Ligeiras eram também quaisquer pegadas deixadas pelo assassino. A terra seca não permitia discernir a forma de um sapato. Mas Riley conseguia ver onde é que a erva por onde viera fora pisada por alguém que não fazia parte da equipa de investigação.
Apontou e disse a Belt, “Os seus homens esquadrinharam aquela erva cuidadosamente para ver se encontravam fibras?”
O chefe anuiu.
E então uma sensação começou a insinuar-se em Riley – uma sensação familiar que ela às vezes tinha em cenas de crime.
Não a sentira com frequência nos seus casos mais recentes, mas era uma sensação bem-vinda porque a ajudaria.
Era um sentido estranho do próprio assassino.
Se ela permitisse que aquela sensação se apoderasse dela, era provável obter algumas luzes quanto ao que ali tinha sucedido.
Riley afastou-se alguns passos do grupo reunido na cena. Olhou para Jenn e viu que a sua parceira a observava. Riley sabia que Jenn conhecia a sua reputação de entrar nas mentes dos assassinos. Riley assentiu e viu Jenn entrar em ação, fazendo perguntas, distraindo os outros na cena e dando a Riley alguns instantes para se concentrar nas suas habilidades.
Riley fechou os olhos e tentou imaginar a cena no momento do crime.
Imagens e sons sobrevieram-lhe com extrema facilidade.
Estava escuro lá fora e a praia era um aglomerado de sombras, mas havia traços de luz no céu que se refletiam na água, no ponto em que o sol mais tarde nasceria, e não era demasiado escuro para ver.
A maré estava alta e a água não estaria longe porque o som era forte.
Tão forte que ele mal se conseguia ouvir a escavar, Percebeu Riley.
Naquele momento, Riley não teve qualquer dificuldade em entrar numa mente estranha…
Sim, ele estava a escavar e ela conseguia sentir os seus músculos retesarem-se ao atirar areia para longe, sentir a mistura do suor e da brisa marítima no seu rosto.
Escavar não fora fácil. Na verdade, fora algo frustrante.
Não era fácil escavar um buraco em areia de praia como aquela.
A areia parecia preencher o espaço onde ele tinha escavado.
Ele pensava…
Não será muito fundo. Mas não tem que ser fundo.
Todo aquele tempo não parava de olhar para a praia, à procura da sua presa. E pouco depois apareceu a correr.
E no momento ideal também – o buraco já estava suficientemente fundo.
O assassino atirou a pá para a areia, ergueu as mãos e acenou.
“Venha cá!” Gritou ao homem que corria.
Não que importasse o que tinha gritado – com o som das ondas, o homem não conseguiria perceber as palavras exatas, apenas um grito abafado.
O homem parou de correr e olhou na sua direção.
Então encaminhou-se para o assassino.
O homem sorria ao aproximar-se e o assassino retribuía-lhe o sorriso.
Dali a nada estavam perto um do outro.
“O que é que se passa?” Perguntou o homem.
“Venha até aqui e eu mostro-lhe,” Disse o assassino.
O homem caminhou para o local onde se encontrava o assassino.
“Olhe ali para baixo,” Disse o assassino. “Olhe com muita atenção.”
O homem debruçou-se e com um movimento rápido e hábil, o assassino pegou na pá e atingiu-o na cabeça, empurrando-o para o buraco…
Riley despertou da sua divagação com o som da voz do chefe Belt.
“Agente Paige?”
Riley abriu os olhos e viu que Belt olhava para ela com uma expressão curiosa. Jenn não o conseguira distrair por muito tempo.
Ele disse, “Pareceu ter-nos deixado durante alguns instantes.”
Riley ouviu Jenn a dar uma risada.
“Às vezes ela faz isso,” Disse Jenn ao chefe. “Não se preocupe, é muito séria a trabalhar.”
Riley rapidamente reviu as impressões que acabara de receber – tudo muito hipotético, é claro, e não uma sensação concreta do que tinha realmente acontecido.
Mas teve a certeza de um pormenor – que o homem que corria se tinha aproximado a convite do assassino – e tinha-se abeirado dele sem medo.
