Nolan as levou até o quarto principal. O corpo obviamente já fora removido, mas Chloe viu que os lençóis seguiam os mesmos desde o assassinato.
- O quarto está exatamente como estava quando o corpo foi encontrado? – Chloe perguntou.
- Só mexemos no corpo – Nolan confirmou.
- Você pode nos contar os detalhes?
Ele falou enquanto Chloe olhava pelo quarto com Rhodes. Ela escutou cada detalhe, tentando criar uma cena em sua cabeça, imaginando situações que teriam acontecido no quarto onde ela estava naquele momento.
- Rosa Ramirez, a diarista, encontrou o corpo cerca de onze e meia da manhã. A polícia chegou aqui antes do meio-dia. Eu estava na equipe que atendeu a chamada, então pude ver tudo em primeira mão. A garganta de Jessie Fairchild tinha sido cortada, mas de um jeito muito estranho. Nós acreditamos que houve sim estrangulamento, mas o corte foi feito com um anel de diamantes muito grande.
- Vocês têm certeza disso?
- Sim. Os peritos confirmaram isso ontem. O anel estava cheio de sangue, e as linhas do corte bateram com o corte do diamante. Além disso, o marido dela não tem certeza se o anel pertencia à esposa.
- Espere aí – Rhodes disse. – Não é possível que um anel de diamante seja grande o suficiente para fazer um corte dessa profundidade.
- Nós também pensamos isso – Nolan disse. – Mas o ângulo do corte acertou uma artéria vital e também perfurou a traqueia.
- Algum motivo? – Chloe perguntou.
- Primeiro, pensamos que tinha sido uma invasão à casa, um roubo. Tenho certeza que vocês perceberam que aqui tem muita coisa de valor – ele apontou para o closet no lado esquerdo do quarto e acrescentou: - Tem muitas joias ali. Quando falamos com o marido dela, ele mostrou um colar que vale cerca de trinta mil. E não estava nem em um cofre. Estava ali, no velho móvel das joias. Também há dois carros na garagem, sendo que um deles vale cerca de três anos do meu salário. Uma piscina enorme nos fundos, uma banheira dessas de spa. É pouco dizer que os Fairchild são ricos. E por eles serem novos no bairro, nós imaginamos que fosse um roubo. Mas não conseguimos encontrar evidências que comprovem isso.
- Alguma coisa foi levada? – Chloe perguntou.
- Fizemos o marido caminhar pela casa, mas ele não percebeu nada faltando. Claro, ele estava abalado por ter perdido a esposa assassinada, então ninguém sabe se ele olhou com atenção...
- Você disse que acha que houve também um estrangulamento – Rhodes disse. – Você sabe com o que ela foi estrangulada?
- Não temos certeza, mas achamos que com uma estola de raposa—essa coisa para por no ombro. Encontramos uma debaixo da cama. Os peritos dizem que estão certos de que as duas pontas da estola foram amarradas e puxadas com força. O marido também disse que não lembra da última vez que a esposa usou isso.
- O que você pode nos dizer sobre os Fairchild? – Chloe perguntou. Ela deu um passo em direção à cama, analisando o lençol cheio de sangue.
- Eles eram novos no bairro. Mudaram-se há cerca de cinco semanas. Ainda tem algumas caixas na garagem que eles nem abriram. O marido, Mark, é do mercado financeiro... mexe com dinheiro, com ações. Jessie Fairchild mexia com mídias sociais... era influencer, subcelebridade. Instagram, Facebook, essas coisas. Eles vieram de Boston... o marido disse que eles vieram porque estavam cansados do clima de cidade grande.
- Onde ele está agora? – Chloe perguntou.
- Ele foi para uma casa de campo, nas montanhas, com o irmão. Foi hoje cedo, na verdade. Ele... bem, ele está destruído. Digo, as pessoas encaram a morte de maneiras diferentes, eu sei. Mas esse cara... eu vi ele totalmente destruído, sabe? O pior que eu já vi.
- Imagino que não tenha nenhuma digital na cena do crime – Chloe disse.
