João Câmara - Contos

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Junto da porta crescia uma roseira, que mettêra para dentro do quarto uma pernada insubmissa, toda cheia de cachos de rosas pequeninas. Um rouxinol cantava no salgueiral, porque isto era no tempo dos ninhos.

O mestre-escola approximou-se da janella e esteve por algum tempo respirando aquelle ar que o refrescava agora, mas que lhe trouxe não sei que recordações.

Olhou para a filha e viu-a crescida, com os peitos desenvolvidos, o pescoço muito bem torneado, o cabello farto, enrolado no alto em duas tranças; viu-lhe a carnadura branca, sadia e forte.

O rouxinol continuava a cantar e a pernada cheia de flores teve um movimento languido, vergando a um suspiro da noite.

O mestre-escola tomou uma respiração funda e fez um movimento d'hombros resignado.

– É preciso casar-te, não ha remedio.

Como por miudos se lembrava de toda a scena que tivera com o pae e dos conselhos que então lhe ouvira! Bem o previra elle que o José Miguel a havia de abandonar um dia, não porque fosse mau, mas porque era leviano, que havia de deixar a mulher como deixava agora as namoradas, que tinham sido, uma apoz outra, todas as raparigas da aldeia.

Que mal empregadas lagrimas ella chorára, até que afinal o pae consentira no casamento!

Quantas vezes, feitas as pazes, tinham os trez commentado aquella historia!

***

Um dia o mestre-escola fôra pelo Prior e outros convidado para uma caçada a que iria tambem o José Miguel.

Foi este quem, bastante atrapalhado, veio pela manhã bater-lhe á porta.

– Prompto, sr. Eustachio? Olhe que o Prior, ha mais de um quarto d'hora que está á sua espera no adro!

– Lá vou! lá vou! gritou de dentro o Eustachio.

E appareceu pouco depois, com a sua bota alta branca e o bonnet de pala verde, que usava havia dez annos.

– Adeus! disse ao José Miguel com máu modo.

– Sr. Eustachio…! respondeu este, cumprimentando-o, entre ironico e atarantado.

E, erguendo os olhos, entreviu na unica janella do primeiro andar, detraz das folhas da roseira, uma carinha muito bonita, mas muito triste, que lhe sorria por entre muitas lagrimas.

– Vamos! disse o Eustachio, pondo-se a caminho e olhando de revez para o outro.

– Deixa estar, grande patife! ia pensando o José Miguel. Ainda hoje m'as has de pagar!

Chegaram ao adro, onde o Prior e mais dois amigos os esperavam com impaciencia.

Depois de muitas recriminações e descomposturas, a que o Eustachio respondeu com desculpas gaguejadas, começaram ali mesmo a caçada, porque a egreja era no fim da aldeia e no sopé d'um cabeço predilecto das perdizes.

Vinte minutos depois, o cão do mestre-escola parava, e este, com o dedo no gatilho, esperava que as perdizes levantassem.

– Entra, cão!

Ouviram-se dois tiros; mas as perdizes foram-se voando com saude. O velho caçador fez um movimento de máu genio.

Então o José Miguel, collocado um pouco mais longe, apontou serenamente, descarregou por duas vezes a espingarda, e as perdizes, depois de por um instante haverem batido convulsamente as azas, inclinaram as cabeças e deixaram-se cahir a prumo, como coisas inertes.

– Que é lá isso? perguntou o Eustachio.

– O sr. não vê? disse-lhe o José Miguel, mostrando-lhe a caça morta. São duas perdizes.

E depois baixinho para o Prior, mas não tão baixo que o Eustachio o não ouvisse:

– E dois bigodes . Elle que os vá contando.

E contou-os, e não foram poucos.

Felizmente o Eustachio não era de reservas. O rapaz enthusiasmou-o.

– Bravo! dizia elle ao fim da tarde, com o olhito a luzir, o que era tambem d'umas beijocas a mais na borracha do Prior.

E depois, muito amigavelmente, pondo-lhe a mão no hombro:

– Sabes que tens quasi uma riqueza n'essa espingarda?

***

Com que saudades a Marianna recordava esse momento em que, pela primeira vez, ouvira da bocca do pae um elogio ao namorado!

