"É verdade."
Um silêncio caiu. Riley sentiu que Ruhl estava lutando com o que queria dizer.
Finalmente disse, "Agente Paige, o que sabe sobre Morgan Farrell?"
Riley olhou com preocupação. Disse: "Policial Ruhl, não tenho certeza se é apropriado comentar. Eu realmente não sei nada sobre o que aconteceu e não é um caso do FBI.”
"Compreendo. Desculpe, acho que não deveria ter ligado…”
Sua voz sumiu.
Então ele acrescentou, “Mas Agente Paige, eu não acho que Morgan Farrell seja culpada. Que tenha assassinado o marido, quero dizer. Eu sou novo neste trabalho e sei que tenho muito a aprender… mas não me parece que ela seja do tipo que poderia fazer isso."
Riley ficou surpresa com aquelas palavras.
Ela certamente não se lembrava de Morgan Farrell como sendo o "tipo" que poderia cometer assassinato. Mas tinha que ter cuidado com o que dizia a Ruhl. Não tinha certeza se deveria estar tendo aquela conversa.
Perguntou a Ruhl, "Ela confessou?"
“Disseram-me que sim. E todo mundo acredita em sua confissão. Meu parceiro, o chefe de polícia, o PD – absolutamente todo mundo. Exceto eu. E eu não posso deixar de me perguntar, você…?”
Não terminou sua pergunta, mas Riley o que ficara por dizer.
Ele queria saber se Riley acreditava que Morgan era capaz de matar.
Lenta e cautelosamente, ela disse, “Policial Ruhl, agradeço sua preocupação. Mas realmente não é apropriado para mim especular sobre nada disso. Presumo que seja um caso local e, a menos que o FBI seja chamado para ajudar na investigação, bem… francamente, não é da minha conta.”
"Claro, minhas desculpas" Disse Ruhl educadamente. “Eu devia ter calculado. De qualquer forma, obrigado por atender minha ligação. Eu não vou incomodá-la novamente.”
Terminou a ligação e Riley ficou olhando para o telefone, tomando sua bebida.
As garotas passaram por ela, seguidas de perto pelo cachorrinho. Estavam todos a caminho da sala da família para brincar, e Darby parecia muito feliz.
Riley observou-os a passar com um profundo sentimento de satisfação. Mas então as lembranças de Morgan Farrell começaram a se intrometer em sua mente.
Ela e seu parceiro, Bill Jeffreys, tinham ido à mansão dos Farrell para entrevistar o marido de Morgan sobre a morte de seu próprio filho.
Lembrou-se de como Morgan parecia quase fraca demais para ficar de pé, agarrada ao corrimão da imensa escada enquanto o marido a exibia como se ela fosse algum tipo de troféu.
Ela se lembrou do olhar de terror vago nos olhos da mulher.
Ela também se lembrava do que Andrew Farrell havia dito sobre ela assim que ela ficou fora do alcance da voz…
"Uma modelo bastante famosa quando me casei com ela – talvez você a tenha visto em capas de revistas."
E em relação à juventude de Morgan, acrescentou…
“Uma madrasta nunca deve ser mais velha que os filhos mais velhos do marido. Tratei disso com todas as minhas esposas.”
Riley agora sentia o mesmo arrepio que sentira naquela época.
Morgan obviamente tinha sido nada mais do que uma bugiganga cara para Andrew Farrell se exibir em público – não um ser humano.
Finalmente, Riley lembrou o que acontecera com a anterior esposa de Andrew Farrell.
Ela tinha cometido suicídio.
Quando Riley tinha dado a Morgan seu cartão do FBI, estava preocupada que a mulher pudesse ter o mesmo destino – ou morrer sob outras circunstâncias sinistras. A última coisa que imaginara era que Morgan mataria seu marido ou qualquer outra pessoa.
Riley começou a sentir um formigueiro familiar – o tipo de formigueiro que sentia sempre que seus instintos lhe diziam que as coisas não eram o que pareciam.
Normalmente, esse formigueiro era um sinal para ela investigar o assunto mais profundamente.
Mas agora?
Não, não é da minha conta, Disse a si mesma.
Ou era?
