obrigada”, murmurou. “Você também não é de se jogar fora”.
Daniel sorriu, com o sorriso torto que Emily amava tanto.
“Estou feliz por tê-la conhecido”, ele continuou. “Minha vida agora, comparada ao que era antes de você, é quase incompreensível. Você virou tudo de cabeça para baixo”.
“De um jeito bom, espero”, Emily disse.
“Da melhor maneira”, Daniel garantiu.
Emily sentiu o rosto ficar rosado. Apesar de gostar de ouvir Daniel dizer essas palavras, ainda estava tímida, ainda um pouco insegura sobre em que pé eles estavam, e sem saber ao certo o quanto podia se aproximar, considerando toda a instabilidade em relação à pousada.
Daniel parecia estar lutando para dizer as próximas palavras. Emily o observava impaciente, com um olhar encorajador.
“Se você fosse embora, não sei o que eu faria”, Daniel disse. “Na verdade, sei. Dirigiria até Nova York para estar com você novamente”. Ele pegou a mão dela. “O que estou dizendo é, fique comigo. Certo? Seja lá onde for, que seja comigo”.
As palavras de Daniel tocaram Emily profundamente. Havia tanta sinceridade nelas, tanta ternura. Não era amor que ele estava comunicando, mas outra coisa, algo parecido ou ao menos tão importante quanto. Era um desejo de estar com ela, não importa o que acontecesse com a pousada. Ele estava abolindo o cronômetro, dizendo que não se importava se ela não tivesse sucesso até o Quatro de Julho, que ele ainda estaria lá para ela.
“Farei isso”, Emily disse, levantando os olhos para ele, em adoração. “Podemos permanecer juntos. Haja o que houver”.
Daniel beijou Emily profundamente. Ela sentiu seu corpo se aquecer em resposta a ele, e o calor entre os dois aumentou. Então, Daniel se levantou e estendeu-lhe a mão. Ela mordeu o lábio e pegou a mão dele, seguindo-o com ardente expectativa enquanto a levava até o quarto.
A noite passada foi exatamente o que tanto Emily quanto Daniel precisavam. Às vezes, ambos ficavam tão exaustos com todo o trabalho duro na pousada que era fácil deixar coisas assim escaparem. Então, não foi surpresa quando continuaram dormindo depois que o despertador tocou, alertando que já eram oito horas da manhã. Emily, em particular, tinha muito sono acumulado.
Quando os dois finalmente acordaram – num horário que agora parecia absurdamente tarde: 9 horas – decidiram que seria melhor aproveitar um pouco mais de tempo na cama, já que havia sido tão bom sob os lençóis na noite anterior.
Finalmente, acordaram por volta das dez, mas ainda então, degustaram um longo e preguiçoso café da manhã antes de finalmente admitir que tinham que retornar para a casa principal e continuar o trabalho nos quartos novos.
“Ei, olhe”, Daniel disse, enquanto fechava a porta da casa atrás deles. “Tem um carro na entrada”.
“Outro hóspede?” Emily perguntou.
Começaram a caminhar juntos, de mãos dadas, pelo caminho de cascalho. Emily olhou para a casa, onde podia ver uma mulher com cabelos negros brilhantes de pé no terraço, com várias malas ao seu lado, tocando a campainha.
“Acho que você tem razão”, Daniel disse.
Emily engoliu em seco, subitamente percebendo quem estava ali parada.
“Ah, não, me esqueci de Jayne!” ela gritou. Conferiu o relógio. Onze horas. Jayne havia dito que chegaria às dez. Ela esperava que sua pobre amiga não tivesse passado uma hora inteira ali tocando a campainha.
“Jayne!” ela chamou, correndo pelo caminho de cascalho. “Sinto tanto! Estou aqui!”
Jayne virou-se ao ouvir seu nome. “Em!” gritou, acenando. Quando notou Daniel se aproximando, apenas alguns passos atrás, suas sobrancelhas se levantaram, como para dizer, “Quem é este cara?”
