Blake Pierce - O Prédio Perfeito

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Em O PRÉDIO PERFEITO (livro #2), a estreante especialista em perfis criminosos, Jessie Hunt, de 29 anos, pega nos destroços de sua vida arruinada e deixa os subúrbios para começar uma nova vida no centro de Los Angeles. Mas quando uma socialite rica é assassinada, Jessie, encarregada do caso, se vê de volta ao mundo das perfeitas paisagens dos subúrbios, caçando um assassino demente no meio das falsas fachadas da normalidade e mulheres sociopatas.Jessie, prosperando novamente no centro de Los Angeles, tem a certeza de que está ultrapassando seu pesadelo suburbano. Pronta para colocar seu casamento fracassado para trás, ela consegue um emprego no departamento de polícia local, adiando sua entrada na Academia do FBI.É atribuído a Jessie um inequívoco assassinato em um bairro rico, um caso simples para iniciar sua carreira. Mas seus chefes não imaginam que este caso é mais complexo do que se suspeitava. Nada pode preparar Jessie para o primeiro caso, que a vai obrigar a investigar as mentes dos casais ricos e suburbanos que ela pensava ter deixado para trás. Por trás de suas fotos de família polida e sebes bem cuidadas, Jessie percebe que a perfeição não é o que parece.Um thriller psicológico em ritmo acelerado com personagens inesquecíveis e suspense de cortar a respiração, O PRÉDIO PERFEITO é o livro # 2 de uma nova série fascinante que vai fazer você ler pela noite dentro.Livro #3 na série Jessie Hunt—A CASA PERFEITA—está também agora disponível para pré-encomenda.

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Ele provavelmente seria um advogado. Mas não para o governo; talvez um associado em seu primeiro ano em alguma empresa chique em um arranha-céu próximo, onde o estavam fazendo trabalhar até a morte. Ele era bem pago, como mostrava o terno sob medida. Mas ele não tinha muito tempo para aproveitar os frutos de seu trabalho.

Ele parecia estar decidindo qual cantada usar nela. Ele não podia lhe oferecer uma bebida, pois ela já tinha uma que ainda estava meio cheia. Jessie decidiu dar-lhe uma mão.

“Que empresa?”, ela perguntou, virando-se para encará-lo.

“O que?”

“Com que empresa de advocacia você está?”, ela repetiu, quase gritando para ser ouvida sobre a música pulsante.

“Benson & Aguirre”, ele respondeu em um sotaque da Costa Leste que ela não conseguia identificar. “Como você sabia que eu era advogado?”

“Palpite de sorte; parece que eles estão realmente exigindo de você até o osso. Você acabou de sair?”

“Cerca de meia hora atrás”, disse ele, sua voz com um sotaque mais da região do médio-Atlântico do que Nova York. “Estou ansioso por uma bebida há cerca de três horas. Eu poderia realmente virar um copo de raspinhas de gelo, mas acho que isso aqui vai ter que cumprir o trabalho.”

Ele tomou um gole de sua garrafa de cerveja.

“Como Los Angeles se compara à Filadélfia?”, Jessie perguntou. “Eu sei que faz menos de seis meses, mas você sente que está se ajustando bem?”

“Eita, que diabos? Você é algum tipo de detetive particular? Como você sabe que eu sou da Filadélfia e só me mudei para cá em agosto?”

“É um tipo de talento que eu tenho. Eu sou Jessie, a propósito”, ela disse, estendendo a mão.

“Doyle”, disse ele, cumprimentando de volta. “Você vai me dizer como você faz esse truque? Porque eu estou meio que pirando aqui.”

“Eu não gostaria de estragar o mistério. O mistério é muito importante. Deixe-me fazer mais uma pergunta, apenas para completar o cenário. Você foi para Temple ou Villanova para estudar Direito?”

Ele olhou para ela com a boca aberta. Depois de piscar algumas vezes, ele se recuperou.

“Como você sabe que eu não fui para Penn?”, ele perguntou, fingindo insulto.

“Não, você não pediu nenhuma raspadinha de gelo na Penn. Qual foi?”

“'Nova com orgulho, baby!”, ele gritou. “Vamos, Wildcats!”

Jessie assentiu apreciativamente.

“Eu sou uma Trojan”, disse ela.

“Oh, caramba. Você foi para a USC? Você ouviu falar sobre aquele cara Lionel Little - ex-jogador de basquete lá? Ele foi morto hoje.”

“Eu ouvi”, disse Jessie. “Triste história.”

“Ouvi dizer que ele foi morto por causa dos tênis”, disse Doyle, balançando a cabeça. “Você pode acreditar nisso?”

“Você deveria cuidar dos seus sapatos, Doyle. Eles não parecem baratos também.”

Doyle olhou para baixo, depois se inclinou e sussurrou no ouvido dela: “Oitocentos dólares.”

Jessie assobiou com espanto falso. Ela estava perdendo rapidamente o interesse por Doyle, cuja exuberância juvenil começava a ser dominada por sua auto-satisfação infantilizada.