Isto dava-lhe uma perspetiva crucial.
Riley disse ao chefe da polícia, “O assassino é encantador, simpático. As pessoas confiam nele.”
Os olhos do chefe arregalaram-se.
“Como sabe isso?” Perguntou.
Riley ouviu um riso vindo de alguém que se aproximava atrás de si.
“Acredite em mim, ela sabe o que está a fazer.”
Riley virou-se ao som da voz.
E ficou muito mais animada com aquilo que viu.
O chefe Belt encaminhou-se para o homem que se aproximava.
Disse, “Ouça, esta área está fechada. Não viu a barreira?”
“Está tudo bem,” Disse Riley. “Este é o Agente Especial Bill Jeffreys. Ele está connosco.”
Riley foi ter com Bill e falou de forma a não serem ouvidos pelos outros.
“O que é que aconteceu?” Perguntou ela. “Porque é que não respondeste às minhas mensagens?”
Bill sorriu envergonhado.
“Estava só a ser idiota. Eu… “ Não conseguiu prosseguir e desviou o olhar.
Riley esperou pela sua resposta.
Então ele finalmente disse, “Quando recebi as tuas mensagens, não sabia se estava pronto. Liguei ao Meredith para saber mais pormenores, mas mesmo assim fiquei sem saber se estava pronto. Raios, eu nem sabia se estava pronto quando já estava a vir para cá. Só soube que já estava pronto quando vi…”
Apontou para o corpo.
Acrescentou, “Agora sei. Estou pronto para regressar ao trabalho. Contem comigo.”
A sua voz era firme e a sua expressão era assertiva. Riley suspirou de alívio.
Conduziu Bill até ao pessoal reunido à volta do buraco onde se encontrava o corpo. Apresentou-o ao chefe e ao médico-legista.
Jenn já conhecia Bill e parecia contente por vê-lo, o que agradou a Riley. A última coisa de que Riley precisava era que Jenn se sentisse marginalizada ou ressentida.
Riley e os outros disseram a Bill o pouco que sabiam até ao momento. Ele ouviu com um olhar que demonstrava grande interesse.
Por fim, Bill disse ao médico-legista, “Penso que já pode levar o corpo. Isto é, se a Agente Paige não se importar.”
“Por mim, tudo bem,” Concordou Riley. Ela estava feliz por ver o velho Bill em ação novamente.
Enquanto a equipa do médico-legista começou a retirar o corpo do buraco, Bill analisou a área durante uns instantes.
Perguntou a Riley, “Foram ao local do primeiro homicídio?”
“Ainda não,” Respondeu.
“Então temos que lá ir,” Disse ele.
Riley disse ao chefe Belt, “Vamos até à outra cena de crime.”
O chefe concordou. “Não fica muito longe daqui,” Acrescentou.
Todos conseguiram passar pelos jornalistas mais uma vez sem tecer quaisquer comentários. Riley, Bill e Jenn entraram no SUV do FBI, e o chefe Belt e o médico-legista seguiram noutro carro. O chefe guiou-os pela praia ao longo de uma estrada de terra até uma área arborizada. Quando a estrada terminou, estacionaram os carros. Riley e os seus colegas seguiram dois polícias a pé ao longo de um trilho no meio das árvores.
O chefe manteve o grupo num dos lados do trilho, apontando para algumas pegadas nítidas ali em solo mais firme.
“Ténis normais,” Comentou Bill.
Riley anuiu. Conseguiu ver aquelas pegadas em ambas as direções, mas tinha a certeza de que não dariam muitas informações, tirando o tamanho que o assassino calçava.
Contudo, algumas marcas interessantes estavam intercaladas com as pegadas. Duas linhas instáveis estavam marcadas na terra.
“O que te parecem estas linhas?” Perguntou Riley a Bill.
“Marcas de um carrinho de mão, a ir e a vir,” Disse Bill. Olhou por cima do ombro na direção da estrada e acrescentou, “Penso que o assassino estacionou onde nós estacionámos agora e trouxe as sus ferramentas por este caminho.”
Читать дальше