Teófilo Braga - Contos Phantasticos

Здесь есть возможность читать онлайн «Teófilo Braga - Contos Phantasticos» — ознакомительный отрывок электронной книги совершенно бесплатно, а после прочтения отрывка купить полную версию. В некоторых случаях можно слушать аудио, скачать через торрент в формате fb2 и присутствует краткое содержание. Жанр: foreign_antique, foreign_prose, на португальском языке. Описание произведения, (предисловие) а так же отзывы посетителей доступны на портале библиотеки ЛибКат.

Contos Phantasticos: краткое содержание, описание и аннотация

Предлагаем к чтению аннотацию, описание, краткое содержание или предисловие (зависит от того, что написал сам автор книги «Contos Phantasticos»). Если вы не нашли необходимую информацию о книге — напишите в комментариях, мы постараемся отыскать её.

Contos Phantasticos — читать онлайн ознакомительный отрывок

Ниже представлен текст книги, разбитый по страницам. Система сохранения места последней прочитанной страницы, позволяет с удобством читать онлайн бесплатно книгу «Contos Phantasticos», без необходимости каждый раз заново искать на чём Вы остановились. Поставьте закладку, и сможете в любой момент перейти на страницу, на которой закончили чтение.

Тёмная тема
Сбросить

Интервал:

Закладка:

Сделать

«Eu tive uma prima, não sei em que gráo, culpa das subtilezas canonicas. A pobre criança possuia uma morbidez voluptuosa no olhar, não os tirava de mim. A côr morena dizia tão bem com as linhas nitidas da physionomia arabe, que ella sabia animar com um ár doloroso de uma melancholia expressiva, que se lhe reflectia na face! Eu ficara orphão de mãe e costumara-me a brincar sósinho; ella procurava-me na minha solídão, sentava-se junto de mim; o seu olhar incommodava-me. Mas tinha medo de fugir-lhe, doía-me esta indifferença e para disfarçal-a trepava acima das arvores carregadas de fructos do pomar onde passavamos o verão, e de lá deixava cahir aquelles que mais se douravam com os raios do sol de agosto, os que me expunham a maiores perigos. Ella aparava-os no regaço com a affabilidade com que se queria associar aos meus folguedos.

«Afinal teve vergonha de mim; córava, escondia a face entre as mãos, ficava pensativa e depois fugia-me. N'este tempo contava eu algumas lições de desenho; os meus arabescos tinham uma frescura de innocencia, uma rudeza que parecia uma creação pura arte medieval. Eu tinha a monomania de esboçar cabeças. Não sei quem na familia, me pediu que fizesse o retrato d'ella. Fil-o. O caso deu-lhe uns longes de similhança, tive vergonha da verdade; quando ella me agradeceu com um sorriso timido, eu rasgava o papel com a crueldade de uma criança que brinca. Não a tornei a ver n'aquelle dia, escondera-se a chorar. Não tinha culpa d'esta frieza brutal; a falta de carinhos perdidos logo no berço, a verdade d'esse verso eterno de Virgilio:

Est mihi pater domi et injusta noverca

tornaram-me taciturno, incredulo antes de tempo. Ás vezes obrigavam-me a brincar com ella. Uma vez fômos todos banhar-nos no Atlantico. A pobre criança tambem foi. As marés eram gigantescas; era dia para mim de um orgulho immenso, gostava que me vissem nadar; mostrava uma superioridade minha. O acaso seguia-me o desejo. Uma onda envolveu no seu marulho a infeliz Branca; no refluxo levou-a comsigo. Desfalleceu de susto e foi levada pela vaga, como Ophelia na corrente. Quem sabe se ella no seu coração tecia alguma corôa para mim.

«Abracei-a pela primeira vez, impellido por uma força interior; sustive-a nos braços, estava fria, pallida. Quando abriu os olhos teve vergonha de mim; era já o pudor de senhora. Trouxe-a sem custo para a praia, e continuei em carreiras no dorso da vaga, que se encapellava. Fôra o meu primeiro passo para homem.

«N'esse mesmo dia brincámos, jogando o anel , um divertimento infantil, de que ainda guardo saudades. N'este folguedo de crianças o que tem o anel é sentenciado pelos demais a levar beijos e abraços, ou a dal-os, segundo o capricho. Tinha o anel a filha do feitor que brincava comnosco, Annita, uma rapariga de uma candura estreme. Branca pediu-lhe em segredo que ao percorrer a roda deixasse cair o anel entre as minhas mãos. Assim se deu. Um perguntava o que promettiam a quem tivesse o anel. Cada qual se lembrou de uma prenda innocente e insignificativa; Branca prometteu um beijo e um abraço muito apertado.

«Eu não devia contar-te mais, porque me sinto infame! Este beijo perdeu-a para sempre, como o beijo de Paulo e Francesca di Rimini. Branca foi crescendo, tornou-se formosa á luz de uma esperança fugitiva, como a flôr de um vaso, quando recebe, ao estiolar-se, o calor ephemero do ultimo raio do sol da tarde. Quando ella me sorriu com amargura, e córou de sua queda, sorri tambem por compaixão, illudi-a. Que fazer, se eu era tão novo, inconsciente, e queria divertir-me, gosar o mundo?

«Uma vez tinha eu voltado pela ante-manhã de uma festa louca. Dormia a somno solto, prostrado pela fadiga, esgotado da orgia desenfreada. Senti uma mão fria passar-me de leve nas faces, acordei.

