O coração dilatou quando encontrou o olhar de Drake. Com certeza o amor era risadas e diversão despreocupada? O amor tinha que ser duas pessoas que gostavam da companhia uma da outra. Um menino e uma menina que ouviam o que o outro dizia e que se preocupavam de verdade com o que o outro sentia. E um frio na barriga e a animação ao ver um ao outro.
Será que Drake sentia o mesmo frio na barriga que ela? Ele com certeza sorria quando ela se aproximava. E ele sempre tinha tempo para ela. Esperava que a barriga do rapaz ficasse fria por ela, principalmente agora que tinha se convencido de que ele era o dono de seu coração.
— Você parece um pássaro grande com seu vestido voando e a cabeça inclinada para trás — disse Drake. — Um belo cisne.
— Não pareço, não. — Brooke riu com mais vontade enquanto ele a girava para baixo e para cima em um arco, como se ela realmente estivesse voando. Ele a colocou novamente sobre os pés, as mãos segurando-a pela cintura para equilibrá-la enquanto lhe dava um sorriso travesso.
— O riso lhe cai bem.
— Então, eu devo me dedicar a sorrir mais vezes. — Brooke se virou e se afastou vários metros antes de olhar para trás e lançar um desafio. — Venha me pegar, se puder.
— Eu lhe alcançarei antes de que chegue ao cume. — Drake correu a toda velocidade.
— Jamais. — Ela correu, deixando uma trilha de risadas em seu rastro. As alfazemas roçavam seus tornozelos e calcanhares enquanto ela corria pela terra. O aroma era revigorante.
— Peguei você — Drake gritou um segundo antes de passar o braço ao redor da sua cintura.
Os joelhos de Brooke se curvaram e os dois caíram no chão quente. Ela riu e se deitou para olhar para as nuvens fofas e brancas que cruzavam o céu. Drake se acomodou ao seu lado, a cabeça nivelada com a de Brooke e o corpo apontando para outra direção, como se fossem dois dos raios da roda de uma carruagem, encontrando-se no centro.
Ela fechou os olhos e suspirou.
— Se você fosse um pássaro, para onde voaria?
— Para toda parte — respondeu Drake. — E você?
Brooke pensou por um momento, não muito certa sobre o que responder, pois já estava onde queria estar. Ela virou a cabeça para olhar para Drake.
— Eu o seguiria.
Ele virou o rosto para olhá-la nos olhos e sorriu.
— Teríamos as melhores aventuras. Eu a conduziria por todo o mundo, e veríamos todos os lugares sobre os quais as pessoas escrevem e falam. Seria muito divertido.
Brooke se sentou e puxou as pernas para o peito, abraçando os joelhos.
— Uma pena não sermos pássaros.
— É sim — concordou Drake. Ele colocou as mãos atrás da cabeça e cruzou os tornozelos. — Ainda assim, poderíamos viajar juntos algum dia.
— Concordo — disse Brooke, embora soubesse, em seu coração, que não iriam. Drake ia crescer e conhecer outra dama.
Ele se casaria, e viajaria, e teria uma família, e ela seria uma memória distante, isso se ele se lembrasse dela.
Drake virou de lado e apoiou a cabeça em uma das mãos.
— Vamos traçar planos para fazermos exatamente isso. Assim que crescermos, eu vou encontrar você. A Inglaterra não é assim tão grande, e eu vou ser um duque poderoso, afinal de contas. — Ele deu um sorriso pretensioso.
Brooke queria apontar o quanto era improvável que ele fosse sequer querer vir a ela, mas, em vez disso, decidiu se juntar àquela linha de raciocínio.
Que mal faria se se entregasse um pouco a uma fantasia inofensiva?
Sorriu para ele, a depressão ficou mais leve.
— Então, fugiremos e, juntos, veremos o mundo.
— Pode ter certeza. Começaremos pelo continente e quando ficarmos entediados, reservaremos passagens para outro lugar. — Drake bateu os dedos no chão. — Para onde você gostaria de ir?
Brooke fechou os olhos e os imaginou viajando para lugares próximos e distantes.