Enquanto se interrogava, o telefone tocou novamente. Desta vez viu que a ligação era de Bill. Mandou uma mensagem para ele dizendo que tudo estava bem e que estaria em casa naquele dia à noite.
"Oi, Riley" Disse ele quando ela atendeu. “Apenas checando. Então tudo deu certo em Phoenix?”
"Obrigada por ligar, Bill" Respondeu. "Sim, a adoção é final agora."
"Espero que tudo tenha corrido sem problemas," Bill perguntou.
Riley não pôde deixar de rir.
"Não exatamente" Disse ela. "De fato, longe disso. Houve alguma violência envolvida. E um cachorro.”
Ouviu Bill rir também.
“Violência e um cachorro? Estou intrigado! Me conte mais!"
"Conto quando nos encontramos" Disse Riley. "É mais interessante se contar pessoalmente."
"Estou ansioso. Então nos vemos amanhã em Quantico.”
Riley ficou em silêncio por um momento enquanto se sentia à beira de uma estranha decisão.
Disse a Bill, "Não me parece. Acho que vou tirar mais alguns dias de folga.”
“Bem, você certamente merece isso. Parabéns novamente."
Terminaram a ligação e Riley subiu para o seu quarto. Ligou o computador.
Então reservou um voo para Atlanta para a manhã do dia seguinte.
No começo da tarde do dia seguinte, Riley estava sentada no escritório do chefe de polícia de Atlanta, Elmo Stiles. O homem grande e rude não parecia nada feliz com o que Riley lhe estava dizendo.
Ele finalmente rosnou, “Deixe-me ver se entendi, Agente Paige. Você veio até aqui de Quantico para entrevistar privadamente Morgan Farrell, que temos sob custódia pelo assassinato de seu marido. Mas nós não pedimos a ajuda do FBI. Na verdade, o caso agora está encerrado. Temos uma confissão. Morgan é culpada e pouco mais há a dizer. Então, o que a traz aqui?
Riley tentou projetar um ar de confiança.
"Eu já tinha dito" Disse ela. “Preciso falar com ela sobre um assunto completamente separado – um caso completamente diferente".
Stiles piscou os olhos com ceticismo e disse, "Um caso diferente sobre o qual não pode me dizer nada".
"Isso mesmo" Confirmou Riley.
Era mentira, claro. Pela milésima vez desde que ela voara de DC naquela manhã, ela se perguntava o que estava fazendo. Estava acostumada a contornar as regras, mas estava a ultrapassar os limites, fingindo estar ali em trabalho oficial do FBI.
Por que ela pensou que isso poderia ser uma boa ideia?
"E se eu disser não?" Perguntou Stiles.
Riley sabia perfeitamente bem que essa era a prerrogativa do chefe e se ele dissesse não, ela teria que obedecer. Mas não queria dizer isso. Teve que se preparar para fazer algum bluff.
Disse, "Chefe Stiles, acredite em mim, eu não estaria aqui se não fosse uma questão de extrema importância e urgência. Mas não posso dizer de que se trata”.
O chefe Stiles tamborilou os dedos na mesa por alguns instantes.
Então disse, "Sua reputação precede você, Agente Paige."
Riley se encolheu um pouco.
Isso pode ser uma coisa boa ou ruim , Pensou.
Ela era bem conhecida e respeitada entre os seus pares por seus instintos aguçados, sua capacidade de entrar na mente de um assassino e seu talento para resolver casos aparentemente insolúveis.
Ela também era conhecida por às vezes ser um incômodo e as autoridades locais que tinham que trabalhar com ela muitas vezes não gostavam de seus métodos.
Ela não sabia a qual dessas reputações o chefe Stiles poderia estar se referindo.
Gostaria de poder ler melhor a expressão dele, mas ele tinha um daqueles rostos que provavelmente nunca pareciam satisfeitos com muita coisa.
O que Riley realmente temia naquele momento era a possibilidade de Stiles fazer a coisa mais lógica – pegar o telefone e ligar para Quantico para confirmar que ela estava ali ao serviço do FBI. Se ele o fizesse, ninguém a cobriria. Na verdade, acabaria com muitos problemas.
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