Blake Pierce - A próxima porta

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Uma obra-prima de suspense e mistério. Pierce fez um trabalho magnífico criando personagens com lados psicológicos tão bem descritos que nos fazem sentir dentro de suas mentes, acompanhando seus medos e celebrando seu sucesso. A história é muito interessante e vai lhe entreter durante todo o livro. Cheio de reviravoltas, este livro vai lhe manter acordado até que você chegue à última página. Books and Movie Reviews, Roberto Mattos (sobre Once Gone) A PRÓXIMA PORTA (Um mistério de Chloe Fine) é a mais nova série de suspenses psicológicos do autor de best-sellers Blake Pierce, cujo sucesso número 1 Once Gone (baixe grátis) recebeu mais de 1. 000 avaliações de cinco estrelas. Funcionária da Equipe de Evidências do FBI, Chloe Fine, 27, é forçada a enfrentar seu passado obscuro quando sua problemática irmã gêmea precisa de ajuda – e quando um corpo aparece morto em seu pequeno bairro. Chloe sente que a vida está finalmente perfeita quando volta para sua cidade natal, em uma nova casa, com seu noivo. Sua carreira no FBI parece promissora, e seu casamento está por vir. Mas ela aprende que nem tudo é o que parece. Chloe comece a enxergar o outro lado – as fofocas, os segredos – as mentiras – e acaba encontrando-se caçada por seus próprios demônios: a morte misteriosa de sua mãe, quando ela tinha 10 anos, e a prisão de seu pai. Quando um corpo é encontrado morto, Chloe logo percebe que seu passado, em sua pequena cidade, pode ser a chave para desvendar os dois crimes. Um suspense psicológico repleto de emoção com personagens robustos, em um ambiente de cidade pequena e que acelera o coração. A PRÓXIMA PORTA é o livro 1 de uma nova série fascinante, que o fará ler páginas e páginas noite adentro. O livro 2 da série CHLOE FINE também já está disponível em pré-venda.

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- Nossa.

O silêncio pairou ente elas enquanto Danielle ligou a cafeteira. Chloe viu a irmã se mover pela cozinha, um pouco assustada ao ver que ela não havia mudado. Parecia a mesma garota de dezessete anos que tinha saído de casa com a esperança de criar uma banda, contrariando o sonho de seus avós. Tudo parecia igual, até a cara de sono.

- Você soube algo do pai ultimamente? – Chloe perguntou.

Danielle apenas balançou a cabeça.

- Pelo seu trabalho, acho mais fácil você saber de algo. Se tiver algo para saber.

- Parei de procurar há um tempo.

- Um brinde a isso! – Danielle disse, cobrindo seu pequeno bocejo com a mão.

- Você parece cansada – Chloe disse.

- Estou. Mas não com sono. O médico tinha me dado um desses estabilizadores de humor. Isso acabou com meu sono. E quando você cuida do bar e quase nunca dorme antes das três da manhã, a última coisa que você precisa é um remédio que fode com seu sono.

- Você disse que o médico tinha te dado. Você não está mais tomando?

- Não. Eles estavam fodendo meu sono, meu apetite e meu libido. Desde que parei, me sinto muito melhor... só que estou sempre cansada.

- Por que ele te passou esse remédio? – Chloe perguntou.

- Pra lidar com minha irmã intrometida – Danielle disse, em uma meia-brincadeira. Ela esperou um pouco até dar uma resposta honesta. – Eu estava começando a ficar um pouco depressiva. E isso estava vindo do nada. E eu lidei com isso de alguns jeitos... idiotas. Bebendo. Fazendo sexo. Vendo Fixer Upper.

- Se era para depressão, você deveria voltar a tomar – Chloe disse, percebendo que estava sendo mesmo intrometida. – E para quê você precisa de libido, mesmo? – Perguntou com uma risadinha.

- Para quem não está prestes a se casar, isso é muito importante. Você não consegue simplesmente deitar na cama e transar sempre que quiser.

- Você nunca teve problemas para arranjar uns caras antes – Chloe disse.

- E ainda não tenho – Danielle respondeu, trazendo as xícaras de café para a mesa. – Mas tenho trabalhado muito. Ultimamente mais ainda. E esse último... é um cara sério. Nós decidimos ir devagar... enfim.

- É só por isso que estou casando com o Steven, você sabe – Chloe disse, tentando entrar na brincadeira com a irmã. – Cansei de ter que sair e procurar por sexo.

As duas riram. O sorriso e as risadas deveriam ter parecido naturais, mas algo pareceu forçado.

- Mas então, o que foi, mana? – Danielle perguntou. – Não é do seu tipo aparecer do nada. Não que eu saberia, já que faz quase dois anos que não conversamos.

Chloe assentiu, relembrando a única vez em que elas haviam passado algum tempo juntas nos últimos anos. Danielle estivera na Filadélfia em um show e havia ficado no apartamento dela. Elas conversaram um pouco, não muito. Danielle bebera muito e havia dormido no sofá. Elas chegaram a falar sobre sua mãe, e também sobre o pai. Fora a única vez em que Chloe escutara Danielle falar abertamente sobre querer visitá-lo.

