1 ...6 7 8 10 11 12 ...18 Erec estava tão perto agora, com os seus navios quase a trinta jardas de distância. Ele sentia o seu coração a latejar nos seus ouvidos. A névoa de Alistair começou a dissipar-se e ele sabia que tinha chegado o momento.
"Arqueiros!", comandou Erec. "Fogo!"
Dezenas dos seus arqueiros, todos em cima e em baixo na sua frota, puseram-se em posição, fizeram mira e dispararam.
O céu encheu-se com o som das flechas a saírem das cordas e a navegarem pelo ar - e o céu escureceu com a nuvem das mortais pontas de flecha, voando alto em arco e, em seguida, girando para baixo para a margem do Império.
Um momento depois soaram gritos pelo ar, quando a nuvem de flechas mortais desceu sobre os soldados do Império que abundavam no forte. A batalha havia começado.
Por todo o lado soavam trombetas, à medida que a guarnição do Império era alertada e se reunia para se defender.
"LANÇAS!", gritou Erec.
Strom foi o primeiro a ficar de pé e a atirar a sua lança, uma bela lança prateada, que assobiava pelos ares enquanto voava a uma velocidade tremenda, encontrando, de seguida, um lugar no coração atordoado do comandante do Império.
Erec arremessou a sua, apoiado nos seus calcanhares, juntando-se ao atirar a sua lança dourada e matando um comandante do Império do outro lado do forte. Todos os homens nas fileiras em cima e em baixo na sua frota juntaram-se, arremessando as suas lanças e matando soldados do Império atordoados, que mal tiveram tempo para reunir.
Dezenas deles caíram. Erec sabia que a sua primeira rajada tinha sido um sucesso; contudo, ainda restavam centenas de soldados. Quando o navio de Erec parou, mal tocando na costa, ele soube que tinha chegado o momento do combate corpo-a-corpo.
"ATACAR!", gritou ele.
Erec sacou da sua espada, saltou para cima da amurada e, depois, pelo ar, caindo de uma altura de uns bons quinze pés e pousando nas margens de areia do Império. Todos os seus homens à sua volta o seguiram, centenas seguramente, todos a avançarem pela praia, esquivando-se das flechas e lanças do Império, enquanto estouravam para fora da névoa e pela areia aberta na direção do forte do Império. Os soldados do Império agruparam-se, também, apressando-se ao seu encontro.
Erec preparou-se quando um desmedido soldado do império avançou diretamente na sua direção, gritando, levantando o seu machado e balançando-o de lado na direção da sua cabeça. Erec baixou-se, esfaqueou-o no estômago, e apressou-se. Erec, com os seus reflexos de batalha a entrarem em ação, esfaqueou um outro soldado no coração, evitou um golpe de machado de outro e, de seguida, virou-se e golpeou-o no peito. Outro avançou para ele, por trás, e, ele, sem se virar, deu-lhe uma cotovelada no rim, fazendo-o cair de joelhos.
Erec corria pelas fileiras de soldados, mais depressa e com mais força do que qualquer um no campo e, liderando os seus homens como um de cada vez, eles abatiam os soldados do Império, fazendo o seu caminho em direção ao forte. O combate intensificou-se, corpo-a-corpo, e aqueles soldados do Império, quase duas vezes o seu tamanho, eram adversários ferozes. Erec estava destroçado por ver muitos dos seus homens caírem em torno dele.
Mas Erec, determinado, movia-se como um relâmpago, com Strom ao seu lado, manobrando-se entre eles pela esquerda e pela direita. Ele atravessou a praia como um demónio libertado do inferno.
Em poucos instantes tinha conseguido. Na areia tudo estava calmo, já que a praia, estava agora vermelha, cheia de cadáveres, a maioria deles os corpos dos soldados do Império. Muitos deles, porém, eram os corpos dos seus próprios homens.
