O plano era que apenas um deles voltaria desse trabalho. A esperança deles era que, quando Vincent entregasse o dispositivo a Masters, o demônio estaria concentrado no dispositivo que, obviamente, era uma arma contra sua espécie, e não viria atrás dela de imediato, dando-lhe tempo de obter o feitiço de que ela precisava para neutralizar o sÃmbolo que Masters havia colocado nela.
Eles haviam roubado facilmente o objeto que, para ela, lembrava muito um Cubo de Rubik metálico de dez lados que era coberto de sÃmbolos dourados em vez de cores. Enquanto estavam lá, eles abateram os guardas e roubaram suas armas. Vincent tinha, então, se virado e feito um pequeno discurso de "adeus, querida amiga", dando-lhe um rápido beijo na bochecha.
O problema surgiu quando eles fizeram o trajeto até a saÃda do museu, apenas para darem de cara com Masters e uma horda de demônios esperando por eles. Masters dera uma risada, dizendo que o sÃmbolo que ele deixara nela tinha lhe servido como aviso sobre o que ela estava planejando⦠remetendo diretamente ao fato de que ela era neta do Camaleão e estava correndo de volta para ele, onde havia toda uma série de fatores nos quais ele agora estava interessado⦠inclusive na esfera espiritual.
Masters havia, então, concordado com Vincent, agradecendo-lhe por mantê-la distraÃda e alheia ao verdadeiro poder do sÃmbolo.
Ela levantara os olhos para Vincent acusatoriamente, depois, arrancou o dispositivo da mão dele e torceu para ter certeza do que ela estava fazendo, quando começou a girá-lo rapidamente. Ela ficara obcecada por uma imagem do cubo antes de chegar ao museu para roubá-lo e utilizou essa memória para vincular rapidamente os dois sÃmbolos.
Um por um, os demônios começaram a cair agonizantes, menos o Masters⦠não, esse filho da mãe começou a caminhar bem na direção dela com um brilho furioso nos olhos.
Foi nesse instante que Vincent tinha se movido. Ela não percebera que ele havia retirado uma antiga lâmina do mesmo cofre secreto onde estivera o cubo, mas lá estava a lâmina na mão dele, que a comprimia contra a garganta do demônio. Em um movimento rápido, o demônio esticou completamente a mão para envolver o peito e as costas de Vincent.
"Corra", Vincent rosnou para ela, logo antes que ele fechasse os olhos e a cabeça do demônio caÃsse no chão ao lado dele.
Todos os outros demônios estavam olhando furiosamente em suas posições de decúbito ventral; então, ela pôs o cubo no chão perto dos pés e fez exatamente o que Vincent tinha mandado⦠ela correu feito louca.
Ela não tinha como saber se Masters tinha contado a ninguém o que ele sabia sobre ela e rezou para que o ganancioso filho da mãe não tivesse compartilhado seus segredos, temendo que outro demônio o atacasse por conta da lendária esfera espiritual. Seus pensamentos continuavam desviando-se novamente para Vincent, imaginando se ele estava bem ou se estava sendo torturado por sua participação quando a ajudou fugir.
Eles não poderiam matá-lo permanentemente, mas ela estava bem ciente de que havia muitas coisas piores do que permanecer morto⦠ser brutalmente assassinado por várias e várias vezes seria uma delas.
Ela olhou novamente para o próprio ombro, sabendo que precisava conseguir aquela magia e neutralizar o sÃmbolo para que o sacrifÃcio de Vincent não fosse em vão. Ela deixou que a água quente do chuveiro lavasse as lágrimas silenciosas de seu rosto enquanto ela renovava sua determinação.
No andar de cima, Ren parou de andar subitamente e olhou diretamente para baixo, ouvindo o bombeamento de água através do sistema. Um sorriso malicioso apareceu em seu rosto, quando ele percebeu que estava em pé bem acima do banheiro do térreo, onde Lacey estava. Seu olhar seguiu o som através da parede onde as tubulações que conduziam a água por todo o local desciam até o piso e entravam no abrigo antiaéreo.