- Aquela cena hoje de manhã, - Chloe disse, - me fez pensar naquela manhã, do lado de fora do apartamento. Eu fiquei pensando no sangue na escada e isso mexeu comigo. Pensei que ia vomitar. E eu não sou assim, sabe? A cena em si era boba comparada a outras coisas que eu já vi. Mas aquilo me atingiu com força. Me fez pensar em você e eu tinha que te ver. Faz sentido para você?

- Sim. Os estabilizadores de humor... Tenho certeza que toda a depressão estava vindo dos pesadelos que eu estava tendo com a mãe e o pai. Eu tinha o pesadelo e ficava mal vários dias. Tipo, não queria sair da cama porque não confiava em mais ninguém no mundo.

- Bem, eu ia perguntar como você lida com isso quando pensa no que aconteceu, mas acho que já tenho a resposta.

Danielle assentiu e desviou o olhar.

- Com remédios.

- Você está bem?

Danielle encolheu os ombros, mas parecia querer mostrar o dedo do meio para Chloe.

- Faz dez minutos que estamos juntas e você já tocou no assunto. Meu Deus, Chloe... Você ainda não aprendeu a viver sua vida sem falar dessa merda? Se você lembrar, quando você me ligou para me dizer que estava se mudando para Pinecrest, nós decidimos não falar sobre isso. Águas passadas, lembra?

Chloe foi pega de surpresa. Ela viu Danielle mudar de seca e sarcástica para absolutamente furiosa em um piscar de olhos. Com certeza o assunto de seus pais era complicado, mas a reação de Danielle foi totalmente bipolar.

- Há quanto tempo você parou com os remédios? – Chloe perguntou.

- Vá se foder.

- Quanto tempo?

- Três semanas, mais ou menos. Por quê?

- Porque faz só quinze minutos que eu estou aqui e eu já posso ver que você precisa deles.

- Obrigada, doutora.

- Você pode voltar a tomar, por favor? Quero você no meu casamento. Dama de honra, lembra? Por mais egoísta que pareça, eu queria que você gostasse. Então, por favor, você pode voltar a tomar os remédios?

A menção à dama de honra mexeu com algo em Danielle. Ela suspirou e depois relaxou a postura. Ela conseguiu olhar novamente para Chloe e, mesmo que ainda brava, pareceu um pouco mais animada.

- Tudo bem – ela disse.

Ela levantou-se da mesa e foi até a cesta de vime decorativa no balcão da cozinha. Pegou uma caixa de remédios, tirou uma pílula e engoliu com seu café.

- Obrigada – Chloe disse. Depois, pressionou um pouco mais, sentindo que havia mais algo. – E de resto, tudo bem?

Danielle pensou por um momento e Chloe flagrou seu olhar rápido para a porta do apartamento. Foi algo rápido, mas havia medo nele—Chloe tinha certeza.

- Sim, tudo bem.

Chloe conhecia a irmã bem o suficiente para não insistir.

- Então, mas e qual é a dessa festa do bairro? – Danielle perguntou.

Chloe riu. Ela havia quase se esquecido da habilidade de Danielle de mudar de assunto com a elegância de um elefante comprado em uma loja chinesa. E, assim, o assunto mudou. Chloe olhava para a irmã, para perceber se ela voltaria a olhar para a porta com medo nos olhos, mas aquilo não voltou a acontecer.

Ainda assim, Chloe sabia que havia algo. Talvez depois de algum tempo juntas, Danielle contaria.

Mas o que será? Chloe imaginou, olhando ela mesma para a porta.

E foi quando percebeu que não conhecia mesmo sua irmã. Havia partes dela que eram iguais à garota de dezessete anos que Chloe conhecia tão bem. Mas havia algo novo na Danielle de agora... algo obscuro. Algo que precisava de remédios para controlar o humor e para ajudá-la a dormir.

Chloe percebeu, naquele momento, que estava assustada pela irmã e que queria ajudá-la da maneira que pudesse.

Mesmo que isso significasse mexer no passado.

Mas não agora. Talvez depois do casamento. Só Deus sabia que tipos de discussões e mudanças de humor falar sobre a morte da mãe e a prisão do pai poderiam trazer. Ainda assim, Chloe sentiu os fantasmas do passado mais fortes do que nunca enquanto estava sentada com Danielle, e aquilo a fez pensar em quanto esses mesmos fantasmas perseguiam sua irmã.

Que tipos de fantasmas rondavam a cabeça de Danielle? E o que exatamente eles estavam dizendo para ela?

Ela sentiu, como sentia uma tempestade vindo, que fosse qual fosse o problema de Danielle, ele a envolveria. Sua nova vida. Seu noivo. Sua nova casa.

E aquilo tudo poderia não terminar nada bem.

CAPÍTULO CINCO

Danielle estava no sofá, encostada em Martin, com as pernas sobre as dele, e sabia que não estava vestindo uma calcinha por baixo do pijama. Não que importasse. De certo modo, ele havia a rejeitado na noite anterior, mesmo sem sutiã e com a calcinha provocante. Parecia que Martin estava levando mesmo a sério a questão de levar as coisas com calma.

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