Erec, cheio de fúria, avançou para o forte, ainda repleto de soldados. Ele subiu os degraus de pedra ao longo da sua borda, com todos os seus homens a seguirem-no, e foi de encontro a um soldado que vinha a correu por ali abaixo direto a ele. Ele apunhalou-o no coração, bem antes de ele conseguir baixar na sua cabeça um martelo de duas mãos. Erec afastou-se e o soldado, morto, caiu pelos degraus abaixo, ao seu lado. Outro soldado apareceu, golpeando na direção de Erec antes de ele conseguir reagir. Strom chegou-se à frente e com um grande estrondo e uma chuva de faíscas, bloqueou o golpe antes de este conseguir alcançar o seu irmão e deu uma cotovelada no soldado com o punho da espada, derrubando-o pela borda fora e fazendo-o gritar até à sua morte.
Erec continuou a avançar, subindo quatro degraus de cada vez até chegar ao nível superior do forte de pedra. As dezenas de soldados do Império que permaneciam no nível superior estavam agora aterrorizados, vendo todos os seus irmãos mortos - e ao verem Erec e os seus homens a alcançam pisos superiores, eles viraram-se e começaram a fugir. Eles correram para o lado oposto do forte, para as ruas da aldeia - e, ao fazerem-no, tiveram uma surpresa: os aldeões estavam agora encorajados. As suas expressões de medo tinham-se transformado em expressões de raiva e, como um, eles revoltaram-se. Eles viraram-se contra os seus captores do Império, arrebataram-lhes os chicotes das mãos e começaram a chicoteá-los enquanto eles fugiam para o outro lado.
Os soldados do Império não estavam à espera daquilo e, um por um, caíram sob os chicotes dos escravos. Os escravos continuaram a chicoteá-los enquanto eles estavam estendidos no chão, uma e outra vez sem parar, até que, finalmente, eles pararam de se mover. A justiça tinha sido servida.
Erec ficou ali, no topo do forte, respirando com dificuldade, com os seus homens a seu lado, fazendo um balanço no silêncio. A batalha tinha acabado. Lá em baixo, foi preciso um minuto para os aldeões atordoados processarem o que tinha acontecido, mas em poucos instantes eles fizeram-no.
Um de cada vez, eles começaram a dar vivas e uma grande ovação ergueu-se no céu, cada vez mais alto. Os seus rostos estavam cheios de pura alegria. Era uma ovação de liberdade. Erec sabia que aquilo fazia com que tudo valesse a pena. Ele sabia que aquilo era o que significava a valentia.
Godfrey estava sentado no chão de pedra no aposento subterrâneo do palácio de Silis, com Akorth, Fulton, Ario e Merek a seu lado, Dray a seus pés, e Silis e os homens dela à frente deles. Estavam todos tristes, de cabeça baixa, com as mãos sobre os joelhos, todos sabendo que estavam num velório. O aposento tremia com os baques da guerra lá em cima, da invasão de Volusia, com o som da cidade deles a ser saqueado e a reverberar nos seus ouvidos. Estavam todos ali, à espera, enquanto os Cavaleiros dos Sete despedaçavam Volusia em pedaços, por cima das suas cabeças.
Godfrey tomou outro longo gole do seu saco de vinho, o último saco deixado na cidade, tentando atenuar a dor, a certeza da sua morte iminente nas mãos do Império. Ele olhou fixamente para os seus pés, questionando-se como é tudo tinha chegado àquilo. Há luas atrás, ele estava seguro e protegido dentro do Anel, desperdiçando a sua vida a beber, sem outras preocupações para além de qual a taberna e o bordel a visitar a cada noite. Agora, ali estava ele, do outro lado do mar, no Império, preso no subsolo, numa cidade sob ruína, tendo-se emparedado a ele mesmo no seu próprio caixão.
A sua cabeça zumbia e ele tentava limpar a sua mente, tentava concentrar-se. Ele persentia o que os seus amigos estavam a pensar, podia senti-lo no desprezo dos seus olhares: eles nunca lhe deviam ter dado ouvidos; eles deviam todos ter escapado quando tiveram a oportunidade. Se eles não tivessem voltado para trás por Silis, eles poderiam ter chegado ao porto, embarcado num navio, e estarem agora longe de Volusia.
Godfrey tentou consolar-se com o facto de que ele havia, pelo menos, retribuído um favor e havia salvado a vida daquela mulher. Se ele não a tivesse alcançado a tempo de avisá-la para descer, ela ainda estaria certamente lá em cima e já morta. Isso tinha de valer alguma coisa, mesmo que não fosse típico dele.
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