«Era ella! Appareceu desmaiada, como a vi uma vez ao luar silencioso, com uma côr que lhe realçava a candidez, e disse-me:

– «Vim vêr-te na despedida do tumulo. Desde que adoeci nunca mais me appareceste. O esquecimento é frio e pesado como a lagem sepulchral. Eu não queria dizer-te isto, não quero magoar-te; perdôa. Olha, hoje acordei de um sonho tão lindo! deu-me forças para levantar-me do leito e vestir-me de branco para vir contal-o a ti só. Como não choraria minha mãe que me vela se o soubesse! Não sei se velava, se dormia; minha alma parecia voar, suspensa n'uma como cadencia, vaga, quasi imperceptivel, confundia-se com ella até perder-se no céo. Acordei de subito; restava-me só a illusão. Olhei em roda; a alampadasinha tornava a solidão pungente, augusta; pavoroso o silencio do meu quarto. Comecei a lembrar-me de ti, dos passados tempos; estava já na terra. Foi quando descobri a meu lado uma apparencia angelical, a falar-me de mansinho uma linguagem que eu mal entendia: que o Senhor o enviara para chamar-me. Eu não pude voar, voar com elle, e sinto agora que a alma me foge; venho dizer-te adeus.

– E o que lhe respondeste?

– Elle continuou:

«Disse-lhe que os sonhos mentiam sempre, que elles a matavam. – «Não são os sonhos que me matam, gemeu a desgraçada, é a realidade, a realidade. Bem o sabes, e esse que tudo vê. As recordações são para mim como um remorso. Que noites, que vigilias inteiras a pensar em ti! cada palavra tua, que eu decorava, era um poema de amor e esperança; ao repetil-as na mente diziam-me quanto a alma anceava, e mais ainda, mas enganaram-me sempre. Lembras-te d'aquella noite? Oh! meu Deus, meu Deus. Não sabes quanto me fizeste soffrer! Não conheceste a profundidade do golpe quando o descarregaste! Disseste-me essas palavras só para perder-me. É impossivel que isto te não dôa? Quando me appareceste n'aquella noite era o luar tão sereno, tudo confidenciava comnosco. Estava adormecida quando chegaste. Depois de me estreitares nos braços e beijares as faces geladas pelo rociar da noite, porque sorriste de um modo incomprehensivel? Descobriste-me que não casavas commigo, que outro havia polluido a minha candura! Era uma blasphemia brutal. Deixei-me cair em teus braços, sacrificando-te a virgindade para que a reconhecesses. Desde essa noite não me tornaste mais a amar. Illudi-te? Porque assim me fugiste? Uma lagrima só rehabilitava-te diante de Deus. É tarde, muito tarde. Vim só para despedir-me e perdoar-te. Adeus.»

– E tu que lhe respondeste?

«Voltei-me sobre o outro lado, e continuei a dormir.

– Prosegue.

«Foi um pezadello atroz aquelle somno. Julgava-me em uma orgia immensa, na hora ominosa do sabbat nocturno. Um bando de mulheres volteava reunido em uma corêa desenvolta, n'um tripudio infernal, ao redor de um carvalho lascado pelos raios que se cruzavam a espaços na solidão e escuridade absoluta da noite. Dançavam como possuidas do mesmo furor que inspirava a corneta de Oberon. Quando eu ia mais arrebatado pelos requebros voluptuosos, enlaçado a um par ligeiro e flexivel, senti um leve suspiro a meu lado, que se perdeu nos áres. Era como o segredo de uma magoa que eu bem conhecia. Parei. Adormecera a ler uma ballada dos peregrinos do Rheno contada por Bulwer. Junto a mim descobri uma figura de mulher linda, etherea; o semblante tinha a serenidade de uma grande agonia que cauterisa, uma tristeza mais vaga do que a impressão de saudade que a lua desperta quando se reflecte n'uma lagoa quiéta. Era como um seraphim quando chora. Não pude olhal-a; a candura do seu antigo amor exprobrava-me o cynismo. A viração que ciciava não repetiria tão brandamente o que ella disse:

– «Não sabes como te amo ainda além da campa! o gelo do sepulchro não pôde apagar o fogo em que os teus olhos me abrazaram. Esqueci o teu desprezo para perdoar-te. Para que havia ter mais esse flagicio na eternidade? Que destino, que felicidade a nossa, que regosijo no céo, se não houvesses ludibriado este amor! Nossas almas absorver-se-hiam na essencia de um anjo, enlevadas n'um sonho de harmonia, até despertarmos no empyreo. Assim precipitaste-me na mansão das penas e soffrimentos, onde o meu espirito se apura. O amor terreno tenho-o expiado no fogo. Vês este cendal de alvura transparente? estava quasi a tornar-se brilhante de gloria! Pedi a Deus este momento tão breve para poder agora ver-te; o goso fugitivo de contemplar-te, a esperança de te achar triste, scismando em mim com pezar e saudade, a troco de mais cem annos de novos soffrimentos! Cem annos mais, depois de te encontrar nos braços de outras descuidado, rindo desvairado n'uma orgia dissoluta. Oh, mas eu não sei senão perdoar-lhe.» – E desappareceu-me, continuou elle, como um meteoro fugaz, quando passa nos céos, e deixa após si um rasto luminoso. Acordei.

Читать дальше
Тёмная тема
Сбросить

Интервал:

Закладка:

Сделать

Похожие книги на «Contos Phantasticos»

Представляем Вашему вниманию похожие книги на «Contos Phantasticos» списком для выбора. Мы отобрали схожую по названию и смыслу литературу в надежде предоставить читателям больше вариантов отыскать новые, интересные, ещё непрочитанные произведения.


Отзывы о книге «Contos Phantasticos»

Обсуждение, отзывы о книге «Contos Phantasticos» и просто собственные мнения читателей. Оставьте ваши комментарии, напишите, что Вы думаете о произведении, его смысле или главных героях. Укажите что конкретно понравилось, а что нет, и почему Вы так считаете.

x