– Mas isto não obsta. Não quero! teimava ainda o Eustachio. Aquillo é um cabeça no ar. Um dia deixa-te e ficas peor do que viuva!

Afinal consentira. Que lhe havia de fazer?

O José Miguel acirrára-se com aquella resistencia e, em vez de abandonar a rapariga, como fizéra ás outras, cada vez se mostrava mais assiduo junto da filha do mestre-escola. A Marianna definhava-se, que era um dó vel-a.

O Eustachio, bem contra vontade, não teve outro remedio, consentiu.

***

O bom tempo tem azas.

Com os olhos fitos na casa pequenina, que alvejava no alto da serra, a triste chorava amargamente, lembrando-se d'aquelles primeiros mezes de casada e das alegrias que tinha, quando ouvia ao longe os latidos do Valente , que voltava da caça.

Logo tirava da arca a toalha de linho muito alva, riscada pelo ferro; puxava a mesa para defronte da janella, que uma parreira sombreava; dispunha-a com muito cuidado, o logar d'ella e o d'elle, um defronte do outro, o cangirão cheio de vinho, o pão alvo partido em quartos, os pratos de fructa, que perfumavam a casa.

Então o Valente entrava muito bruto, saltando, muito desordeiro, querendo que lhe abrissem a porta do pateo, para onde logo sahia a correr, enterrando o focinho na panella cheia de caldo e de grandes bocados de pão de munição.

O José Miguel muito estafado, atirava para cima da arca a bolsa de caça, sorria ao ver aquelles arranjos e, enchendo a caneca do vinho muito fresco, bebia-o depois, de uma vez, d'olhos continuando a sorrir, soltando ao acabar um bello ah! de satisfação.

– Vamos a isto mulher, vamos a isto! dizia approximando da mesa a grande cadeira de páu santo.

E, todo olhares gulosos, muito sorridente, de beiços estendidos, destapava a terrina e enterrava a concha nas sopas.

Emquanto ia comendo, vinham as historias do dia.

Ella pouco podia adeantar: estivera em casa trabalhando, não sabia nada de novo.

Elle então contava façanhas do Valente , que, saciada a fome, muito sujo, muito lambusado, sentado a um canto, d'olhos meio-cerrados, esperava com paciencia o fim do jantar e a codea de queijo da sobremesa.

Estava muito velho, coitado do bicho! mas ainda nenhum lhe chegava.

Depois queixava-se da caça. As perdizes por aquelle calor andavam levadas da breca! O que elle andára por aquelles mattos!

A mulher, sentada defronte d'elle, ria muito contente, mostrando-lhe os dentes muito brancos entre os labios vermelhos, com duas covinhas aos cantos.

Pois as perdizes andavam assim como elle dizia, e estava a rede ali tão cheia!

– Mas vê lá se outro consegue o mesmo, dizia o José Miguel todo orgulhoso. É que d'aquillo e d'estas não ha outro que as tenha na aldeia.

E apontava para a espingarda e batia nas barrigas das pernas.

– São de ferro!

O mestre-escola vinha muita vez, depois do jantar, ter com elles á sobremesa, beber um copo de vinho e depenicar no queijo.

Caçador velho, muito conhecedor d'aquelles terrenos, gostava de dar conselhos ao genro, que o escutava attencioso.

Isto não obstava a que, sahindo juntos, o José Miguel, fizesse enfurecer o sogro, matando-lhe a caça que este errava.

– Ora anda lá, meu velho, resmungava muito alegre, apanha lá mais este, para a conta.

***

Agora o José Miguel continuava a sahir todas as manhãs, mas só recolhia alta noite. Ás vezes, nem recolhia, e ella, coitadita, levava as noites a chorar.

Quando o marido sahia, punha-se á janella e via-o desapparecer por detraz da egreja, onde o sol nascente batia de chapa. Passados minutos, avistava-lhe o vulto, ao longe, na calva do pinhal. O Valente seguia-o cabisbaixo, triste, desconfiado, como que a extranhar o dono. Desappareciam depois entre os pinheiros e ella já não podia cá debaixo tornar a avistal-os. Mas da chaminé da casa, que alvejava no alto, começava a elevar-se no ar muito sereno da manhã um penachinho de fumo azulado, que logo se desfazia no azul do céu.

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