— Paris, para começar, e depois para o Egito.
Drake pegou a mão dela e a apertou de leve.
— Então, Paris será o nosso primeiro destino. Vou conduzi-la pela cidade. Conheceremos todos os pontos turísticos e comeremos toda comida francesa que quisermos. Você fará compras nas butiques mais exclusivas e adquirir a última moda antes de partimos para o Egito.
— Está ficando muito divertido. — Brooke retribuiu o aperto, envolvendo sua mão pequena em volta dos longos dedos e da enorme palma da mão dele. — Podemos ir a museus e explorar clubes e antros de jogatina e ir caçar. Fazer todas as coisas que um cavalheiro aventureiro faz.
Drake sorriu para ela, os olhos verdes da cor das folhas estavam cheios de animação enquanto ele se sentava.
— Faremos tudo juntos. Quero você a meu lado em cada uma dessas aventuras, Brooke. Quero que no futuro as coisas sejam do mesmo jeito que são agora.
— Eu também — respondeu ela, com toda a sinceridade do coração. — Mais do que imagina.
Drake levou a mão até a lateral do rosto dela, apoiando-a em sua bochecha.
— Eu vou beijar você.
Uma geleira invadiu o seu estômago enquanto ele se aproximava. Antes que ela pudesse dizer qualquer coisa, ele pressionou os lábios nos seus. Um toque suave de carne na carne que enviou o seu coração em um torvelinho e fez a sua cabeça viajar.
Foi a primeira provinha que teve do amor.
Londres, Inglaterra, 1814
Uma multidão enchia a Bond Street quando Brook saiu da modista. Suas amigas de longa data, Narissa, a duquesa de Blackmore, e Hannah, a marquesa de Ramsbury, seguiam-na pela calçada enquanto os lacaios carregavam as compras.
Narissa estava esperando o primeiro filho e por isso estava determinada a se misturar com a sociedade educada. O objetivo era ficar respeitável quando a gravidez começasse a se mostrar. Para isso, Brooke e Hannah foram junto com a duquesa para que ela comprasse vestidos e quinquilharias para o baile que ela e o marido, Seth, estavam dando.
— Espero que tenhamos bons resultados — disse Narissa.
Brooke olhou para Narissa e sacudiu a cabeça.
— Você se preocupa demais. — Sorriu para a amiga. — Está se esquecendo da sua posição. A ton virá aos montes só para dizer que estiveram no baile do duque e da duquesa de Blackmore.
— Ela está certa, sabe — adicionou Hannah. — Suas festas sempre são bem frequentadas.
Narissa suspirou e deu um tapinha na barriga.
— Fazê-los ir é fácil. É fazê-los nos ver como um casal respeitável é que me preocupa. Quero que este bebê seja aceito entre a sociedade educada.
— Vamos lá. — Brooke acenou, dispensado aquele disparate. — Você nunca deu importância para o que a sociedade pensa. Não comece a se preocupar demais agora.
— É claro que você está certa, mas, pelo meu filho, eu vou me curvar para qualquer matrona da ton . — Narissa afastou um cacho da bochecha. — Seth e eu planejamos conquistá-los, custe o que custar.
— Então vocês vão. — Sorriu Hannah.
Brooke se desviou de um grupo de crianças pulando pedras na calçada. Dois meninos e uma menina que pareciam ter cerca de seis ou sete anos de idade. Todos os três usavam roupas desbotadas e tinham manchas de sujeira no rosto. Ainda assim, estavam jubilosos enquanto brincavam.
Ela parou e levou a mão à bolsinha para pegar algumas moedas. Erguendo a mão para as crianças, ela disse:
— Tomem aqui e vão comprar alguma coisa gostosa.
Os olhos da menininha se arregalaram ao ver as moedas e um dos meninos as pegou da mão de Brooke.
— Obrigada, milady — disse a terceira criança.
Brooke sorriu e então se virou. Deu um passo ainda prestando atenção nas crianças e colidiu com algo duro.
— Oh! — Brooke perdeu o equilíbrio e tropeçou.
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