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Após um longo dia visitando casas e locais para o casamento, Emily precisava de uma soneca na pousada. Ela estava começando a ficar incrivelmente cansada nessas últimas semanas de gravidez, mas sabia que teria que se acostumar com isso, porque quando a bebê Charlotte nascesse, só pioraria!
Ela cochilou na cama, entrando e saindo do sono, aproveitando a oportunidade de uma casa vazia para deixar os cachorros dormirem no final da cama – algo que geralmente era proibido. Ela leu o folheto do spa no Quebec, refletindo sobre como iria passar a ideia para Daniel. Então se lembrou de uma promessa que fizera a Chantelle: convidar o Vovô Roy para o Natal.
Quando Chantelle pediu, ela não tivera coragem de contar que o pai não entrava em contato há vários dias e que as mensagens de voz que deixara para ele não haviam sido respondidas. Na verdade, ela percebia agora, não tinha coragem de admitir isso para si mesma. Ela anulou esses pensamentos completamente, não querendo sequer considerar por uma fração de segundo o que isso poderia significar; que seu pai havia falecido. Até mesmo agora, não se permitia pensar nisso. Ele tinha Vladi, seu amigo íntimo, para cuidar dele, e ela fez o idoso grego prometer ligar se algo acontecesse. Preferia acreditar que Roy estava em alguma aventura, se divertindo muito para notar a passagem dos dias.
Pegou seu laptop e escreveu um e-mail rápido. A abordagem por telefone claramente não funcionava, e mesmo que ele fosse muito menos responsivo com os e-mails, parecia uma boa ideia mudar de tática.
Querido Papai,
Liguei algumas vezes, mas não obtive resposta, o que, presumo, significa que você está aproveitando ao máximo o clima grego e navegando com Vladi! Chantelle está perguntando se você virá no Natal. Eu sei que você deixou claro que não queria voar, especialmente para um lugar tão frio quanto o Maine, mas, por favor, considere isso. Você sabe que você é pessoa favorita no mundo para ela!
Com todo meu amor,
Emily.
Ela clicou em enviar e percebeu que seu rosto estava molhado pelas lágrimas. Ela enxugou-as.
Enquanto guardava seu laptop, ouviu o som da porta da pousada se fechando. Provavelmente Lois estava prestes a começar seu curto turno na mesa da recepção, ou era Bryony se instalando em seu posto de trabalho habitual no salão de visitas para trabalhar nos anúncios de inverno. Mas então ouviu passos subindo as escadas, pesados e rápidos, e os reconheceu imediatamente como sendo de Daniel.
“Mogsy! Chuva! Fora da cama!” disse ela apressadamente, tentando afugentá-los. Tarde demais. A porta se abriu.
“Olá, querida!” exclamou Daniel, sorrindo de orelha a orelha.
“O que você está fazendo em casa tão cedo?” perguntou ela, animadamente surpresa, mas também culpada.
Como se não se importasse com nada no mundo, Daniel entrou e sentou no final da cama, acariciando Chuva.
“Jack está na carpintaria esta tarde,” disse ele enquanto acariciava a longa orelha do cão. “Tivemos uma enorme encomenda para uma escadaria de contos de fadas para um bar mitzvah e, bem, você conhece Jack, ele aceita qualquer desculpa para estar no trabalho, em vez de ficar em casa.”
“Toda essa coisa de aposentadoria não dá certo com ele, não é?” riu Emily, voltando seu olhar para a cadela, em seguida, para Daniel.
“Não,” riu Daniel em resposta.
Mogsy choramingou por atenção, e ele segurou o rosto dela com ambas as mãos e beijou-a no alto da cabeça.
“Ainda bem que você abrirá sua própria loja em breve,” disse Emily, ainda um pouco desconcertada porque Daniel não a repreendera por deixar os cachorros na cama. “Você já contou a ele?”
“Ainda não. Mas eu, sinceramente, não acho que ele irá se importar. Isso lhe dará uma desculpa para dizer à esposa que precisa voltar ao trabalho. Ela pode pensar em mim como um vilão por um tempo, mas Jack provavelmente será muito grato!”