Emily chegou até ela e as duas se abraçaram.
“Você está aí de pé há uma hora?” perguntou, preocupada.
“Ah, para com isso, Emily. Você não me conhece? É claro que não cheguei aqui na hora. Cheguei uns 45 minutos atrasada!”
“Ainda assim”, Emily disse, desculpando-se. “Quinze minutos ainda é muito tempo para ficar parada em pé no terraço de alguém.
Jayne bateu no piso com o salto da sua bota. “Um terraço robusto, sólido. Fez um bom trabalho”.
Emily riu. Nesse momento, Daniel se aproximou.
“Jayne, este é Daniel”, Emily disse apressadamente, sabendo que não tinha outra escolha a não ser apresentá-lo agora.
Daniel apertou educadamente a mão de Jayne, mesmo enquanto ela o olhava de cima a baixo como se fosse um pedaço de carne.
“Prazer em conhecê-la”, ele disse. “Emily me falou tudo sobre você”.
“Falou?” Jayne disse, suas sobrancelhas levantando-se. “Porque ela não me contou nada sobre você. É um segredo bem guardado, Daniel”.
Emily ficou vermelha. Jayne não era de sutilezas e não costumava manter a boca fechada, quando realmente deveria. Só esperava que Daniel não procurasse um significado naquelas palavras e tirasse conclusões equivocadas.
“Quer que lhe ajude com as malas?” ele perguntou.
“Sim, por favor”, Jayne replicou.
No momento em que Daniel se abaixou para pegar as malas, ela esticou o pescoço para dar uma conferida nas suas costas. Então, olhou para Emily e fez um ar de aprovação. Emily se encolheu.
“Deixe-me pegar estas”, Emily disse rápido, tirando Daniel do caminho e pegando as malas. “Uau, Jayne, como estão pesadas! O que você trouxe?”
“Ah, você sabe”, Jayne disse. “Dois looks por dia – um para o dia e outro para a noite – mais um extra para um jantar formal, só para garantir. Lingerie, é claro. Máscaras faciais, hidratantes, bolsa de maquiagem e pinceis, esmalte, secador, modelador de cachos...”
“Você realmente precisava trazer um secador de cabelo e um modelador?” Emily questionou, arrastando as malas pelo limiar da porta.
“... e chapinha”, Jayne acrescentou. “Nunca se sabe qual será a vibe”. Ela riu maliciosamente para Emily.
“Emily”, Daniel disse, “você parece estar sofrendo. Por que não me deixa levar as malas até o quarto de Jayne, lá em cima?”
“Obrigada, Daniel”, Emily disse, bloqueando estrategicamente a visão de Jayne do traseiro dele enquanto se abaixava. “Por que não as coloca no Quarto Um, por favor?”
O quarto de hóspedes original, o Quarto Um, foi carinhosamente apelidado de quarto Sr. Kapowski por Daniel e Emily, mas, no momento, ela não sentiu vontade de mergulhar naquela história em especial. Sabia que soava estranho, rígido e formal pedir para ele colocar as malas no Quarto Um, mas, naquele momento, não ligava; seu único foco era colocar Daniel em segurança e longe de Jayne o mais rápido possível, de preferência evitando que ela comesse com os olhos a bunda dele enquanto subia as escadas. O quarto mais afastado da casa parecia estar a uma boa distância.
Emily se virou para Jayne. “Deixe-me mostrar a pousada a você”; Ela levou a amiga até a sala de estar.
“Ah, meu Deus!” Jayne exclamou antes que a porta sequer se fechasse atrás delas. “Esse é o cara novo em sua vida? Diga que não é! Sério? Por que não falou nada? Por que não está telefonando para todo mundo que já conheceu, incluindo sua professora do maternal e o carteiro, para dizer que está namorando um lenhador gostoso?”
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