Terça-feira, 13 de junho de 1944
Quarta-feira, 14 de junho de 1944
Quinta-feira, 15 de junho de 1944
Sexta-feira, 16 de junho de 1944
Sexta-feira, 23 de junho de 1944
Terça-feira, 27 de junho de 1944
Sexta-feira, 30 de junho de 1944
Julho de 1944
Quinta-feira, 6 de julho de 1944
Sábado, 8 de julho de 1944
Sábado, 15 de julho de 1944
Sexta-feira, 21 de julho de 1944
Terça-feira, 1º de agosto de 1944
EPILOGO
O Diário de Anne Frank é um livro escrito por Anne Frank entre 12 de junho de 1942 e 1.º de agosto de 1944 durante a Segunda Guerra Mundial. É conhecido por narrar momentos vivenciados pelo grupo de judeus confinados em um esconderijo durante a ocupação nazista da Holanda. Publicado originalmente com o título de “Het Achterhuis. Dagboekbrieven 14 Juni 1942 – 1 Augustus 1944” (O Anexo: Notas do Diário 14 de junho de 1942 - 1º de agosto de 1944) pela editora "Contact Publishing" em Amsterdã em 1947, o diário recebeu ampla atenção popular e da crítica após sua publicação inglês intitulada "Anne Frank: The Diary of a Young Girl" pela Doubleday & Company (Estados Unidos) e Vallentine Mitchell (Reino Unido) em 1952.
Desde então, foi publicado em mais de 40 países e traduzido em mais de 70 idiomas, e vendeu mais de 35 milhões de cópias em todo o mundo, sendo 16 milhões só no Brasil.
Sua popularidade inspirou a peça de teatro "The Diary of Anne Frank", de 1955, dos roteiristas Frances Goodrich e Albert Hackett, que também a adaptaram para uma versão cinematográfica de 1959.
Suas anotações foram declaradas pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) como patrimônio da humanidade. Além disso, o livro figura na 19º posição da lista “Os 100 livros do século” segundo o Le Monde
Domingo, 14 de junho de 1942
Na sexta-feira, 12 de junho, acordei as seis horas. Pudera! Era dia do meu aniversário. É claro que eu não tinha permissão para levantar àquela hora, e por isso tive de refrear a minha curiosidade até as quinze para as sete. Ai então não aguentei mais e corri até a sala de jantar, onde recebi as mais calorosas saudações de Moortie (a gata).
Logo depois das sete fui dar bom-dia a mamãe e ao papai, e, depois, corri a sala de estar para desembrulhar meus presentes. O primeiro que me saudou foi você, possivelmente o melhor de todos. Sobre a mesa havia também um ramo de rosas, uma planta e algumas petúnias; durante o dia chegaram outros.
Ganhei uma porção de coisas de mamãe e papai e fui devidamente presenteada por vários amigos. Entre outras coisas, deram-me um jogo de salão chamado Câmara Escura, muitos doces, chocolates, um quebra-cabeça, um broche, os Contos e lendas da Holanda, de Joseph Cohen, Daisy e suas férias nas montanhas (um livro espetacular) e algum dinheiro. Agora posso comprar Os mitos da Grécia e Roma — que legal! Lies veio então apanhar-me para irmos à escola. No recreio, distribui biscoitinhos doces para todo mundo, e então tivemos de voltar as aulas.
Agora tenho que parar. Até logo. Acho que seremos grandes amigas.
Segunda-feira, 15 de junho de 1942
Minha festa de aniversário foi no domingo de tarde. Passamos um filme de Rin-Tin-Tin. Meus amigos e eu adoramos. Divertimo-nos a valer. Vieram muitos meninos e meninas. Mamãe está sempre querendo saber com quem vou me casar. Nem de longe suspeita que é com Peter Wessel; um dia — sem corar nem pestanejar — consegui tirar definitivamente essa ideia da cabeça dela. Durante anos, Lies Goosens e Sanne Houtman foram minhas melhores amigas. Mas depois conheci Jopie de Waal, na Escola Secundaria Israelita. Passamos a andar juntas, e ela e, agora, minha melhor amiga. Lies fez amizade com outra menina e Sane frequenta outra escola onde conquistou novos amigos.
Sábado, 20 de junho de 1942
Faz alguns dias que não escrevo porque eu quis, antes de tudo, pensar neste diário.
E estranho uma pessoa como eu manter um diário; não apenas por falta de habito, mas porque me parece que ninguém — nem eu mesma — poderia interessar-se pelos desabafos de uma garota de treze anos. Mas que importa? Quero escrever e, mais do que isso, quero trazer à tona tudo o que está enterrado bem fundo no meu coração.
Ha um ditado que diz: "O papel e mais paciente que o homem". Lembrei-me dele em um de meus dias de ligeira melancolia, quando estava sentada, com a mão no queixo e tão entediada e cheia de preguiça que não conseguia decidir se saia ou ficava em casa. Sim, não há dúvida de que o papel e paciente, e como não tenho a menor intenção de mostrar a ninguém este caderno de capa dura que atende pelo pomposo nome de diário — a não ser que encontre um amigo ou amiga verdadeiros —, posso escrever à vontade. Chego agora ao cerne da questão,
motivo pelo qual resolvi começar este diário: não possuo nenhum amigo realmente verdadeiro.
Vou explicar isso melhor, pois ninguém ha de acreditar que uma menina de treze anos se sinta sozinha no mundo. Aliás, nem e esse o caso. Tenho meus pais, que são uns amores, e uma irmã de dezesseis anos. Conheço mais de trinta pessoas a quem poderia chamar de amigas — e tenho uma porção de pretendentes doidos para me namorar e que, não o podendo fazer, ficam me espiando, na classe, por meio de espelhinhos.
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