“Por favor, não vamos ser assim depois de trinta anos de casamento.”
Daniel riu. “De jeito nenhum. Eu não consigo ver nenhum de nós se aposentando. E você?”
“Bem observado,” disse Emily. Ela estreitou os olhos, ainda sem saber o que estava acontecendo. “Você está de muito bom humor.”
“Estou?”
“Sim. Você nem mencionou os cachorros na cama.”
Daniel ficou surpreso como se nem tivesse percebido que eles estavam lá. “Ah!” Mas ele apenas deu de ombros. “É hora de ir buscar Chantelle. Você quer que eu vá? Se você não estiver se sentindo muito bem?”
“Não, não, eu quero ir,” respondeu Emily. “Quem sabe quantas vezes eu perderei isso quando Charlotte nascer. Pense em Suzanna e o bebê Robin. Eu quase nunca a vejo ultimamente. Eu quero aproveitar ao máximo as coisas agora, como elas estão.”
Ele ajudou-a a ficar de pé. Emily sentiu-se muito grogue, como se sua soneca não tivesse ajudado em nada.
Eles desceram as escadas, Daniel segurava a mão de Emily enquanto ela dava passos cuidadosos. Era incrível o quanto ficava cada vez mais assustador lidar com uma grande escadaria agora que ela estava prestes a explodir. E pensar que não faz muito tempo que ela subia e descia estes degraus com facilidade! Agora eles pareciam muito íngremes.
Lá fora, o tempo estava ainda mais ameno do que naquela manhã.
“Como foi o passeio com Amy?” perguntou Daniel enquanto a ajudava a entrar no carro.
“Foi ótimo. Ela não gostou de nenhuma das três lindas casas que vimos, nem de nenhum dos extraordinários locais para casamento. Mas, agora que você falou, lembrei que ela encontrou esse spa de babymoon para nós no Quebec. Eu sei que você provavelmente não vai querer ir, mas talvez possamos pensar sobre isso.”
“O que há para pensar?” exclamou ele. “Vamos lá!”
Agora Emily ficou realmente surpresa. Normalmente Daniel precisava um pouco de persuasão. Ela realmente o pegara de ótimo humor.
“Você está se sentindo bem?” perguntou ela, meio que brincando.
“Estou me sentindo muito bem,” respondeu Daniel, rindo. “Estou feliz por ter tido um pouco de tempo extra com minha esposa esta tarde, só isso.”
“Isso é tão doce,” confessou Emily, comovida por pensar que sua presença poderia causar-lhe essa felicidade. “Então você realmente quer sair em uma babymoon?”
“Claro,” ele disse, dando de ombros. “Contanto que Chantelle não se importe. Ei, que tal levá-la para passear no barco esta tarde para amenizar o golpe? Afinal está fazendo 15 graus!”
“Eu pensei que Clyde, Stu e Evan estivessem trabalhando na ilha hoje. Não estão?”
Daniel sacudiu a cabeça. “Eles estão usando a traineira de aluguel hoje. Eles a levaram ao longo da costa para Beals. Há uma grande empresa de materiais de construção lá, mas os materiais são pesados demais para a cabine. O que significa que está livre para nós.”
“Nesse caso, iremos,” concordou Emily. Ela também adorava passeios de barco, e qualquer chance de ver a ilha era bem-vinda, considerando que o tempo poderia mudar a qualquer momento. Parecia um golpe de sorte que a oportunidade se apresentasse. Emily seria uma idiota em recusar!
Eles chegaram na escola, parando no estacionamento antes de sair da caminhonete. Um momento depois, as portas se abriram e as crianças desciam apressadamente os degraus. Chantelle apareceu, seus olhos examinando o estacionamento à procura do carro de Emily. Mas em vez disso, ela encontrou a caminhonete e, pela sua expressão, ficou claro que ela estava emocionada ao ver seu pai inesperadamente buscando-a. Ela correu na direção deles.
“Papai,” exclamou Chantelle, abraçando-o. “O que você está fazendo aqui?”
“Levando minha garota especial para uma viagem de barco para a nossa ilha, é isso,” disse Daniel. “O que acha? Quer fazer uma viagem de barco?”
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