Ela estava de pé na pequena lavanderia, dobrando suas roupas, quando Frank apareceu na porta. Ele era nojento, estava sempre olhando para ela. Ele se abaixou e pegou uma das calcinhas dela, e ela podia sentir suas bochechas corarem por vergonha e raiva. Ele a levantou e riu.
“Você deixou cair,” ele disse, rindo. Ela a puxou das mãos dele.
“O que você quer?” ela respondeu, irritada.
“Isso é jeito de falar com o seu novo padrasto?”
Ele avançou meio passo.
“Você não é meu padrasto.”
“Mas eu vou ser—em breve.”
Ela tentou voltar a dobrar suas roupas, mas ele avançou mais um passo. Perto demais. O coração dela pulava em seu peito.
“Eu acho que está na hora de nos conhecermos um pouco melhor,” ele havia dito, tirando o cinto da cintura. “Você não acha?”
Apavorada, ela tentou passar por ele e sair do pequeno cômodo, mas quando tentou, ele bloqueou sua passagem, a segurou com força e a jogou contra a parede.
Foi então que aquilo aconteceu.
Uma fúria a inundou. Uma fúria diferente de tudo o que ela havia experimentado. Ela sentiu seu corpo se aquecer, pegar fogo, dos dedos dos pés até o couro cabeludo. Quando ele se aproximou dela, ela pulou e o chutou, plantando os dois pés no meio do seu peito.
Apesar de ter um terço do tamanho dele, ele voou pela porta, quebrando a madeira das juntas, e continuou voando, 3 metros até o outro cômodo. Era como se uma bola de canhão o tivesse jogado pela casa.
Caitlin havia ficado parada lá, tremendo. Ela nunca tinha sido uma pessoa violenta, nunca tinha sequer dado um soco em alguém. Além disso, ela não era muito grande ou forte. Como ela tinha conseguido chutá-lo daquele jeito? Como ela tinha a força para fazer aquilo? Ela nunca tinha visto ninguém—muito menos um homem adulto—voar pelo ar, ou quebrar uma porta. De onde a força dela tinha vindo?
Ela caminhou até ele e parou ali.
Ele estava totalmente inconsciente, caído de costas. Ela se perguntou se havia o matado. Mas, naquele momento, com a raiva ainda dentro dela, ela não se importava. Ela estava mais preocupada consigo mesma, com quem—ou o quê—ela realmente era.
Ela nunca viu Frank novamente. Ele terminou o namoro com a mãe dela no dia seguinte, e nunca mais voltou. Sua mãe havia suspeitado que algo tivesse acontecido entre os dois, mas nunca disse nada. No entanto, ela culpou Caitlin pelo fim do namoro, por estragar o único momento de felicidade em sua vida. E ela não havia deixado de culpá-la desde então.
Caitlin voltou a olhar para o seu teto descascado, o coração batendo forte novamente. Ela pensou na raiva de hoje, e se perguntou se os dois episódios estavam ligados. Ela sempre havia acreditado que Frank tinha sido apenas um incidente estranho e isolado, alguma explosão estranha de força. Mas agora, ela se perguntava se aquilo era algo mais. Existia algum tipo de poder dentro dela? Ela era algum tipo de aberração?
Quem era ela?
Caitlin correu. Seus agressores estavam de volta, e a perseguiam pelo beco. Uma rua sem saída estava em sua frente, um enorme muro, mas ela correu de qualquer jeito, direto naquela direção. Conforme corria, ela ganhou velocidade, uma velocidade impossível, e os prédios passaram por ela como um borrão. Ela conseguia sentir o vento em seu cabelo.
Quando chegou mais perto, ela pulou e, em um único salto, estava no topo do muro, a nove metros de altura. Mais um salto, e ela voou pelo ar novamente, nove metros, seis metros, caindo no concreto sem perder o ritmo, ainda correndo, correndo. Ela se sentiu poderosa, invencível. Sua velocidade aumentava mais e mais, e ela sentiu que podia voar.
Ela olhou para baixo e, diante dos seus olhos, o concreto virou grama—grama alta, verde e balançando. Ela correu por uma campina, o sol brilhando, e reconheceu o lugar como a casa de sua primeira infância.
Na distância, ela podia sentir que seu pai estava lá, de pé, no horizonte. Enquanto corria, ela sentia que estava chegando mais perto dele. A imagem dele começou a ficar mais clara. Ele estava lá, com um sorriso largo e os braços abertos.
Ela ansiava por vê-lo novamente. Ela correu o máximo que pode. Mas sempre que chegava mais perto, ele se distanciava.
De repente, ela estava caindo.
Uma grande porta medieval se abriu, e ela entrou em uma igreja. Ela caminhou pelo corredor pouco iluminado, tochas queimando em ambos os lados. Na frente de um altar, estava um homem de costas para ela, ajoelhado. Quando ela chegou mais perto, ele se levantou e se virou.
Era um padre. Ele olhou para ela, e seu rosto se encheu de medo. Ela sentiu seu sangue correndo em suas veias, e viu a si mesma se aproximar dele, sem poder parar. Ele levantou uma cruz, com medo.
Ela se lançou sobre ele. Ela sentiu seus dentes ficarem longos, longos demais, e assistiu enquanto eles perfuravam o pescoço do padre.
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