Ela já ficara naquele banho por tempo suficiente e ele estava pronto para tentar novamente o interrogatório.
Caminhando sobre as tubulações, ele colocou a mão sobre a que ele queria e fechou os olhos, concentrando-se no medidor de temperatura do aquecedor de água. Seus lábios se descontraÃram em um sorriso satisfeito quando a camada de gelo apareceu sob seus dedos na tubulação de cobre. O grito que soou através do abrigo antiaéreo fez com que todos pulassem surpresos, exceto Ren.
No vapor do chuveiro, a temperatura da água tinha passado de escaldante para fria congelante em menos de um segundo, fazendo com que Lacey se encolhesse sob os jatos de água. No processo, ela deslizou pelo fundo escorregadio da banheira e tropeçou para fora, quase levando consigo a cortina do chuveiro.
"Lacey!", gritou Gypsy, apreensivamente.
Lacey desvencilhou-se da cortina de chuveiro e empurrou-a para o lado, grata porque ela não havia sido derrubada.
"Estou bem", gritou Lacey olhando para o chuveiro. "Você precisa de um novo aquecedor de água⦠a maldita temperatura simplesmente passou de escaldante para um frio congelante em menos de um segundoâ.
Gypsy franziu a testa do outro lado da porta, imaginando o que tinha causado esse efeito na água. Ela havia tomado um banho de hora logo cedo e a água quente estivera perfeita.
"Vou pedir ao Ren para verificar issoâ, replicou Gypsy através da porta fechada. "Ele tem um jeito de manipular as máquinas e fazê-las funcionar, mesmo depois que apresentaram algum defeito".
Lacey virou a cabeça e arregalou os olhos em direção à porta, ouvindo a explicação de Gypsy e soube imediatamente o que tinha acontecido.
"Isto significa guerraâ, sussurrou ela baixinho e, não tendo outra escolha, deu um passo para trás para sentir o jato dâágua congelante enxaguando do cabelo o restante do sabão.
Ren estava no andar de cima sentado no chão encostado na parede e com um largo sorriso no rosto. Momentos depois, ele ouviu passos na escada e não se preocupou em esconder o sorriso quando viu que era Nick.
"Eu sabiaâ, exclamou Nick em um sussurro forte. "Mas tenho que admitir⦠isso foi muito bomâ.
Ren deu um leve toque na tubulação fria ao lado dele: âEu realmente tenho meus momentosâ.
Nick deslizou a mão pelo cabelo: âEu devo tomar cuidado com dela⦠Gypsy acabou de dizer a ela que você leva jeito com as máquinasâ.
O sorriso de Ren ficou ainda mais largo: âBem, isso não é nenhuma vergonhaâ.
"Você está se divertindo demais", acusou Nick.
"Claro que estou", concordou Ren. "Agora vamos voltar a descer e ver se eu posso descobrir o que há de errado com o aquecedor de água irregular de Gypsyâ.
Nick irritou-se e balançou a cabeça quando Ren dirigiu-se novamente para o abrigo. Ele estava curtindo tanto o fato de que toda a atenção de Ren parecia estar concentrada agora em Lacey em vez de Gypsy.
Ren entrou na sala a tempo de ouvir o chuveiro parar de funcionar. Ele olhou para Gypsy, vendo que ela estava sentada no sofá com a testa franzida.
"O que há de errado?" perguntou Ren com uma expressão inocente.
"De repente, meu aquecedor de água parou de funcionar", explicou Gypsy e olhou para a porta do banheiro. "Lacey disse que ele ficou congelante em questão de segundosâ, e estalou os dedos.
"Deve ter enguiçado", disse Ren, fazendo com que Nick se virasse para evitar que Gypsy visse o sorriso largo no rosto.
Lacey estava tremendo quando saiu do chuveiro e enxugou-se rapidamente. Enrolando-se na toalha, ela caminhou até o espelho acima da pia e percebeu que estava com um aspecto bem melhor agora que não estava mais se escondendo sob uma camada de sujeira e roupas que eram grandes demais para ela.
Читать дальше