- Nada. Mas encontramos um fio de cabelo na estola. Era loiro, e Jessie era morena. Está sendo analisado nesse momento... os resultados devem chegar em breve.
Chloe parou por um momento para pensar em tudo. Havendo uma indicação forte de algum tipo de estrangulamento, ela não podia eliminar a conexão com os crimes de um ano antes. Mas o corte com o anel de diamante a dizia que havia algo novo... algo diferente. Ela pegou a pasta e a abriu para começar a analisar tudo novamente.
- Você disse que está no comando do caso?
- Sim.
- Podemos ir com você até a sua delegacia? Eu gostaria de um lugar para trabalhar.
- Então, você acha mesmo que isso está relacionado com os casos de estrangulamento do ano passado? – Nolan perguntou. Claramente, ele não esperava aquilo.
- Não tenho certeza – Chloe disse. – Mas nós sabemos que há uma mulher morta—que foi assassinada em sua própria casa—e nesse momento não temos ninguém preso. Então... vamos trabalhar.
Nolan sorriu, gostando da atitude de Chloe. Ele assentiu e saiu do quarto, com direção ao corredor.
- Vamos começar logo, então.
Chloe abriu a pasta do assassinato de Jessie Fairchild assim que chegou à delegacia. Nolan havia lhes dado uma sala que outrora pertencera a um oficial assistente, que fora demitido por conta de corte de gastos. Alguns dos pertences do ex-assistente ainda estavam na sala, o que fez com que Chloe sentisse que não pertencia àquele lugar.
Mesmo assim, ela sentou-se e começou a estudar os arquivos. Ficou impressionada ao ver quão organizados eles estavam. Aparentemente, o oficial Nolan tinha talento para organização e detalhes.
Além do relatório básico da polícia, que incluía tudo o que Nolan já havia lhes contado na casa dos Fairchild, havia muitas fotos do corpo da vítima. Ela estava completamente vestida, na cama. Sua cabeça estava caída para a esquerda, com seus olhos abertos olhando na direção da piscina de sangue que havia se formado ao redor de sua cabeça. A característica mais marcante do corpo, no entanto, era o corte enorme no centro do pescoço.
As fotos deviam ter sido tiradas algumas horas depois do crime, porque a maior parte do sangue ainda não havia secado. Chloe pode ver que o sangue estava começando a endurecer, mas ainda era novo. O corte em si era horrível. Era grande e grotesco, uma linha reta que parecia ter serrado até a carne. Chloe também viu leves indicações de que algo havia sido colocado em volta do pescoço da vítima, ainda que fosse difícil ter certeza pelas fotos.
Sem ver o corpo, ela precisaria acreditar nos peritos. E se o que estava vendo fosse de fato um sinal de que algo havia sido colocado em volta do pescoço da vítima, isso faria total sentido com a estola, vista em outras fotos.
Chloe também viu a foto do anel de diamante que fora usado para fazer o corte. Estava no criado-mudo. O assassino não havia tentado limpá-lo nem escondê-lo. Para Chloe, o assassino estava tentando enviar uma mensagem.
Mas que mensagem?
- O anel está me perturbando – Rhodes disse. – Por que colocar ali no criado-mudo? Ele está provocando? Talvez tentando nos dizer algo?
- Eu estava pensando a mesma coisa. Acho que o anel tem algum significado especial. Por que esse anel? Parece um desses anéis desses combos de noivado e casamento.
- Também parece ser bem caro – Rhodes acrescentou.
- Tem algum simbolismo nisso. Você não deixa um anel cheio de sangue acidentalmente no criado-mudo depois de usá-lo para matar alguém.
- Então você acha que o assassino está tentando dizer algo?
- Pode ser. Pode ser também que—
Chloe foi interrompida pelo toque de seu telefone. Ela o pegou, imaginando que fosse Johnson, querendo confirmar que elas haviam chegado. Mas ao ver a palavra “PAI” na tela, arrepiou-se. Uma onda de raiva subiu por seu corpo, junto com uma pontada de medo.
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