“Então, qual é a sua história?”, ele perguntou.

“Você não quer tentar adivinhar?”

“Oh cara, eu não sou tão bom nisso.”

“Experimente, Doyle”, ela persuadiu. “Você pode se surpreender. Além disso, um advogado precisa ser perceptivo, certo?”

“Isso é verdade. Ok, vou tentar. Eu diria que você é uma atriz. Você é bonita o suficiente para ser uma. Mas o centro de Los Angeles não é realmente um território de atriz. Isso é mais parecido com Hollywood e fica para oeste. Modelo talvez? Você poderia ser. Mas você parece muito inteligente para ser essa sua principal coisa, em sua carreira. Talvez você tenha feito sido uma modelo quando era adolescente, mas agora você está fazendo algo mais profissional. Oh, eu entendi, você está em relações públicas. É por isso que você é tão boa em ler as pessoas. Estou certo? Eu sei que estou.”

“Bastante perto, Doyle. Mas não é bem assim.”

“Então o que você faz?”, ele perguntou.

“Eu sou uma especialista em perfis criminais no Departamento da Polícia de Los Angeles.”

Ela gostou de dizer isso em voz alta, especialmente quando ela viu os olhos dele se arregalarem em choque.

“Como aquele programa de TV, Mindhunter?”

“Sim, tipo isso. Eu ajudo a polícia a entrar na cabeça dos criminosos para que eles tenham mais chances de pegá-los.”

“Uau. Então você caça assassinos em série e essas coisas?”

“Já há algum tempo”, disse ela, deixando de mencionar que sua busca era por um assassino em série em particular e que não tinha nada a ver com o trabalho.

“Fantástico. Que trabalho legal.”

“Obrigado”, disse Jessie, sentindo que ele finalmente havia construído a coragem para perguntar o que já estava em sua mente há algum tempo.

“Então qual é o seu negócio? Você é solteira?”

“Divorciada, na verdade.”

“Mesmo?”, ele perguntou. “Você parece muito jovem para ser divorciada.”

“Eu sei, certo? Circunstâncias incomuns. Não deu certo.”

“Eu não quero ser rude, mas posso perguntar - o que era tão incomum? Quero dizer, você parece um ótimo partido. Você é uma psicopata ou algo assim?”

Jessie sabia que ele não estava perguntando por mal. Ele estava genuinamente interessado tanto na resposta quanto nela, mas ele simplesmente tinha acabado horrivelmente com todas as chances. Ela sentiu todo o seu interesse restante em Doyle escorrer para longe dela naquele momento. No mesmo instante, o peso do dia e o desconforto de seus saltos altos se fizeram presentes. Ela decidiu encerrar a noite repentinamente.

“Eu não me chamaria de psicopata, Doyle. Estou definitivamente danificada, ao ponto de acordar gritando na maioria das noites. Mas psicopata? Eu não diria isso. Basicamente nos divorciamos porque meu marido era um sociopata que assassinou uma mulher com quem ele estava dormindo, tentou incriminar-me e, finalmente, tentou matar a mim e a dois dos nossos vizinhos. Ele realmente abraçou a coisa de 'até que a morte nos separe'.”

Doyle olhou para ela, sua boca tão aberta que poderia ter pego moscas. Ela esperou que ele se recuperasse, curiosa para ver o quão suavemente ele se retiraria dali. Não muito suavemente, como se viu logo.

“Oh, isso realmente é uma droga. Gostaria de perguntar mais sobre isso, mas acabei de me lembrar que tenho um depoimento bem cedo amanhã. Eu provavelmente deveria chegar em casa. Espero ver você por aí alguma outra vez.”

Ele já estava fora do banquinho e a meio caminho da porta antes que ela pudesse dizer um “Tchau, Doyle”.

*

Jessica Thurman puxou o cobertor para cobrir seu pequeno corpo meio gelado. Ela estava sozinha na cabana com a mãe morta há três dias. Ela estava tão delirante por falta de água, calor e interação humana que às vezes pensava que sua mãe estava falando com ela, mesmo enquanto o seu cadáver permanecia caído, imóvel, com os braços no ar presos por algemas às vigas do telhado de madeira.

De repente, houve pancadas na porta. Alguém estava do lado de fora da cabana. Não poderia ser o pai dela. Ele não tinha razão para bater. Ele entraria em qualquer lugar que quisesse quando quisesse.

O barulho veio de novo, só que desta vez parecia diferente. Havia um som de sineta misturado. Mas isso não fazia sentido. A cabana não tinha uma campainha. A sineta veio de novo, desta vez sem nenhuma pancada.

De repente, os olhos de Jessie se abriram. Ela estava lá deitada na cama, permitindo que seu cérebro processasse por um segundo que o toque de sineta que ouvira tinha vindo de seu celular. Ela se inclinou para pagá-lo, notando que apesar de seu coração estar acelerado e sua respiração ser curta e rápida no peito, ela não estava tão suada como de costume após um pesadelo.

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